Críticas

The Emeryville Experiments (2016)

Insanamente ruim, pedindo uma trepanação para que você consiga esquecer tudo o que viu!

The Emeryville Experiments
Original:The Emeryville Experiments
Ano:2016•País:EUA
Direção:Pritesh Chheda
Roteiro:Pritesh Chheda
Produção:Pritesh Chheda
Elenco:Rebecca Chulew, Deborah Abbott, Don Daro, Tess Cline, Brett Brock, Eric Reinholt, Mark Reininga, D.J. Morrison

Parece loucura – e a expressão é a mais adequada -, mas ainda há que acredite que um filme possa se sustentar em apenas uma premissa interessante. É aquela informação que geralmente cativava o espectador na contracapa do VHS, atrás de algumas frases chamativas e um desenho criativo, com a expressão de medo do elenco. Contudo, essas produções ainda tinham como desculpa pelo resultado desastroso a época de sua realização, diferente de hoje em dia, com recursos suficientes para fazer uma boa edição em casa. The Emeryville Experiments ou apenas Emeryville possuía uma base até curiosa, mas não foi capaz de render uma boa história, nem sequer prender a atenção do público.

Olheiras e cara de mau para convencer que somos loucas…

Ora, trata-se de um grupo de jovens em uma cidade que parou no tempo, habitada por loucos que serviram de experiência em um hospital psiquiátrico. Imagine quantas possibilidades poderiam surgir daí, com cenas claustrofóbicas e até alguma crítica social, algo visto em 2001 Maníacos, por exemplo. Nem precisava de muito esforço, bastando apenas desenvolver personagens cativantes e colocá-los no ambiente hostil, através de sequências de tortura ou com poucas chances de fuga. Seria assustador imaginá-los nesse inferno sádico e violento, repleto de momentos tensos e arrepiantes.

Após os créditos iniciais, com aquele velho clichê de imagens que representam os experimentos aos quais os cidadãos de Emeryville foram submetidos, além da expressão “Eles estão se transformando em animais e querem que eu me torne um deles“, o longa acompanha o passeio de quatro jovens acéfalos numa região distante de seus domínios. O condutor Justin (Nardeep Khurmi), ao lado da namorada e seu GPS, Christie (Tess Cline), e também Reagan (Shayla Bagir) e Cole (Jacob Bitzer). Distraído com um mapa, uma vez que o GPS parece não indicar o ponto de chegada, Justin acaba acidentalmente (numa cena extremamente mal realizada) atropelando o caronista Ethan (Mark Reininga). Se o acidente é péssimo, a atuação do elenco à consequência chega a ser hilária de tão inacreditável, não convencendo nem mesmo o desmaio da vítima por algo tão bobo.

Com o veículo inutilizado, eles ficam um bom tempo discutindo como agir, até que Ethan indica uma placa com os dizeres Emeryville. Apenas Justin não se convence de ir ao local, preferindo ficar sozinho no carro (!!), ignorando o fato de sua namorada ter ido na companhia de um estranho. Ao chegar ao vilarejo, com aspecto de cidade western, eles buscam um telefone, mas encontram apenas uma garota que acabara de cortar os pulsos. Sem se impressionar com o ocorrido, atendem à sugestão do Prefeito Smith (Brett Brock) de passarem uma noite lá até aguardar o mecânico no dia seguinte. Alerta de clichês e perigo por todos os lados!

Eles topam sem muita relutância, e Ethan vai buscar Justin. Aqui cabe um comentário: a pessoa que vai avisar ao amigo que a cidade não apresenta perigo é exatamente o estranho que foi atropelado na região. Caramba! Ninguém pensou um segundo sequer que o rosto novo poderia não transmitir confiança ao amigo? E o fato de Justin ficar no carro simplesmente não acrescentou nada ao filme, pois ele logo na cena seguinte está com os demais, jantando na casa do prefeito!

E as bobagens continuam. À noite, Christie ouve um barulho estranho. Tenta acordar o namorado em vão. O cara está absolutamente apagado. Ela decide investigar o som e chega até a igreja onde ouve o prefeito, o morador Trevor (Don Daro) e o doutor Kowolski (Eric Reinholt) conversando sobre não deixá-los ir embora – uma das regras da cidade -, e matar aqueles que não servem para nada, deixando apenas Reagan, pelo conhecimento em medicina. Chris tenta voltar para o aposento dos amigos, mas as portas e janelas estão fechadas. Grita durante um bom tempo e ninguém acorda! Que sono é esse?? Na manhã seguinte, ela retorna surrada e andando como um zumbi dizendo que ninguém irá embora. Eles percebem no ato que ela “não é mais a mesma” e decidem abandoná-la ali. Simples assim.

Ethan se oferece para buscar um veículo, já que seu conhecimento de soldado permite rastrear o solo. Os três, então, se escondem atrás de um tronco (!!!) e ficam uns dez minutos ali, entre cenas de romance, ideias vazias e mais nada, apenas para enrolar o filme. É impossível você não sentir tentado a usar o controle remoto. Até que Cole finalmente tem uma ideia genial, envolvendo o barbeiro da vila (David Sturgeon), que, por mais insano que pareça, preso ao tempo, fez a barba dele e parece facilmente manipulável.

Enfim, The Emeryville Experiments é insanamente ruim. Não traz nada que justifique uma conferida, nem como um exercício de lobotomia. Foi pessimamente dirigido e roteirizado por um tal de Pritesh Chheda, que só havia feito outra bomba antes desta, For Sale by Owner, dez anos antes. Sabe-se lá porque resolveram investir em mais um projeto dele, com tantas ideias e talentos escondidos por aí.

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