Críticas

O Exorcismo de Anna Ecklund (2016)

É a prova de que o demônio anda mal das pernas na escolha de suas ocupações!

O Exorcismo de Anna Ecklund
Original:The Exorcism of Anna Ecklund
Ano:2016•País:UK
Direção:Andrew Jones
Roteiro:Andrew Jones
Produção:Emily Coupland, Andrew Jones
Elenco:Lee Bane, Tiffany Ceri, Jeff Raggett, Judith Haley, Rik Grayson, Claire Carreno, Sarah Tempest

Nem é preciso evocar entidades demoníacas para saber se vale a pena ou não assistir a um filme, quando o título já começa com o tradicional “O Exorcismo de…“. Você já terá informações suficientes sobre, pelo menos, 75% do que será visto, restando apenas a esperança de que algo extraordinário vá acontecer no ato final para justificar a sua realização. Não foi o que aconteceu com o de Molly Hartley, nem muito menos o da Emily Rose, para falar a verdade. No caso de Anna Ecklund, há apenas duas novidades no subgênero possessão, ainda que não necessitem de sua testemunha: 1. é um caso atípico de uma repossuída; 2. os poderes divinos da garota.

Na adolescência, Anna (Tiffany Ceri) foi vítima de uma possessão. Mas, livrou-se do demônio com a ajuda dos padres que realizaram um exorcismo tradicional. Agora, casada, seu marido Jacob (Rik Grayson) está clamando por ajuda, quando notou que aquele contorcionismo no ato sexual estava um pouco exagerado. O filme já começa com a garota fazendo caretas e golpeando a cama, com o olhar para a câmera, enquanto o espectador fica sabendo que ela está em companhia de padres e freiras em um mosteiro. Para auxiliá-la em mais esse tormento, o padre Richard Lamont (Lee Bane) é convocado no Vaticano (lê-se uma imagem de arquivo da cidade e uma cena interna em estúdio) para estudar as possibilidades, mas ele não se considera ideal para o trabalho. Está sem fé. Não em Deus ou na Igreja, mas em si mesmo.

Assim, cria-se o velho drama da falta de confiança, com o padre buscando no passado de Anna explicações para essa nova possessão. Descobre, então, que uma amiga de infância (a péssima atriz Melissa Bayern) notou algo de estranho nela antes da possessão: ela havia feito um coelho parar de tremer (oi?) e curado uma doença da mãe, apenas com o toque. Richard começa a desconfiar que tem em mãos uma versão de saia de Jesus Cristo e os demônios querem fazer uso desse poder para si, o que justifica o interesse em seu corpo. No ato final, todos os eclesiásticos são tomados por demônios, obrigando uma ação necessária de Anna, como se ela fosse uma personagem fugida de Outcast.

Direção sonolenta a cargo de Andrew Jones, que mantém o mesmo elenco em todos os seus trabalhos irregulares. Lee Bane, Tiffany Ceri e Judith Haley, por exemplo, foram vistos em outros filmes como os da versão genérica de Annabelle com o boneco Robert. Apesar do esforço da equipe, o enredo e a realização não permitem o interesse do público pelo terror proposto, principalmente quando faz uso de boa parte dos clichês do estilo. Para exemplificar, em O Exorcismo de Anna Ecklund há a língua desconhecida do possuído, a escrita na pele, os escarros e o conhecimento de segredos obscuros. Pele queimada pela cruz, ofensas sexuais e o mau estar dos envolvidos completam a velha cartilha, mostrando que o demônio anda mal das pernas na escolha de suas vítimas e filmes baseados em suas ocupações.

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1 Comentário

  1. Marcos

    Só uma (duas) observação sobre os supostos diferencias desse filme:

    1- Repossessão do meu ponto de vista é um clichezão no genero, tão batido e usado, quando os contorcionismos, e o gosto do cramulhão gringo por caucacianas (Abby foi uma exceção dos saudosos anos 70), tanto que a PROPRIA Regan que deu origem a todas essas outras foi repossuida pelo Pazuzu em exorcista 2.

    2- Poderes divinos na mulher engramulhada, realmente é algo meio atipico, mas o filme “Exorcistas do Vaticano” usou essa ideia de forma bem mais intensa que esse filme.

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