Críticas, Quadrinhos

Os Livros da Magia – Edição de Luxo (2013)

Uma viagem pelo universo mágico da DC Comics com Neil Gaiman como guia.

Os Livros da Magia
Original:Books of Magic
Ano:2013•País:EUA
Páginas:212• Autor:Neil Gaiman•Editora: Panini Comics

No começo da década de 90, Neil Gaiman (Orquídea Negra) havia se tornado um astro. O autor, responsável pela fantástica série em quadrinhos Sandman fora agraciado inclusive com um prêmio literário por sua parceria com o artista Charles Vess (Stardust: O Místério da Estrela) na décima nona edição de Sandman em “Sonho de Uma Noite de Verão”, onde a dupla revisitava o universo de Shakespeare. Um feito inédito que fizera até com que as regras para o World Fantasy Award mudassem nos anos seguintes. A comunidade literária não vira com bons olhos uma HQ receber tão cobiçado prêmio.

A proposta inicial da DC Comics era um livro em prosa escrito por J.M. DeMatteis (A Última Caçada de Kraven) e com ilustrações de diversos artistas como Dave McKean (Batman: Asilo Arkham), Kenth Willians (Blood: Uma História de Sangue), entre outros. A equipe original acabou se desligando do projeto aos poucos e a DC então contactou Neil Gaiman, no auge de sua carreira, para escrever uma minissérie envolvendo todos os personagens místicos da editora.

Gaiman então faria o que faz de melhor, e revisitando sua infância como um garoto nerd que vivia na biblioteca da escola cercado de livros infantis sobre magia e cavaleiros, criaria Os Livros da Magia.

Estrelada por Tim Hunter, um garoto de doze anos que descobre ter o potencial para ser o maior mago de todos os tempos e uma infinidade de outros personagens sobrenaturais da DC Comics, a história acompanha o personagem em sua jornada para entender seu potencial e direcioná-lo para o bem através do tempo e do espaço, visitando mundos mágicos, a origem e o fim do universo e até o inferno. A cada capítulo conhecemos um aspecto diferente do universo místico da DC, cada um com um guia diferente, a Brigada dos Encapotados, formada por Vingador Fantasma, John Constantine, Dr. Oculto e Mr. Io.

Para acompanhar o texto brilhante de Gaiman, o autor convidou quatro dos maiores artistas em atividade nos quadrinhos naquela época: John Bolton (Hellraiser), Scott Hampton (Sandman Apresenta: Lúcifer), Charles Vess e Paul Johnson (Os Invisíveis). Contando com um artista diferente por capítulo, cada desenhista se encaixa perfeitamente no universo mostrado em sua respectiva edição.

John Bolton fica encarregado pela viagem ao passado, ilustrando a primeira edição como antigas gravuras medievais encontradas em tomos ancestrais, Scott Hampton se encarrega da segunda edição com os tempos atuais e sua arte mostra muito bem a magia escondida na paisagem urbana de Londres e Nova Iorque. A terceira, e melhor, edição traz Charless Vess revisitando o universo de fadas da DC Comics, com o qual já havia trabalhado junto de Gaiman na famosa edição de número 19 de Sandman. Para nos levar ao futuro caótico da magia, e à mente perturbada de Mr. Io, temos Paul Johnson e sua arte nervosa.

Para aqueles leitores mais velhos que reclamam das semelhanças entre Tim Hunter e Harry Potter, vale a pena lembrar que Gaiman, assim como J.K. Howling, criou o personagem com base em arquétipos clássicos. A fragilidade mundana de um herói que se descobre envolvido em um plano maior, além de sua imaginação. Como um Rei Arthur removendo a espada da pedra, Tim tem seu ioiô (um brinquedo simples, símbolo de sua infância comum) transformado em uma coruja através da magia – que representa a sabedoria e que inclusive já aparecia nas lendas arturianas como mascote de Merlin.

Sendo assim, os óculos, o cabelo desarrumado, as roupas simples e largadas são usadas para fixar o personagem no mundo “real”, ampliando a identificação com o leitor, para depois leva-lo além. Neste caso os dois autores se utilizam das mesmas referências clássicas. A única pena nisso é que a Warner engavetou o projeto de levar Os Livros da Magia para o cinema quando adquiriu os direitos de Harry Potter.

Tim Hunter estrelou dois títulos próprios depois desta minissérie além de ganhar alguns livros e mais recentemente apareceu no título da Liga da Justiça Dark.

O encadernado trás além das capas originais, uma introdução de George Zelazhny (O Senhor da Luz), alguns extras como esboços, conceitos e storyboards, além das já manjadas biografias dos autores. O único bola-fora fica por conta da carta-proposta de Gaiman, que não foi traduzida e foi condensada para caber em apenas uma página, uma pena para o leitor que não é familiarizado com a língua inglesa. Um pequeno detalhe que não faz tanta diferença diante da qualidade do material gráfico e “quadrinístico” que já passou da hora da Panini republicar por aqui, uma vez que o título já se encontra fora de catálogo há algum tempo.

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