Críticas

Fender Bender (2016)

No bater de frente com outras produções, Fender Bender perde pela falta de originalidade de um diretor tanto tempo ausente!

Fender Bender
Original:Fender Bender
Ano:2016•País:EUA
Direção:Mark Pavia
Roteiro:Mark Pavia
Produção:Joshua Bunting, Jordan Fields, Gus Krieger, Carl W. Lucas
Elenco:Makenzie Vega, Cassidy Freeman, Lora Martinez-Cunningham, Dre Davis, Bill Sage, Steven Michael Quezada, Kelsey Leos Montoya

Uma das adaptações mais interessantes da vasta obra de Stephen King é o terror Voo Noturno, de 1997, sobre um piloto de avião que costuma fazer rotas noturnas por ser um vampiro, investigado por um repórter interpretado pelo recém-falecido Miguel Ferrer. Atualmente fora de catálogo, por sua característica estranhamente obscura, o filme tem ótimas cenas de violência e sangue em profusão, além de uma bela maquiagem na caracterização do vilão. O longa teve a direção de Mark Pavia, que, apesar da boa aceitação do público, simplesmente desapareceu da mídia e não tinha o nome associado a mais nenhum projeto da Sétima Arte. E eis que surge Fender Bender, com os créditos da direção e do roteiro pertencentes ao próprio Mark Pavia, o que, por si só, torna-se um belo convite a uma conferida para ver se ele ainda se lembra do ofício.

Fender Bender não é nenhuma versão de conto ou adaptação do Mestre do Horror Contemporâneo. Surgiu de um conceito que o próprio cineasta sustentou nos 19 anos em que esteve afastado, mas o enredo é tão simples e similar a outros produtos que pode-se considerá-lo uma adaptação disfarçada de tudo o que os thrillers têm feito para o gênero. E isso já pode ser notado no início, quando uma garota (Cassidy Freeman) troca mensagens pelo celular com uma pessoa que se auto-denomina “um novo amigo” e que sabe o que ela estaria tomando banho de banheira no momento. Após se certificar das trancas da casa, ela se deita para dormir, mas o psicopata, com roupas de couro e uma máscara de sado, aparece deitado ao seu lado para encerrar o serviço.

A morte inicial, apresentando as ações do assassino, é a deixa para conhecermos a próxima vítima. No Novo México, Hilary (Makenzie Vega) acaba de testemunhar a traição do namorado Erik (Kelsey Leos Montoya), seguindo a orientação de seus amigos. Abalada pelo ocorrido, ela para o carro no semáforo, recebendo uma batida por trás – o tal “fender bender” do título, dando os sinais do modus operandi do psicopata no contato com as presas. Ela troca dados com o motorista descuidado (Bill Sage), sem entender muito bem o procedimento pela sua breve experiência na direção, preocupada apenas com a bronca que receberá dos pais. “Você é virgem?“, questiona o louco, brincando com o fato dela nunca ter batido o carro antes.

Em casa, depois do sermão dos pais, ela fica impedida de participar da viagem de fim de semana, tendo que ficar sozinha em casa. Tudo o que o assassino precisava. Uma jovem inocente em um casarão, disposta a participar de seu jogo sádico. Ele invade a casa, tira fotos dela durante o banho com o próprio celular dela e ainda tem a breve conversa como um “novo amigo“, mas não será tão fácil como das outras vezes. Ela receberá a visita dos amigos e até do namorado e precisará agir com inteligência se quiser sair dessa terrível noite viva.

Ligações de dentro da casa, ameaças…só faltava a profissão de babá para Hilary assumir todos os estereótipos do gênero. Se a personagem pelo menos transmite simpatia, por outro a atriz é levemente limitada como na reação dela ao ver suas fotos tiradas dentro de casa. Qualquer pessoa sã sairia de casa no ato, procuraria um vizinho ou buscaria contactar a polícia. Ela investiga todos os ambientes, lentamente, para depois atestar que se trata de alguma ação de Erik, como se isso fosse um “pedido de desculpas” pela traição. Logo depois, sem saber a origem da ameaça, ela já está rindo com os amigos que vieram visitá-la.

Outra bobagem pode ser notada no bolo que aparece sobre o carro. O namorado, talvez? Ou o rapaz que bateu em seu carro? De qualquer forma, ela leva o doce para casa e oferece aos amigos, esquecendo da natureza misteriosa do presente. Isso sem falar no velho clichê do vilão abatido e que a vítima nem pensa em tentar finalizá-lo, promovendo seu retorno para mais alguns sustos. A direção de Pavia é simples, como também era em 1997. A diferença veio do conceito original, de Stephen King, ampliado por seus acréscimos e ótimas atuações.

Sem trocadilhos, no bater de frente com outras produções, Fender Bender não é o retorno que se podia esperar do cineasta, não se destacando entre filmes similares e mais bem feitos.

Leia também:

1 Comentário

  1. Paulinha

    Que atriz péssima….acabou com qualquer chance do filme prestar.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *