Críticas

O Chamado 3 (2017)

Uma sucessão de desastres que parecem durar sete dias ao invés dos pouco mais de cem minutos de projeção.

O Chamado 3
Original:Rings
Ano:2017•País:EUA
Direção:F. Javier Gutiérrez
Roteiro:David Loucka, Jacob Estes, Akiva Goldsman
Produção:Laurie MacDonald, Walter F. Parkes
Elenco:Matilda Anna Ingrid Lutz, Alex Roe, Johnny Galecki, Vincent D'Onofrio, Aimee Teegarden, Bonnie Morgan, Chuck David Willis, Patrick R. Walker, Zach Roerig, Laura Wiggins, Lizzie Brocheré

Assim como Jason Voorhees, na série Sexta-Feira 13, e Freddy Kruegger, nos filmes da franquia A Hora do Pesadelo, marcaram e criaram toda uma geração de fãs de cinema de horror, é indiscutível que Samara Morgan, versão americana da Sadako do original japonês, do filme O Chamado (2002) é um dos monstros mais populares e importantes do gênero deste século. Se não for a mais importante.

Por isso que, apesar da segunda parte bastante discutível lançada em 2005, fui com a melhor das intenções assistir a terceira parte da série, que estreia hoje (02/02) no Brasil. Apesar de não ter assistido a nenhum dos trailers e me manter afastado das peças de divulgação, uma melancólica certeza pairava no ar – fruto de uma terrível constatação de que o cinema de horror deixou de ser algo focado no psicológico e na ambientação para dedicar todo o seu esforço em criar cenas mirabolantes e jumpscares estrondosos e ensurdecedores.

Veja bem, não quero definir aqui qual estilo de horror é melhor ou pior, apenas apresentar uma tendência do cinema de horror atual. Pelo menos daquele cinema de horror de multiplex, onde, na maioria das vezes, pega-se uma fórmula pronta, com estrutura, personagens e desfechos previamente estabelecidos e testados por executivos de marketing engravatados nos escritórios de estúdios e adiciona-se um personagem emblemático, uma marca forte e uma franquia popular. Ainda que renda alguma grana para os cofres dos estúdios, a maioria destes filmes resultam em desastres anunciados. E O Chamado 3 é mais um exemplo desse cinema especulativo e oportunista.

Escrito a seis mãos por David Loucka (A Última Casa da Rua, 2012), Jacob Estes (Detalhes, 2011) e Akiva Goldsman (Eu Sou A Lenda, 2007), o roteiro deixa de lado toda a tensão e o clima do primeiro filme e isso fica claro logo na primeira cena onde Samara aparece em um avião em pleno voo! A partir daí, o telespectador que ainda tinha alguma esperança de sentir aquele arrepio na espinha que o primeiro filme dava já se prepara pro pior. E este pior vem na forma de alguns dos personagens mais insossos e nada carismáticos da história do cinema de horror. E aí o diretor F. Javier Gutiérrez (Três Dias, 2008) e sua equipe se afastam de vez de qualquer chance de redenção ao ignorar uma das premissas básicas do cinema de horror: o telespectador precisa se importar com os personagens!

Temos um Johnny Galecki (o Leonard do seriado The Big Bang Theory), impossível de se levar a sério como “um professor fodão”, como o protagonista o descreve em uma das cenas do filme, e a dupla Matilda Anna Ingrid Lutz e Alex Roe, que formam um casal sem-graça com uma história de amor tão mal desenvolvida que atrapalha a suspensão de descrença quando nos deparamos com algumas decisões dos personagens em determinado ponto da história. É impossível comprar alguns sacrifícios feitos, mesmo com aquela abertura forçadamente metida a intelectual citando o mito de Orfeu e Euridice. O pacote de personagens ruins ainda deixa espaço por um constrangedoramente subaproveitado Vincent D’Onofrio (Demolidor, 2015) interpretando uma mistura de seu emblemático Rei do Crime com Matt Murdock que nos deixa perguntando como convenceram um ator desse calibre a se sujeitar a isso.

O filme até que esboça a intenção de seguir por caminhos interessantes, como o estudo acadêmico da lenda da Samara envolvendo alunos em uma espécie de clube secreto, a própria ideia de Samara aparecer em um avião, que também poderia render alguns momentos bastante tensos, mas o diretor opta pela pirotecnia e falta de sutileza. Quando o filme passa a se dedicar à investigação e ao mistério, quase um remake do primeiro, a coisa fica ainda pior. Uma investigação recheada de coincidências e situações forçadas e absurdas que subestimam o público de tal maneira que alguns cortes são inseridos no filme para, em outra cena, um personagem explicar exatamente aquilo que estávamos vendo na cena anterior como se o roteiro fosse algo complicadíssimo.

Adotar esta tendência em um filme como O Chamado, oriundo do cinema de horror oriental, muito mais tenso, focado no psicológico dos seus protagonistas – e telespectadores – com seus fantasmas atormentados e suas cenas arrepiantes, é um erro crasso do cinema orientado demograficamente. Um de cinema que, embora também tenha seus méritos quando bem utilizada, nas mãos de um diretor competente e com um roteiro que saiba explorar os clichês pode funcionar muito bem e entregar diversão rápida pra quem quer apenas desligar e passar uma hora e meia tomando sustos no escuro do cinema comendo seu balde de pipoca e tomando refrigerante, mas que, no caso de O Chamado 3, é apenas uma sucessão de desastres que parecem durar sete dias ao invés dos pouco mais de cem minutos de projeção.

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11 Comentários

  1. eu vi esse filme so pq eu tinha que apresentar um filme e entao eu vi em todos os site esse filme e gostei ne e pra poder aprender coisas novas e e muito bom mais e um pouco asustador mentiraaa . HaHaHaHA

    • me chama la Facebook Andrielly Santos eu postei o video la ta quem tiver enterese ve laa

  2. Welliton fernando

    Muito boa a crítica, realmente o filme deixa a desejar, foi literalmente um sonífero pra mim. Inclusive, levei uma amiga comigo ao cinema ( ela morre de medo de filmes de terror ) ela saiu rindo da sessão , falando que era melhor ter ido ver o filme do pelé !!! hahahahahha, e tenho que concordar com ela, foi um dos piores filmes que eu já assisti, jesus amado.

  3. Malenna

    To visitando o site pela primeira vez. Ainda não assisti o filme, mas depois de ter lido a critica já fiquei meio decepcionada rs. Queria apenas deixar uma sugestão: mudem a fonte da letra do site, se possivel. Essa fonte e nesse tamanho dificulta a leitura. Thanks

  4. Rudá Frias

    Depois de ler essa crítica aqui, fui ver o filme sem nenhuma expectativa, achando que seria um desastre enorme e acabei me surpreendendo. Gostei do filme, gostei das explicações e amarrações de pontas soltas de outros filmes que não ficaram nada mirabolantes, mas plausíveis. Curti muito a atmosfera que o filme tem e a busca dos protagonistas pelos restos da Samara e, principalmente, por ter sido inspirado no livro Spiral.

  5. sabia que este filme seria ruim espero que isto não aconteça com olhos famintos 3, pois espero por muito tempo .

  6. Marcelo N. Reis

    rapaz… vi na pré estreia o filme. é FRACO! ruim mesmo! pior do que vcs falaram. e eu sou um fan de O Chamado (The Ring). nome que esse filme nem tem, na verdade é Rings.

  7. Jean Carlos

    Eu não vi, mas por tudo o que li sobre esse filme até agora me parece que ele é mais uma tentativa de espremer uma franquia, como se ela fosse um pano molhado, para recolher os lucros. Fazem isso a anos e agora que Atividade Paranormal já tem continuações a dar e vender eles precisam de um novo gerador de dinheiro. Isso é uma pena pois o primeiro filme sozinho já era muito bom.

  8. Tiago Ricardo Charão

    Eu espero que o novo Jogos Mortais não siga por este caminho. Pelo amor de DEUS! Eles tiveram tempo suficiente para desenvolver um enredo e armadilhas tão interessantes quanto as do primeiro filme!

  9. joao henrique da silveira monteiro

    Decepcionado com o filme. Candidato a pior filme do ano

  10. Isak

    Que merda, esperava por pelo menos um filme “ok”.

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