Críticas

Sexta-Feira 13 – Parte 8: Jason Ataca em Nova York (1989)

Jason perdido na cidade grande, como o roteiro e todos os envolvidos em uma das maiores bombas da série!

Sexta-Feira 13 Parte 8: Jason Ataca Nova Iorque
Original:Friday the 13th Part VIII: Jason Takes Manhattan
Ano:1989•País:EUA, Canadá
Direção:Rob Hedden
Roteiro:Rob Hedden
Produção:Randy Cheveldave
Elenco:Jensen Daggett, Kane Hodder, Todd Caldecott, Tiffany Paulsen, Barbara Bingham, Alex Diakun, Peter Mark Richman, Martin Cummins

Aos treze anos, eu tinha no meu quarto um gigantesco cartaz da oitava parte da série Sexta-Feira 13. Nele, havia uma silhueta de Manhattan em vermelho, com a máscara de Jason em destaque. Era o filme que eu tinha mais vontade de assistir na época, quando eu até “brincava de Jason” com meus amigos, desenvolvendo pequenas histórias com o assassino imortal.

Foi a maior decepção que eu tive no gênero. Apesar de ser fã absoluto da franquia, não posso negar a ruindade desse filme, que supera até mesmo a quinta e o nona parte. O próprio diretor/roteirista Rob Hedden confessou que o longa não foi malhado à toa. No primeiro tratamento do roteiro, o filme se passaria realmente em Nova Iorque (e não apenas em Manhattan), mostrando Jason perseguindo suas vítimas pela Madison Square Garden, na ponte do Brooklyn e até mesmo no Empire State Building. Mas, infelizmente, a Paramount, que detinha os direitos pelo filme, não tinha dinheiro para filmar muitas cenas em Nova Iorque, então ele teve que alterar seu roteiro para que o filme acontecesse apenas em Manhattan, sem explorar muito a região.

Para piorar a situação, assim como ocorreu no Brasil com o lançamento do filme Turistas, as empresas de turismo não queriam que os pontos turísticos de NY fossem mostrados em cena. Assim, o pobre coitado Rob Hedden não teve outra alternativa a não ser focar o filme quase que inteiro num navio – atitude que gerou ainda mais protesto entre os fãs.

Assim, o filme tem início com a música “The Darkest Side Of The Night”, tocada pelo grupo Metropolis, mostrando os lugares de Manhattan por onde Jason perseguirá suas vítimas. O assassino continua no lugar onde foi deixado no filme anterior, quando foi puxado para a água por John Shepard, pai da jovem com poderes paranormais.

Um casal resolve namorar numa lancha próximo ao local, enquanto se prepara para a viagem que farão no dia seguinte para Nova Iorque. A âncora do navio arrebenta um cabo de alta tensão e eletrocuta o corpo de Jason, que, ao estilo monstro de Frankenstein, mais uma vez retorna à vida.

Na embarcação, naquelas coincidências absurdas dos filmes de terror, o rapaz resolve assustar a namorada usando uma máscara de hóquei, apenas para Jason ter o que usar para esconder seu rosto deformado, enquanto os mata com um arpão. Apesar de estar próximo dos acampamentos de Crystal Lake e próximo da terra firme, não se sabe por qual razão, Jason opta por entrar de gaiato num navio de formandos, rumo a Big Apple. Não há motivo realmente para isso. È uma desculpa esfarrapada para levá-lo a um local diferente e popular. O roteirista podia ter feito uma opção simples: Jason persegue a jovem da lancha. Ela foge. No dia seguinte, a jovem entra no barco e o assassino vai atrás. Aproveita a viagem para matar todos, enquanto o barco segue rumo ao destino…simples, não?

Quando o navio sai do cais, vemos uns trinta jovens nele. Mas, mais da metade irá desaparecer durante a viagem, sem mostrar corpo algum. Um dos personagens diz: – Cadê o pessoal do restaurante? Outro responde: – Não existe mais restaurante. Quer dizer que Jason matou toda essa gente offscreen? Que desperdício!

Durante a primeira hora do filme, vários jovens serão assassinados no navio. Restarão apenas 5 para fugir na cidade grande. E mesmo com centenas de pessoas cruzando o caminho do assassino, Jason somente perseguirá essas cinco vítimas. Outro desperdício! O roteiro podia mostrar Jason como uma espécie de exterminador, matando tudo o que vem pela frente. Kane Hodder disse numa entrevista que o roteiro exigia que em certo momento ele chutasse um cachorro assim que chegasse à cidade, mas o próprio ator achou muita crueldade essa atitude e optou por apenas chutar um rádio.

Aliás, Jason, neste filme, está politicamente correto. Ele mata uma rockeira com uma guitarrada na cara; dois traficantes (enfiando uma agulha num deles) e acaba salvando a mocinha; mais tarde, afoga o tio da jovem que a traumatizou quando criança (atirando-a no lago); mata com um soco o boxeador; mostra o rosto para uns punks feios…

Em certo momento, dentro de um bar, dois jovens entram correndo e falam: – Ajude-nos! Um maníaco está atrás de nós!. A bartender responde: – Bem-vindos a Nova Iorque! Logo depois, Jason entra no local e atira o gigantesco cozinheiro contra um espelho. Era Ken Kirzinger, que duas décadas depois vestiria a máscara de Jason para enfrentar Freddy Krueger em Freddy Vs Jason (2003).

No final, Jason persegue o casal de heróis pelo esgoto e estes assistem a morte do assassino, sendo engolido pelo lixo tóxico. A máscara cai e Jason tem um novo rosto monstruoso. Durante a cena, ele vomita pouco antes da água cobrir seu rosto. Trata-se de um vômito real de Kane Hodder, depois de engolir muita água e ficar com ânsia. Vemos Jason voltando a ser criança, gritando de dor e até pedindo ajuda para a mamãe.

Em Sexta-Feira 13 – Parte VIII, surge um novo Crazy Ralph. Um rapaz que diz todos estão amaldiçoados por Jason e blá blá blá… Em certo momento, no navio, Jason passa por uma porta onde podem ser vistos vários dardos. Esse detalhe tinha um motivo: em uma das mortes, Jason utilizaria o jogo para furar os olhos de uma vítima, mas a censura meteu a faca.

Tudo seria bem aceito se o filme fosse divertido, mas não é. Ver Jason sumindo e aparecendo na frente das pessoas chega a dar raiva; tentar entender como ele chegou a Nova Iorque deixa confuso; pensar no jeito que ele usou para aparecer dentro do trem chega a dar dor de cabeça….

Vale apenas como registro de mais uma “aventura” do assassino. Esse foi o último filme da franquia realizado pela Paramount, que vendeu os direitos para a New Line depois do fracasso das bilheterias. Esse fracasso facilitou o encontro com Freddy Krueger treze anos depois.

Contagem de Corpos

Assassino: Jason Voorhees
1 (69) : Jim – empalado com um arpão
2 (70) : Suzi – espetada com uma flecha de arpão
3 (71) : J.J. – batida na cabeça com uma guitarra
4 (72) : Boxeador – pedra quente no estômago na sauna 5 (73) : Tamara – cortada com um caco de vidro…
6 (74) : Jim Carlson – arpão por trás
7 (75) : Almirante Robertson – garganta cortada com um facão
8 (76) : Eva – estrangulada
10 (77) : Wayne – eletrocutado no painel do navio.
11 (78) : Miles – empalado por uns ferros na lateral…
12 (79) : Deck – machado por trás
13 (80) : traficante 1 – cortado por trás com a própria seringa
14 (81) : traficante 2 – batida da cabeça num cano de vapor
15 (82) : Julius – decapitado com um soco
16 (83) : policial – tirado do veículo, morte offscreen
18 (84) : Charles McCullough – afogado num barril com água suja
19 (85) : trabalhador no esgoto – batida na cabeça com uma chave de fenda

Observação: cerca de 20 a 30 estudantes morreram afogados ou por Jason no navio. Se você assistir ao começo do filme com atenção verá vários estudantes no local que não aparecerão mais depois…

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5 Comentários

  1. Saulo Vale

    Tá brincando? Esse filme é no mínimo divertido. Não procure coerência e lógica onde não existem. Procurar sentido em roteiro de filme de Jason é procurar pelo em ovo. Para um filme de Jason o roteiro é original. Até então nenhum se passava num barco e em cidade grande. As mortes são criativas, e aquela peleja com o boxeador é um dos momentos mais hilários da série.

  2. igor

    o filme é excelente sem frescuragem de crítico,quer ver filminho cabeça vai ver as bobagens dos europeus. As mortes são divertidas a roupagem ta muito boa, o resto é detalhe de critico chato.

  3. Marcos

    Marcelo eu tenho uma duvida: Por que ou o que Eram aquelas alucinações, apariçoes ou sei lá com varias crianças diferentes sendo o ‘fantasma do jason criança’, qual o motivo, significado, ou explicação daquele monte de moleques diferentes?

  4. Sérgio

    Tive oportunidade de assistir esse filme no cinema, que só não é pior que a parte 9, já que não acho a parte 5 tão ruim assim. Sério!
    E Marcelo, você esqueceu de citar que nesse filme, sem explicações para variar, Jason torna-se onipresente.

    • Marcos

      Teletransporte cara, Jason aumenta seus poderes a cada morte, nesse filme ele adquiriu o poder do teletrasnporte, no proximo filme foi o poder da possessão, em Jason X, corpo metalico, Jason é praticamente um vilão da Marvel ou da DC…

      P.S: Isso tudo é só uma piadinha em.

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