Críticas

Man Vs. (2015)

É exatamente a vontade de se esquivar dos found footages que o condenou ao esquecimento

Man Vs.
Original:Man Vs.
Ano:2015•País:Canadá
Direção:Adam Massey
Roteiro:Adam Massey, Thomas Michael
Produção:Adam Massey, Nicholas Tabarrok
Elenco:Chris Diamantopoulos, Chloe Bradt, Michael Cram, Sam Kalilieh, Alex Karzis, Drew Nelson

O uso exaustivo do recurso da câmera amadora ou espalhada em cômodos nos found footages já tornou esse subgênero extremamente desgastante, tanto que, às vezes, a sinopse passa a ser uma importante ferramenta para afastar curiosos. Se ela vem já expondo clichês, “uma equipe de filmagem resolve investigar…” ou “a gravação de um documentário sobre uma lenda..“, você já sabe o que irá ver nos 70 minutos que terá pela frente: enrolação até o final, quando tudo será acelerado para a conclusão pessimista, justificando o material de gravação encontrado. No caso de Man Vs, de Adam Massey, a surpresa vem exatamente do fato dele não ser um found footage, mas bem que poderia ser; ao término, você fica com a sensação de que perderam uma grande chance de fazer algo melhor, com um orçamento discreto.

Doug Woods (Chris Diamantopoulos) é o apresentador e único membro a aparecer no reality showWoods Vs“, que tem como finalidade colocá-lo em uma região inóspita, sem companhia, apenas com uma mochila nas costas contendo itens que terão que ser usados para sua sobrevivência durante cinco dias. Com algumas câmeras, ele faz gravações constantes onde ensina o público maneiras simples e criativas para as funções necessárias em uma estadia na selva, como montar barraca, acender uma fogueira e até caçar e preparar a refeição com a caça.

Na terceira temporada, já pensando em encerrar o projeto para se dedicar à família, Doug é deixado numa floresta canadense, com a proposta de trazer entretenimento para os telespectadores, uma vez que ele não tenha conseguido no ano anterior para preocupação do produtor. Ele deve evitar piadas idiotas, mas ao mesmo tempo ter algo interessante para mostrar. O primeiro dia decorre tranquilamente, com as dicas do protagonista para o público, o passeio pela mata e as armadilhas que são preparadas para caçar coelhos. Durante a noite, ele é acordado por um barulho estranho, e sente a terra tremendo como se fosse algum um terremoto. A partir daí, algo começa a acompanhar sua aventura, observando-o de longe e fazendo pequenas visitas inesperadas.

A criatura alienígena aprende com seus ensinamentos diários, enquanto promove alguns desafios como numa partida de xadrez (não, não é uma metáfora). É exatamente essa interação, quase como uma versão moderna de Inimigo Meu (1985), que traz os principais problemas da produção. Além de não se justificar com o que acontece no final, perde muito de sua força quando se humaniza o vilão, fazendo o espectador realmente acreditar que pode se tratar de uma brincadeira de sua equipe. A expectativa sobre o que pode estar acompanhando-o conclui-se de maneira decepcionante com os péssimos efeitos de CGI, a cruz do longa do diretor de A Casa do Medo (2015).

É bem provável que o filme teria uma força narrativa mais eficaz se tivesse feito a opção do recurso found footage e o terror sugestivo. Foi exatamente essa vontade de se afastar desse subgênero que o afastou de sua condição reality e o condenou ao esquecimento, como o que acontece com os participantes desses programas de sobrevivência na selva.

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