Westworld – Onde Ninguém Tem Alma (1973)

Westworld - Onde Ninguém Tem Alma
Original:Westworld
Ano:1973•País:EUA
Direção:Michael Crichton
Roteiro:Michael Crichton
Produção:Paul Lazarus III
Elenco:Yul Brynner, Richard Benjamin, James Brolin, Norman Bartold, Alan Oppenheimer, Victoria Shaw, Dick Van Patten, Steve Franken

A Netflix e o canal HBO são os maiores produtores de conteúdo para a TV da atualidade. Enquanto o primeiro está um passo a frente como preferência de exibição, o segundo tem apresentado conteúdos melhores como a premiada série Game of Thrones e a recente Westworld, com Anthony Hopkins, Ed Harris e Evan Rachel Wood. O que poucas pessoas sabem é que esta segunda foi inspirada em um longa de ficção científica e western lançado em 1973. Westworld – Onde Ninguém tem Alma é uma produção original roteirizada e dirigida por Michael Crichton, o nome por trás de grandes blockbusters como o similar Jurassic Park: O Parque dos Dinossauros. De acordo com as trívias da internet, Crichton teria criado o conceito durante um passeio a Disneylandia, onde ficou impressionado com os bonecos animatronics de Piratas do Caribe, imaginando o que aconteceria se eles fugissem do controle e começassem a agredir os visitantes.

Westworld trabalha basicamente essa ideia: um parque temático, intitulado Delos, onde as pessoas poderiam experimentar três mundos: o da época dos faroestes, por volta de 1880; o romano na cidade de Pompeia e o medieval europeu. Imagina se você não se interessaria em participar de um spa como esse, onde vivenciaria uma briga em um saloon ou um assalto a uma diligência, ou uma disputa de espadas com gladiadores ou assumiria o trono de um reinado! Nesses resorts, o público seria acompanhado por androides, dispostos a realizar todas os seus desejos, a partir do comando de engenheiros que observariam todos os movimentos para coordenar a diversão. E o mais divertido é que nesses ambientes você não saberia distinguir um outro turista de uma máquina, pois uma vez no parque o pagante pode assumir qualquer personagem. Quer ser delegado na cidade ou o mais procurado por todos os crimes? Quer se o amante da Rainha?

É com essa expectativa que, em 1983, Peter Martin (Richard Benjamin) decidiu experimentar o passeio, ao lado do já experiente John Blane (James Brolin, de Terror em Amityville, 1979). Eles chegam através de um hovercraft, que voa pelo deserto até alcançar as três extensões dos mundos. Eles vestem roupas da época, e abandonam qualquer vestígio da modernidade. E devem se preparar para viver no velho oeste, com banhos em banheiras pequenas, brigas nos bares, duelos e prisões. Em um saloon, Peter é provocado por um pistoleiro (Yul Brynner, com a mesma vestimenta de Sete Homens E um Destino, 1960) e realiza um duelo que culmina com o sangue jorrando da máquina. Então, ele descobre que as armas são de verdade, mas possuem sensores que impedem que ela funcione com o calor humano.

Depois de experimentar o prostíbulo e novamente enfrentar o pistoleiro, Peter é preso pelo delegado e mantido numa cela, onde precisará encontrar um meio de escapar da brincadeira. A diversão termina, quando John é mordido por uma cobra-robô, e os engenheiros, como nota o supervisor chefe (Alan Oppenheimer), começam a perceber que o sistema pode estar próximo de uma falha irreversível, como se fosse uma doença prestes a se espalhar entre os androides. E, é claro, como se pode imaginar as máquinas se rebelarão contra os visitantes, e o terrível pistoleiro será o grande inimigo, com sua precisão no disparo e capacidade de seguir rastros.

Não estamos lidando com máquinas comuns aqui. Estas são peças tão complicadas quanto a dos organismos vivos. Em alguns casos, eles foram projetados por outros computadores. Nós não sabemos exatamente como eles funcionam.(Supervisor Chefe)

A concepção fria e indestrutível do pistoleiro inspirou Arnold Schwarzenegger na construção de seu personagem em O Exterminador do Futuro, assim como o cineasta John Carpenter assumiu a relação de Michael Myers com o vilão. É interessante notar a evolução de Yul Brynner nas três vezes em que aparece no filme, principalmente a última, como um incansável inimigo mortal que continuava perseguindo Peter por todos os cenários, mesmo depois de ter o corpo ferido ou queimado. Aliás, diferente da série da HBO o filme de Crichton intercala as ações também nos outros mundos, mostrando como outros visitantes que foram vistos chegando com a dupla de heróis estão se portando em suas experiências.

Além de todo a interessante mitologia desenvolvida, o longa impressiona pelos efeitos especiais e cuidados técnicos. Não há receios em mostrar um gigantesco laboratório, repleto de computadores imensos, e engenheiros envolvidos na manutenção dos androides, alguns abertos para a reconstrução de suas partes danificadas. Os engenheiros atuam como doutores e cientistas, recebendo as máquinas destruídas para que possam reconstituir e devolvê-las ao parque, como pode ser visto com o pistoleiro em suas três aparições no filme.

Pode-se dizer que Westworld realmente influenciou a ficção científica contemporânea, na convivência entre humanos e máquinas, como o seguinte As Esposas de Stepford (1975) e até mesmo Alien, o Oitavo Passageiro (1979). A boa receptividade do filme deu origem à continuação Mundo Futuro: Ano 2003, Operação Terra (1976), de Richard T. Heffron, e uma minissérie em 1980, Beyond Westworld, além, claro, da recente Westworld. Este western futurista associa de maneira curiosa os subgêneros, e ainda reserva entretenimento para quem busca apenas diversão, como se o espectador estivesse visitando o parque temático e imaginando como seria fazer parte de uma época distante.

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Marcelo Milici

Marcelo Milici

Fundou o Boca do Inferno em 2001. Formado em Letras, fez sua monografia sobre o Horror Gótico na Literatura. É autor do livro "Medo de Palhaço", além de ter participado de várias antologias de horror!

2 comentários em “Westworld – Onde Ninguém Tem Alma (1973)

  • 11/03/2018 em 22:05
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    Tão interessante hoje quanto em 1973! Premissa ótima e a constante perseguição do pistoleiro aos mocinhos dão uma certa agonia. Gosto muito desse filme!

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  • 18/08/2017 em 10:32
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    Revi ontem esse filme, o qual devo ter assistido pela primeira vez quando era criança ou quando muito um adolescente, a mais de 30 anos atrás e do qual tinhas boas lembranças.

    Revisto hoje, achei o filme decepcionante: Michael Crichton, como diretor, deixa a desejar no que diz respeito a criar clima assim como no que diz respeito as atuações do elenco, sem contar que acho que a escalação de Richard Benjamin como o protagonista foi um erro. Me desagradou também a trilha sonora.
    Salva-se apenas Yul Brynner e o roteiro, com ressalvas, pois acho que deveria ter focado apenas naquele resort ambientado na época do faroeste, deixando de fora os outros dois.

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