Críticas

1974: A Possessão de Altair (2017)

A Possessão de Altair é uma grata surpresa, valendo o ingresso e uma bela discussão pós filme.

1974: A Possessão de Altair
Original:La posesión de Altair
Ano:2017•País:México
Direção:Victor Dryere
Roteiro:Victor Dryere
Produção:Nemesis, Plataforma A&C, Conarte e Morbido Films
Elenco:Diana Bovio, Rolando Breme, Guillermo Callahan e Blanca Alarcón

Preciso confessar: eu não sou o que se pode chamar de uma fã de found footages, mas não é pelo fato deles terem se proliferado tão rapidamente nos últimos anos, é porque, pra mim, normalmente falta mistério, falta surpresa e tramas que saibam realmente envolver. O formato dos filmes, com a câmera balançando, gritaria e toda aquela fórmula de sempre, me entedia. No entanto, toda regra tem sua exceção, e eu encontrei uma nos últimos dias.

1974: A Possessão de Altair é aquela película que muitos provavelmente vão pensar terem decifrado em seus primeiros instantes, mas, no decorrer de seus 82 minutos, vão ser surpreendidas por uma trama bem construída e com momentos realmente sufocantes. Um dos pontos altos da história, se deve ao fato de ter sido todo filmando em 8 mm.

O diretor e roteirista Victor Dryere abriu mão das novas tecnologias em busca de veracidade, e as imagens são realmente impressionantes, é como se pudéssemos adentrar a década de 70, com todas aquelas roupas coloridas, bigodes e cabelões cheios de estilo. O filme, que demorou 4 anos para ser finalizado, entrega verdade atrás de cada granulação ou falha em seu som, e nele acompanhamos a história do casal Manuel (Rolando Breme) e Altair (Diana Bovio).

Altair é uma jovem professora, e Manuel é o marido curioso que busca filmar vários momentos de intimidade dos dois. Aos poucos, alguns incidentes vão alterando a pacata vida deles. Uma chuva de pássaros negros, o sumiço do filhotinho de cachorro, e o comportamento de Altair, que insiste dizer estar vendo anjos durante seus sonhos. De uma meiga e doce mulher, Altair se torna calada, estranha e deixa Manuel atônito, sem saber o que fazer.

Diante das atitudes cada vez mais fora do comum de sua esposa, Manuel pede ajuda ao amigo Callahan (Guillermo Callahan), para que ele fique em sua casa, documentando em vídeo tudo que acontece 24 horas por dia. Manuel também pede ajuda a cunhada Tere (Blanca Alarcón), e aos poucos descobre coisas do passado de Altair que podem estar ligadas aos últimos acontecimentos.

O filme tem um clima de tensão crescente, graças ao bom trabalho de direção e por atores convincentes em seus papéis, passando toda sua fobia e pavor ao espectador. Acredito que assim que descoberto pelo mercado americano, a trama tenha grandes chances de ganhar sua versão hollywoodiana. Para os fãs de found footage, é um prato cheio e uma grata surpresa. Vale o ingresso e uma bela discussão pós filme.

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1 Comentário

  1. Não conhecia, vou buscar ;D

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