Críticas

A Cruz do Diabo (1975)

Lendas sobre templários que voltam das tumbas para vingança, em mais um filme espanhol de horror dos saudosos anos 70

A Cruz do Diabo
Original:La Cruz del Diablo / Cross of the Devil
Ano:1975•País:Espanha
Direção:John Gilling
Roteiro:John Gilling, Jacinto Molina (Paul Naschy), Juan José Porto, Félix Martialay (não creditado), Gustavo Adolfo Bécquer
Produção:Enrique Herreros
Elenco:Carmen Sevilla, Adolfo Marsillach, Emma Cohen, Ramiro Oliveros, Eduardo Fajardo, Monica Randall, Tony Isbert, Fernando Sancho

Lançado em VHS no Brasil pela “Omni Vídeo”, A Cruz do Diabo (La Cruz del Diablo, 1975) é mais uma pérola do cinema bagaceiro espanhol da década de 70 do século passado. Foi dirigido pelo inglês John Gilling (1912-1984), o último filme de sua carreira significativa para o gênero, que inclui várias outras preciosidades, como algumas produções da “Hammer”, A Sombra do Gato (1961), A Serpente (1966), Epidemia de Zumbis (1966) e A Mortalha da Múmia (também conhecido por aqui como O Sarcófago Maldito, 1967), além de O Monstro do Raio Gama (1956) e A Carne e o Diabo (ou O Monstro da Morgue Sinistra, 1960), este com Peter Cushing e Donad Pleasence. Aliás, conforme informado no site “IMDB” (Internet Movie Database), curiosamente John Gilling não tinha a intenção de dirigir A Cruz do Diabo, e quando estava de férias na Espanha foi convencido a assumir o projeto num convite do também cineasta Paul Naschy, um dos grandes nomes do gênero e com vasta filmografia e contribuição para a história do cinema de horror.

Um escritor e jornalista, Alfred Dawson (Ramiro Oliveros), vive na Inglaterra com sua namorada Maria (Carmen Sevilla). Fumante inveterado, viciado em ópio, ele tem pesadelos e alucinações constantes onde vê uma mulher sendo torturada por antigos templários da Idade Média. Ele viaja para Madri, Espanha, depois de receber uma carta de sua irmã Justine Carrillo (Monica Randall), que vive naquele país, casada com o Sr. Enrique (Eduardo Fajardo), um homem rico e bem mais velho que ela, pedindo a visita urgente do irmão por estar se sentindo ameaçada após o aborto do filho. Lá chegando, recepcionado pelo misterioso e suspeito Cesar del Rio (Adolfo Marsillach), secretário do Sr. Enrique, o escritor encontra a irmã morta e é informado que foi assassinada por um ladrão comum.

Porém, Alfred desconfia dos fatos e sente uma estranha atmosfera sobrenatural envolvendo a morte da irmã, decidindo investigar um lugar que abriga a “Cruz do Diabo” (do título do filme), localizado no “Monte das Almas”, onde ainda existem ruínas de um mosteiro que foi utilizado pelos templários. Segundo uma lenda a tal cruz foi forjada com o ferro da armadura do próprio diabo. Um território sinistro, temido por todos, e envolto em superstições que diziam que os cavaleiros medievais saíam de seus túmulos para praticar rituais de magia negra no “Dia de Todos os Santos”, numa vingança sangrenta contra quem invadisse seus domínios.

Os templários, membros de uma ordem militar da Idade Média. A missão da ordem era proteger os peregrinos que iam para a Terra Santa. Com o tempo, acumularam riquezas e poder, um poder maligno. Renunciaram ao catolicismo e se dedicaram aos rituais sombrios. Adoravam um ídolo chamado Baphomet. Espalharam-se pela Europa inteira e pela Espanha em particular. Porém, em 1312 a Ordem foi aniquilada.– trecho de um livro sobre a história sangrenta dos templários.

Temos que agradecer o multifuncional espanhol Paul Naschy (também conhecido como Jacinto Molina) por ter convencido John Gilling a dirigir A Cruz do Diabo, tornando-se o último registro de sua carreira. Não que seja uma obra prima, pois é apenas mais um filme com elementos góticos que tem seu pequeno lugar na história do cinema de horror. Mas, porque foi uma oportunidade de Gilling encerrar suas atividades com um filme trazendo aquelas tradicionais características de horror sobrenatural onde não faltam ruínas macabras, uma floresta sombria envolta em neblina, carruagens como meios de transporte, candelabros e tochas para iluminação, mortos que deixam suas sepulturas para aterrorizar os vivos, e cenas de pesadelos perturbadores.

É verdade que temos alguns momentos com uma narrativa lenta que contribui para afastar o espectador da história. Mas, o desfecho com a dúvida sobre as ações do protagonista Alfred na busca pela verdade sobre o assassinato misterioso da irmã, numa confusão entre a realidade e as alucinações causadas pelo consumo de ópio, e os elementos góticos com a exploração do sempre macabro tema dos antigos cavaleiros templários em sua vingança sangrenta, desperta aquele esperado interesse nos apreciadores do estilo.

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