Críticas

Death Race 2050 (2017)

Nada mais do que uma grande bobagem, segundo reboot do clássico de Corman continua com sua mensagem debochada

Esquadrão Suicida?

Death Race 2050
Original:Death Race 2050
Ano:2017•País:EUA
Direção:G.J. Echternkamp
Roteiro:G.J. Echternkamp, Matt Yamashita
Produção:Roger Corman
Elenco:Manu Bennett, Malcolm McDowell, Marci Miller, Burt Grinstead, Folake Olowofoyeku, Anessa Ramsey, Yancy Butler, Charlie Farrell, Shanna Olson

Com 90 anos de idade completos em 2016 e centenas de filmes de baixo orçamento produzidos ao longo de uma invejável carreira, Roger Corman não precisa provar mais nada a ninguém, porém continua ativo e chutando pela Sétima Arte. E destas mais de 400 produções, uma delas é lembrada com um carinho especial pelos fãs, Corrida da Morte – Ano 2000 (1975), também conhecida por ser um dos primeiros trabalhos de Sylvester Stallone e um dos melhores de David Carradine.

Em 2008 o diretor Paul W.S. Anderson realizou o primeiro remake, denominado Corrida Mortal e estrelado por Jason Statham, com uma abordagem mais séria e contemporânea, porém perdendo toda a personalidade e crítica política do original, virando apenas mais um filme de ação como tantos outros. Corrida Mortal ainda geraria duas continuações/prequels rodados diretamente para o vídeo (em 2010 e 2013) – filmes péssimos que não valem seu tempo ou dinheiro.

Eis que certo tempo depois Roger Corman concedeu uma entrevista para um jornalista italiano que apontou a semelhança entre o roteiro de Jogos Vorazes e Corrida da Morte – Ano 2000, despertando seu interesse em fazer uma continuação direta/reboot do original. O próximo passo foi convencer a Universal Pictures (que também produziu o primeiro remake), que aceitou o projeto, colocando G.J. Echternkamp na direção e co-roteirizando. Echternkamp já havia trabalhado com Corman em Virtually Heroes de 2013, considerado o filme mais barato já produzido por Corman – somente 114 mil dólares, repleto de cenas de arquivo e ainda com uma participação de Mark Hammil.

O roteiro se passa no ano de 2050 (obviamente) e neste futuro distópico os Estados Unidos da América se tornaram as Corporações Unidas da América. A terra está devastada. Com a evolução da medicina a superpopulação se tornou um problema; e com as máquinas fazendo tudo o que é importante, a taxa de desemprego está acima de 99%. Porém ninguém se preocupa com isto, pois o americano médio se tornou uma espécie burra que não consegue mais pensar por si, consumindo entretenimento vorazmente e o culto à personalidade chega ao nível de fanatismo.

O cenário propício a manipulação de massas favorece a realização de mais uma edição da Corrida da Morte, uma competição de três dias onde ganha não só quem chegar primeiro ao outro lado do país, mas principalmente quem matar a maior quantidade de pedestres no meio do caminho. Cabe ao CEO das Corporações Unidas (Malcolm McDowell com um topete estilo Donald Trump) abrir a competição que tem os seguintes corredores: Frankenstein (Manu Bennett, o Slade Wilson da série Arrow), o campeão das últimas edições; Jed Perfectus (Burt Grinstead), um atleta criado geneticamente e a aposta do CEO para tomar o lugar de Frankenstein; Minerva Jefferson (Folake Olowofoyeku), estrela do Hip-hop; Tammy (Anessa Ramsey, The Signal), que lidera seu próprio culto de fanáticos, e ABE, um veículo movido por inteligência artificial.

Cada motorista tem um acompanhante, uma pessoa responsável por transmitir a corrida na forma de realidade virtual para os espectadores. Annie Sullivan (Marci Miller) é a acompanhante de Frankenstein, que tenta ser simpática com o fechado piloto, contudo também pode ter sua própria motivação oculta para estar na corrida. E para quem já viu o desenho Corrida Maluca, Speed Racer ou jogou Carmageddon no passado não precisa ter um detalhamento maior do que Death Race 2050 apresenta: atropelamentos sangrentos, disputas na pista, piadas desbocadas e todo o tipo de barbaridade exagerada acompanham o passageiro pela corrida.

Neste aspecto o Death Race atual não é muito diferente do que sua fonte de 1975, pois não há espaço para sutilezas ou áreas cinzentas, deixando a obra tão insana quanto pode ser. Todas as críticas sociais possíveis e imagináveis estão lá – a ironia com a situação atual da presidência dos Estados Unidos é um elemento adicional de prazer – e são entregues através de diversas gags e situações absurdas, piadas e estereótipos que tentam nos acertar no nariz, ora funcionando e fazendo rir, ora irritando, mas com uma inegável energia e vigor que somente uma boa produção de Corman poderia entregar. Estes fatores tornam o filme uma memorável bagunça, é uma pena que aparentemente alguns membros do elenco não tenham comprado muito bem a piada e isto afeta a química entre os atores, prejudicando o resultado final.

No fim das contas Death Race 2050 vive para fazer jus à sua reputação. Uma grande bobagem reverente ao material original, um filme tão hipnoticamente ruim como aqueles eternos guilty pleasures que sempre vão ficar voltando na memória… Lembranças de uma bad trip depois de beber um chá de cogumelos. Obrigado, Corman, por mais uma excelente forma de perder tempo.

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