Críticas

Um Maníaco Invisível (1990)

Perfeito para quem gosta de cinema trash, Um Maníaco Invisível é um filme para ver com a galera reunida!

Um Maníaco Invisível
Original:The Invisible Maniac
Ano:1990•País:EUA
Direção:Adam Rifkin
Roteiro:Adam Rifkin, Tony Markes, tt Devlen
Produção:Tony Marke
Elenco:Noel Peters, Savannah, Stephanie Blake, Melissa Moore, Clement von Franckenstein, Claudette Rains, Jason Logan, Robert R. Ross Jr., Rod Sweitzer, Eric Champnella, Kalei Shallabarger, Gail Lyon, Debra Lamb, Marilyn Adams, Dana Bentley, Matt Devlen, Anthony Markwell

Quando alguém toca naquele velho clichê de “magia do cinema“, a primeira coisa que me vem à cabeça não são os blockbuster bilionários tipo A Guerra dos Mundos, de Spielberg, ou a série Homem-Aranha, de Sam Raimi, mas sim tralhas como este Um Maníaco Invisível, filme classe Z de 1990, dirigido por um tal de “Rif Coogan“, na verdade o jovem cineasta Adam Rifkin escondido atrás de pseudônimo. E o que Um Maníaco Invisível tem de tão “mágico“? Ora, imagine você que, por 1h20min, sem torrar bilhões em efeitos especiais e sem um único take feito por computação gráfica, o filme de Coogan/Rifkin tenta (e algumas vezes até consegue) fazer o espectador acreditar que existe um homem invisível em cena – quando, obviamente, não há nada lá além de um cenário vazio e a voz dublada do ator que “interpreta” o invisível! Isso, caros amigos, é cinema. Fazer um homem invisível por computação gráfica pode até ser bonito e moderno, mas não tão criativo e desafiador quanto não ter absolutamente NADA em cena!!!

A façanha de Coogan/Rifkin é ainda mais incrível se você comparar Um Maníaco Invisível com O Homem Sem Sombra, aquele filme de homem invisível dirigido por Paul Verhoeven ao custo de 95 milhões de dólares (orçamento que certamente permitiria filmar uns 95 Maníacos Invisíveis!!!). Enquanto no blockbuster os atores estão claramente contracenando com um “homem invisível digital“, e é possível ver as marcas das mãos invisíveis na roupa e na pele das vítimas, e água e vapor dando contornos ao homem invisível, em Um Maníaco Invisível o espectador só enxerga os atores manés contracenando com eles mesmos, “fingindo” que há um outro alguém que não pode ser visto ali com eles. E são estas “interpretações“, no limite do ridículo (e da pagação de mico), que rendem as risadas involuntárias desta tralha.

Quer uma amostra da qualidade dos efeitos e interpretações? Bem, ali embaixo você vê a foto de um cara brigando com o homem invisível:

E esta mostra uma garota sendo estrangulada pelo homem invisível:

Finalmente, aqui temos o herói do filme agarrando o homem invisível, que supostamente está sobre ele:

Em todas estas cenas, NADA dá ao espectador qualquer sinal de que era para existir um homem invisível em cena. Não há nenhum efeito especial do tipo marcas de mãos nas roupas das pessoas “visíveis“. Elementos como água, sangue e a própria sujeira do chão NÃO moldam a forma do homem invisível. E nenhum dos personagens têm ideias geniais, como usar um extintor de incêndio para tentar localizar o psicopata escondido. Tudo o que você vê são atores manés fingindo que estão sendo agarrados, esganados e surrados por um homem invisível inexistente, do qual só se escuta a voz. Fale a verdade: é genial ou não é? Com uma câmera amadora e meia dúzia de amigos, você pode até fazer isso em casa!!!

Até mesmo as cenas que mostram o sujeito “desaparecendo” são o cúmulo do improviso: o diretor simplesmente usa a técnica “desliga a câmera – tira o ator do enquadramento – liga a câmera de novo“, toda santa vez que o homem fica “invisível“. Por isso, quando você lembra do Kevin Bacon desaparecendo “em camadas” graças aos fantásticos efeitos de O Homem Sem Sombra, é inevitável a sensação de decepção, embora ao mesmo tempo você fique impressionado pelo fato de Rifkin e sua turma terem feito um filme de horror com o mesmo argumento da obra de Verhoeven SEM qualquer efeito especial por computador! É isso mesmo: cada um à sua maneira e com os recursos que tinham às mãos, Verhoeven e Rifkin filmaram a mesma coisa – um homem desaparecendo. hahahahaha.

Para não ser totalmente injusto, Um Maníaco Invisível tem uma única cena com “efeitos especiais“, quando o homem invisível coloca sua mão invisível dentro de um aquário e a água “molda” a dita cuja. No caso, os responsáveis pelos efeitos simplesmente mergulharam uma mão transparente, de vidro ou de plástico, dentro do aquário. Ficou assim, ó:

Enfim, Rifkin e sua turma sabiam que o filme não se sustentaria apenas com seus efeitos especiais improvisados ou com as cenas de morte bagaceiras. A trama jacu sobre um psicopata invisível que ataca num colégio (!!!) também não tinha tanto charme para transformar a película num sucesso popular. A solução foi apelar: como não tinham nada de muito extraordinário para oferecer em matéria de efeitos especiais ou interpretações, os produtores encheram os 86 minutos de projeção com mulher pelada. Provavelmente, este deve ser um dos filmes não-eróticos com maior quantidade de nudez gratuita que eu já vi em toda a minha vida: não há um intervalo de cinco minutos sem que uma das (gostosíssimas) garotas mostre os peitos ou a bunda. Claro que ajuda bastante o fato do vilão ser um maníaco sexual, que ataca TODAS as suas vítimas do sexo feminino arrancando antes a blusa das pobres moças, e deixando os seios à mostra! É tanta mulher pelada que, lá pelas tantas, o espectador quase enjoa de ver peitos e bundas – se é que tal coisa é possível!!!

Um Maníaco Invisível tem tanta sacanagem que a nudez já começa nos créditos iniciais: os nomes dos atores são intercalados com takes de uma loira exuberante (a maravilhosa Tracy Walker) fazendo um striptease total para a câmera – e qualquer filme com nudez gratuita desde os primeiros segundos já é pelo menos digno de atenção. O jovem Kevin Dornwinkle (Kris Russell) está em seu quarto, espionando a vizinha que tira a roupa na casa ao lado, através da lente de um telescópio. Como o garoto está vestido com uma gravatinha borboleta e usa óculos enormes estilo “fundo de garrafa“, de cara você já percebe que ele é um nerd daqueles mais ridículos – e a suspeita se confirma quando os créditos iniciais terminam e entra no quarto a pavorosa mãe de Kevin (Marilyn Adams), que lembra, em fúria e feiúra, a mãe dominadora de Lionel em Fome Animal, de Peter Jackson.

Mamãe imediatamente percebe que seu garotinho puro e inocente está fazendo algo de errado – ou “sujo“, nesse caso. E, quando põe o olho no telescópio e enxerga a vizinha peladona, sai dando bordoada na criança, enquanto grita: “Seu pervertido sujo! Você devia estar aqui estudando! Como você espera se tornar um cientista se é assim que passa seu tempo?“. Finalmente, começando a formar o posterior trauma do personagem em relação ao sexo feminino, a furiosa mamãe diz que vai murar a janela do quarto de Kevin. “Mulheres são demoníacas“, brada a velha, “não quero ver você olhando para elas, falando com elas ou tocando nelas!!!“. Pronto: nasce mais um psicopata com trauma relacionado ao sexo! hahahaha.

Uma legenda anuncia: “20 anos depois“. E encontramos Kevin Dornwinkle já adulto, e realmente transformado em cientista – afinal, sem poder olhar, falar ou tocar em garotas, só restou ao sujeito estudar física e química mesmo! Ele agora é interpretado por Noel Peters, no primeiro dos dois filmes de sua “longa carreira“. Como logo descobrimos, o dr. Dornwinkle tem especialização na área de “reorganização das moléculas“, seja lá o que isso quer dizer, e suas experiências estão relacionadas à invisibilidade – talvez para espiar mulheres peladas, já que na infância ele foi privado disso. O cientista está participando do “Simpósio Internacional de Física“, que, graças à pobreza da produção, resume-se a meia dúzia de manés, supostamente os mais geniais cientistas do mundo, sentados ao redor de uma mesa. Detalhe: todos vestem jalecos brancos, porque esta é a forma encontrada pelo diretor para convencer o espectador de que aqueles figurantes são cientistas!!! hahahahaha.

Quando Dornwinkle anuncia que criou um soro da invisibilidade, todos acham que é loucura. Mas o sujeito está tão confiante que resolve demonstrar a fórmula nele mesmo, ao invés de testar em animais antes. Enquanto se injeta o soro, ainda diz: “Vejam só que milagre da medicina moderna!“. E, diante do olhar estupefato dos outros cientistas, ele começa a passar mal… Mas não desaparece! “Eu ainda posso ver você“, diz um dos cientistas, em tom de deboche, e logo todos começam a rir da cara do sujeito, disparando frases como “Você é o homem mais estúpido da face da Terra!“. Um péssimo negócio quando o homem em questão é um maníaco sexual… Como consequência, Dornwinkle perde seu último parafuso e fica completamente louco, atacando os outros participantes do “Simpósio“. E, já que não tem seguranças no local, consegue matar quatro usando apenas as próprias mãos!

Rifkin filma então uma bisonha cena onde a repórter de um telejornal (simplesmente a atriz Dana Bentley em frente a um mapa múndi, lendo notícias escritas em uma folha!) anuncia a prisão do cientista pelas quatro mortes. Dornwinkle é colocado em uma Instituição para Criminosos Mentalmente Insanos (e é EXATAMENTE isso que diz a placa do lugar!!! hahahaha). Mas não ficará preso por muito tempo: seis meses depois, o vilão consegue escapar. E, graças às já conhecidas limitações orçamentárias, não espere ver nenhuma cena da fuga, e sim o ator simplesmente correndo pelo meio do mato de camisolão, enquanto ao fundo se escuta sons de latidos de cães – e aí o espectador precisa “imaginar” que o prisioneiro fugiu e está sendo perseguido por policiais com cachorros treinados!!! hahahaha. Finalmente, num daqueles velhos e engraçados efeitos em que um jornal vem girando em direção à câmera, a manchete anuncia: “Dornwinkle escapa“. Que medo!

Duas semanas depois, finalmente a história principal começa. Numa típica escola secundária americana, o professor de física é encontrado morto, engasgado com um sanduíche de bife de churrasco (!!!). Os alunos, claro, não estão muito tristes com o fato. E quando digo alunos, você tem que imaginar um grupo de 8 ou 9 jovens, já velhos demais para interpretar estudantes adolescentes, andando de lá para cá num cenário pobre que mal lembra uma escola. Aliás, a produção é tão paupérrima que não existem FIGURANTES: os únicos alunos que você vai ver na escola toda, o filme inteiro, são estes 8 ou 9 manés!!! hahahahahaha. É mole ou quer mais?

A diretora da escola, sra. Cello (Stella Blalack, pseudônimo de Stephanie Blake), entra na sala apresentando o novo professor de física, um tal de “Kevin Smith” (!!!), que não é outro além de nosso conhecido psicopata, o dr. Dornwinkle. Aí você começa a pensar: como é que o sujeito escapa de uma Instituição para Criminosos Mentalmente Insanos, aparece até como manchete no jornal e, na cena seguinte, consegue emprego como professor numa escola secundária? Além do fato de ele obviamente não ter referências como professor, será que não foram divulgadas fotos do maníaco foragido, para que ele fosse reconhecido quando entrou na escola ou quando alugou o apartamento onde vive? Se fosse no Brasil, até dava para engolir… Mas lá, no Primeiro Mundo?

De qualquer forma, o tímido professor Kevin Smith logo se transforma na piada da escola, ao dizer frases como “a física é a poesia da ciência“. E se apaixona por uma das alunas, uma loirinha e cheerleader chamada Vicky, interpretada por Shannon Wilsey. Talvez o nome não lhe diga nada, mas os peitinhos da loira com certeza dirão: “Shannon Wilsey” é a famosa atriz pornô Savannah, que no mesmo ano passaria dos filmes “normais” às produções de sexo explícito para o mercado adulto. Graças aos seus “atributos“, ela foi uma das mais atrizes mais famosas do ramo na primeira metade da década de 90. Mas o fim da história é triste: em 1994, após ficar com o rosto deformado graças a um acidente automobilístico, Savannah se suicidou com um tiro na cabeça, aos 24 anos de idade. Pobre moça…

Mas voltemos ao filme: o “professor” logo descobre que, no ginásio da escola, é possível ver as cheerleaders tomando banho através de um buraco na grade de ventilação (à la Porky´s). E dê-lhe closes de mais tetas e bundas sacudindo, enquanto Dornwinkle faz cara de demente, lembrando do que sua mãe dominadora lhe ensinou na infância – “as mulheres são demoníacas“. O voyeurismo do vilão é interrompido pela diretora, que chega pedindo que ele dê algumas aulas particulares a uma das alunas, Bunny (a deliciosa scream queen Melissa Moore, de A Semente do Mal e Vampire Cop).

Naquela noite, em seu apartamento, onde montou um laboratório improvisado (e vá você saber onde um fugitivo do manicômio arranjou dinheiro para alugar um apartamento e comprar produtos químicos para montar um laboratório…), Dornwinkle começa a conversar sozinho: “Eu ouvi os alunos falando mal de mim… Eles não gostam de mim… Eu trabalhei duro para deixar o passado para trás“, e bla bla bla. Seu “laboratório” é composto por um microscópio e meia dúzia de tubos de ensaio com líquidos coloridos soltando fumaça, coisa típica no cinema classe Z (dê graças a Deus que ele não está usando jaleco branco novamente!). O cientista decide continuar suas experiências com a fórmula da invisibilidade para poder se vingar dos abusos que sofre dos alunos. Ele descobre como corrigir o seu soro simplesmente fazendo uns rabiscos num caderno; depois, prepara a fórmula como se estivesse fazendo um coquetel, misturando líquidos coloridos num tubo sem se importar muito com a dosagem (porque a “ciência“, nos filmes, é muito mais simples e menos matemática do que na vida real…).

Primeiro, Dornwinkle injeta o seu novo soro num coelho (pois é, ele aprendeu a lição!). E o bicho desaparece, com a simples trucagem “desliga a câmera – tira o coelho – liga a câmera de novo“. Depois, enquanto grita “Eu consegui! Eu consegui!“, o cientista resolve experimentar a fórmula nele mesmo. Esta cena é histórica e vale pelo filme todo: primeiro, o ator Noel Peters acaricia o “coelho invisível“, e não tem como não rir da pagação de mico, já que o cara obviamente não tem nada nas mãos, mas precisa fingir que tem! Depois, quando se injeta a fórmula, o cientista desaparece no mesmo sistema de “desligar a câmera, tirar o ator e ligar a câmera de novo“. A coisa mais incrível é que, apesar do soro ser injetado no sangue, TUDO fica invisível, das roupas ao óculos de Dornwinkle!!!! hahahahahahaha. Logo, ele descobre que o soro tem efeito limitado e é preciso injetar a fórmula de hora em hora. Num delírio, que é mera desculpa para mais nudez gratuita, o cientista sonha com várias garotas seminuas tomando banho, quando percebe a principal “utilidade” da sua invenção.

Bem, demora 35 minutos para nosso maníaco ficar “invisível” pela primeira vez, justificando o título da película. E ele toma uma nova dose para aproveitar os benefícios da invisibilidade: vai direto à casa de Bunny, cheira sua calcinha (um fio de nylon ergue a peça, mas o espectador precisa imaginar que há um “homem invisível” ali), tira os cobertores que estão sobre a moça e arranca seu baby-doll. Que beleza! Melissa Moore pode até não ser conhecida por seu talento dramático; mas por outros atributos, em compensação… hahahaha.

No dia seguinte, antes de começar a aula, Dornwinkle é seduzido por Vicky, que se atira em cima dele. “Eu farei tudo por um A“, argumenta. Na verdade, é pura armação: a moça quer apenas sacanear o professor para depois rir com as amigas. Durante a aula, enquanto aplica um teste-surpresa, o “professor” leva um susto dos alunos. Os jovens riem da cara dele, e novamente o sujeito se descontrola, berrando: “Isso é um F automático para todos!“. As cheerleaders então voltam a tomar banho e, no chuveiro, falam mal do professor, inclusive Vicky, contando a brincadeira que fez com ele. Só que, sem que as moças imaginem, Dornwinkle está lá, invisível, olhando os corpos adolescentes nus e ouvindo tudo. E, mais uma vez, a camera fica um tempão dando closes nos peitos e bundas das garotas.

Imagine a situação: o cara já está por um fio, alucinado com a quantidade de mulheres peladas que pode enxergar. Então, surge a gota d’água: a diretora da escola, que é ninfomaníaca, chama o professor à sua sala. Ela mostra os peitos e tenta seduzi-lo, mas é claro que o cientista tem um colapso nervoso, novamente lembrando do seu trauma de infância. Furiosa por ter sido dispensada, a diretora diz que encontrou uma das seringas de Dornwinkle e, acreditando que ele é viciado em drogas, vai demiti-lo e chamar a polícia. Descontrolado, o vilão a mata com um abridor de cartas. Começa, oficialmente, a “vingança do nerd“. Usando seu soro da invisibilidade como arma, o maníaco tranca toda a escola por dentro e começa a matar sistematicamente todos os estudantes.

A partir de então, o ator Peters “desaparece” literalmente de cena e só ouvimos sua voz e suas gargalhadas psicóticas, enquanto o resto do elenco é obrigado a “contracenar” com um inexistente homem invisível. É muito engraçado ver os caras balançando as mãos como se o invisível as estivesse segurando, ou então fingindo que estão levando socos do maníaco, ou ainda simulando o estrangulamento pelas mãos invisíveis do vilão. Só estas cenas ridículas já valem o filme – mas só se você curte esse tipo de bobagem, é claro…

Além disso, seguindo o “padrão Troma de qualidade” da série The Toxic Avenger, o final de Um Maníaco Invisível inclui algumas mortes absurdas e hilárias, como quando o invisível Dornwinkle agarra a mão de um dos alunos (Eric Champnella), fazendo-o socar goela abaixo um sanduichão de tamanho descomunal; a coisa é tão exagerada que o esôfago da vítima incha devido à quantidade de sanduíche que ele é forçado a engolir!!! hahahahaha. Para piorar, o vilão ainda fica gargalhando e soltando frases sem graça, como “Não fale de boca cheia“.

Mas o melhor é quando o maníaco invisível ataca as garotas, pois, antes de mais nada, ele arranca as blusas e sutiãs delas, deixando-as com os peitos de fora, só para depois matá-las estranguladas, afogadas em aquários, enforcadas com a mangueira de incêndio ou eletrocutadas pelo rádio ligado jogado dentro do chuveiro. Ainda há uma cena hilariante em que Dornwinkle pula com os dois pés sobre a cabeça de uma loirinha, esmagando-a, e depois sai caminhando com os sapatos cobertos de sangue e pedaços de cérebro!!! hahahaha.

Um Maníaco Invisível é interessante não exatamente pela história em si e nem pelas mortes (que no geral são muito bagaceiras e mal-feitas), mas sim porque passa aquela sensação de que qualquer um pode fazer cinema, sem a necessidade de efeitos de computação gráfica de última geração ou um orçamento de 200 milhões de dólares. A equipe trabalhou em fundo de quintal, com um mínimo de figurantes (chega a ser cretina a cena no refeitório da escola, em que só há DUAS PESSOAS comendo seu lanche!), pouquíssimos efeitos especiais, mas muita criatividade e vontade de fazer cinema (ou vontade de tirar a roupa das figurantes, escolha a sua opção). Sinceramente, acho uma bobagem como Um Maníaco Invisível muito mais interessante na sua proposta como cinema do que um blockbuster onde os efeitos por computador atropelam a narrativa e a criatividade da equipe.

O roteiro de “Rif Coogan“, baseado no argumento dele e de Matt Devlen e Tony Markes, é uma nulidade total, onde a ênfase ficou nos “efeitos” de invisibilidade e em tentar criar as mais diferentes formas para mostrar as atrizes peladas (pra começar, há três cenas de banho de chuveiro que não servem para nada na trama, além de mostrar que as estudantes são sujas e precisam se lavar frequentemente!). Outros detalhes, como história e construção de personagens, são inexistentes, o que só aumenta a satisfação para quem gosta de filmes na linha “quanto pior, melhor“.

O único personagem mais ou menos definido é o pobre dr. Dornwinkle, com seu trauma sexual e sua obsessão de ver garotas nuas. Fora isso, não há muita preocupação em criar personagens pelo menos plausíveis. O fato da diretora ser uma ninfomaníaca que transa com os alunos e professores é apenas uma desculpa para mostrar mais uma atriz pelada, as garotas não fazem nada de muito interessante, e entre os rapazes nenhum pode ser considerado “herói” – os principais são o atleta Chet (Robert R. Ross Jr.) e Gordon (Rod Sweitzer, de Psycho Cop 2). Entre as garotas, além das já creditadas, aparecem (peladas, é claro) Kalei Shallabarger, Gail Lyon e Debra Lamb (que foi dirigida por Fred Olen Ray em A Vampira de Beverly Hills).

E o diretor e roteirista Adam Rifkin, para quem ainda não ligou o nome à pessoa, assinou alguns filmes interessantes nos anos 90, desta vez com seu nome de batismo, entre eles Rotação Máxima, com Charlie Sheen, e Detroit Rock City (aquele dos garotos que cruzam a cidade para ver um show do Kiss). Também foi ele quem escreveu os roteiros de Pequenos Soldados, de Joe Dante, e de Um Ratinho Encrenqueiro, de Gore Verbinski (quem te viu, quem te vê…). Muita gente não sabe, mas Rifkin foi saudado como uma jovem promessa do cinema independente entre o final da década de 80 e início dos anos 90. Em 1987, quando tinha apenas 21 anos de idade, chegou a ser contratado pelo estúdio 20th Century Fox para dirigir o remake de O Planeta dos Macacos; Adam até escreveu uma versão do roteiro, mas, quando o filme ia entrar em pré-produção, o chefe do estúdio foi demitido e todos os projetos aprovados acabaram cancelados, inclusive este – e o remake virou uma bobagem muitos anos depois, nas mãos de Tim Burton.

No começo da década de 90, quando finalmente estava iniciando sua carreira, Rifkin resolveu utilizar o pseudônimo “Rif Coogan” para rodar produções baratas de terror, repletas de violência e mulher pelada, como este Um Maníaco Invisível e também o divertidíssimo Psycho Cop 2 – outro que, com tanta mulher pelada e sexo, apesar de ser filme de terror, passava direto no antigo Cine Privê, da Bandeirantes. O cineasta preferiu esconder-se atrás do nome falso porque temia um dia ser cobrado por estas produções trash, caso conseguisse transformar-se num cineasta respeitável e famoso – o que, apesar das promessas, não aconteceu. Hoje, Rifkin voltou ao mundo do cinema independente: lançou dois longas, a comédia Homo Erectus e o drama Look, com participações de Talia Shire, David Carradine e até de Ron Jeremy! Também escreveu um roteiro épico para uma nova adaptação cinematográfica de He-Man, que seria dirigida por John Woo!!!

Rifkin provavelmente não tem saudade, hoje, dos seus dias de improviso em Um Maníaco Invisível. Mas com certeza se divertiu bastante, até porque tinha apenas 24 anos e passou toda a filmagem rodeado de belíssimas garotas nuas!!! Para reforçar o aspecto de bobagem assumida, os créditos finais do filme são uma pérola (lembrando até comédias tipo Corra que a Polícia Vem Aí). O nome do “stuntman” (dublê) é seguido por Sidney, o “stuntdog” (dublê de cachorro, para a única cena em que um cão aparece); há ainda um crédito chamado “Highest Paid Member on the Set” (Pessoa mais bem paga do set), para o bombeiro Wayne Tanner. Outras piadas: o “dr. Brad Wyman PHD” é creditado como “consultor de invisibilidade“, e a atriz Valeria Breiman, que interpretou uma das cientistas do Simpósio no começo do filme, teve o nome creditado ao contrário, como “Eirelav Nameirb“!!! hahahaha. E atenção para a pequena participação de um cara chamado Clement Von Franckenstein como médico; eu jurava que era mais uma das brincadeiras dos produtores, mas o ator existe mesmo e este é seu nome verdadeiro, acredite se quiser!!!

Perfeito para quem gosta de cinema trash, Um Maníaco Invisível é um filme para ver com a galera reunida. Como tem vários defeitos, entre eles o ritmo pesado (fica um tempão sem que nada de interessante aconteça, além da nudez gratuita), eu até recomendaria uma sessão improvisada na casa de alguém, com um intervalo aos 45 minutos para tomar cerveja, falar bobagem e digerir mais facilmente o resto do filme. Para finalizar, Um Maníaco Invisível pode até não ser a mais inspirada e divertida das tralhas, nem a mais trash das produções. Mas, e aí entra a “magia do cinema” que eu citei no começo do texto, você acaba de ver já pensando em fazer seu próprio filme de homem invisível, e isso você certamente não iria pensar ao final de O Homem Sem Sombra.

Quanto aos envolvidos neste tosco projeto, somente o “diretor-escondido-sob-pseudônimo” Rifkin que de certa maneira se deu bem na vida. Todos os outros, tenho certeza, gostariam de fazer como o dr. Dornwinkle e desaparecer – de vergonha!

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1 Comentário

  1. Anselmo Luiz

    “Trashão ” de primeira linha ,fiquei curioso de assisti-lo ,nunca tinha ouvido falar deste filme e ainda por cima tem um participação dá saudosa atriz Savannah, pena que é dificil de encontra-lo para assisti-lo ,pois ele saiu em VHS ha muitos anos atras e locadoras para acha-lo estão todas quase extinta e o mesmo está acontecendo com algumas sebos que estão sumindo tambem do mercado ..Xi!!! para onde vai parar esse país ,hein?

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