Críticas

O Silêncio do Lago (1993)

Com características de um thriller convencional e um final otimista, esta versão comprova que o “silêncio” de 1988 é mais apavorante!

O Silêncio do Lago
Original:The Vanishing
Ano:1993•País:EUA
Direção:George Sluizer
Roteiro:Todd Graff, Tim Krabbé
Produção:Larry Brezner, Paul Schiff
Elenco:Jeff Bridges, Kiefer Sutherland, Nancy Travis, Sandra Bullock, Park Overall, Maggie Linderman, Lisa Eichhorn, George Hearn, Lynn Hamilton

O apavorante conceito desenvolvido por Tim Krabbé, a partir de uma notícia que leu no jornal no começo dos anos 80, desenvolveu um dos thrillers mais assustadores de todos os tempos comandado por George Sluizer. Lançado em 1988, o longa holandês fez tanto sucesso que até mesmo Stanley Kubrick disse que era mais aterrorizante do que o seu próprio O Iluminado (1980). Na época do lançamento, mesmo com tantos elogios, Sluizer confessou que chegou a idealizar um final diferente para o filme, um que não fosse tão pessimista e ainda permitisse uma reviravolta no último ato. Assim, aproveitando o interesse americano em refazê-lo nos anos 90, o cineasta colocou em prática, incluindo a alteração da narrativa não-linear, aproveitando o roteiro proposto por Todd Graff (O Segredo do Abismo, 1989).

Sluizer disse que só aceitou o projeto da refilmagem pelas mudanças no final, tanto pelo que havia sido apresentado no enredo de Graff, quanto em suas proprias ideias sobre o que imaginava ser um gosto americano. Também pesaram na escolha o elenco de rostos em ascensão e o orçamento estimado em U$20 milhões, dez vezes superior ao do longa original. Para o papel do psicopata Raymond (no original) foi selecionado Jeff Bridges, oriundo de dois mega-sucessos Susie e os Baker Boys (1989) e O Pescador de Ilusões (1991). Ele encarna Barney Cousins, um pai de família com um objetivo sinistro: cometer um ato cruel, uma maldade que completaria sua outra metade, a que salvou uma criança do afogamento.

Ele surge logo no início do filme ensaiando metodicamente o sequestro que realizará. Desde o modo de convencimento das prováveis vítimas ao uso do clorofórmio, sempre anotando o tempo de cada ação e seus batimentos cardíacos. Ele decide consertar a casa que possui na área rural, próxima a um lago, e até testa o som dos gritos de sua filha Denise (Maggie Linderman), provocando-a com aranhas, para saber se ele é audível na vizinhança. Na cidade, ele ainda tenta algumas aproximações, mas sempre recebe negativas. Como seu antecessor, ele também é atrapalhado, seja na dialética ou até mesmo quando pretende usar a droga para adormecer uma garota e, ao espirrar, usa o mesmo lenço umedecido com clorofórmio.

Enquanto Barney tenta ignorar a pergunta da filha sobre ter um caso, um veículo viaja tranquilamente pela estrada. Nele, estão Jeff Harriman (Kiefer Sutherland, vindo do sucesso Questão de Honra, 1992) e sua namorada Diane Shaver (Sandra Bullock, a namoradinha da América da época), com brincadeiras que demonstram jovialidade e intimidade. Como no original, o veículo também fica sem combustível em um túnel, e ela também é abandonada pelo namorado. Depois que fazem as pazes, decidem estacionar brevemente em uma parada de caminhões para comprar café.

É nesse momento que Diane desaparece, para desespero do namorado. É claro que o responsável é Barney, que, depois de tentar o uso de uma falsa luva ortopédica – como fazia Ted Bundy -, ele teve a sorte da garota cruzar seu caminho na máquina de café. Jeff a procura por todos os cantos, e sua história ganha notoriedade nos Estados Unidos como um sujeito incansável na procura da amada, mesmo após três anos do seu desaparecimento. Em um restaurante, lamentando sua busca improvável, ele conhece a atendente Rita (Nancy Travis, de Chaplin, 1992), e inicia um novo relacionamento.

Mesmo a contragosto da garota, ele continua sua procura silenciosa, aparecendo até mesmo na TV para comentar sua trágica história. Sua participação é acompanhada por Barney, que passa a segui-lo mais de perto, até decidir entrar em contato. Diferente do filme original, a aproximação do sequestrador tem início quando ele percebe que o rapaz está começando a desistir da busca, e isso poderia amenizar sua responsabilidade. Talvez a tortura possa continuar com uma outra vítima, sua nova namorada, já disposta a se afastar do obsessivo namorado.

Até então essas mudanças são até interessantes, pois amplia o nível de maldade de Barney tornando a busca de Jeff um tormento sem fim. No entanto, Graff propõe uma participação maior da nova namorada de Jeff, e alguns plots twists que, se não prejudicam a diversão, dão um tom de thriller convencional. O conceito original era mais assustador porque parecia não haver escapatória para todos os envolvidos, como se a maldade fosse capaz de prevalecer – e a possibilidade imaginada quando surgem os créditos finais de 1988 é extremamente angustiante.

Ambos filmes são bem dirigidos, com ótimas atuações, mas a obsessão de Jeff é mais convincente que a de Rex. E tem também uma ideia interessante no original sobre a dificuldade da pronúncia do francês em algumas frases, o que facilita a confiança depositada em Raymond. Mesmo que a sequência final divirta e deixe o espectador com as unhas na boca, o “silêncio” de 1988 é mais apavorante, aliás, pode-se dizer “duplamente” assustador. Uma opção mais otimista apenas diminuiu o nível de tensão e a eficiência do vilão, o que nos leva a acreditar que Ray foi mais inteligente do que Barney.

O Silêncio do Lago é um sufocante thriller, auxiliado pelo elenco de primeira e pela produção mais bem realizada. Está distante do medo original, mas é bem divertido e curioso. Sugiro duas visitas à cabana do lago, para uma completa apreciação da obra original.

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2 Comentários

  1. Joao

    Uma sugestão: menos detalhes do filme, não é pelo spoiler, mas acho longo demais.

  2. Anselmo Luiz

    Ótimo filme de suspense tanto o original ” A Desaparecida ” titulo que passou na TV quando foi exibido e essa versão americana são otimo ,quando Hollywood que refilmar um filme de outro país eles fazem direito e ambas as versões ficam uma perola e quando refilmam de forma errada fica uma droga para ser esquecido ,nos só conseguimos lembrar da versão original.

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