A Última Casa (2009)

A Última Casa
Original:The Last House on the Left
Ano:2009•País:EUA
Direção:Dennis Iliadis
Roteiro:Adam Alleca, Carl Ellsworth
Produção:Wes Craven, Marianne Maddalena
Elenco:Garret Dillahunt, Tony Goldwyn, Monica Potter, Michael Bowen, Josh Coxx, Riki Lindhome, Aaron Paul, Sara Paxton, Martha MacIsaac

“To avoid fanting, keep repeting: It’s only a remake, only a remake, ONLY A REMAKE…”

Não sei quanto a vocês, queridas leitoras e simpáticos leitores, mas eu acho que estes últimos anos foram muito esquisitos para o cinema fantástico norte-americano. Me refiro, claro, às famigeradas refilmagens. Antigamente, o chamado remake era uma opção bastante autoral feita normalmente por grandes diretores, com o objetivo de dar uma nova visão dos filmes clássicos que eles gostavam. Foi assim que David Cronenberg transformou A Mosca da Cabeça Branca (1958) em A Mosca (1986), John Carpenter fez The Thing from Another World (1951) virar O Enigma do Outro Mundo (1982), e Brian DePalma ressuscitou o Scarface de 1932 para transformá-lo naquele filmaço estrelado pelo Al Pacino em 1983, entre muitos outros exemplos. Hoje, entretanto, remake não é mais opção autoral de grandes diretores, mas sim uma ferramente bem sem-vergonha, adotada principalmente por diretores cabeças-de-bagre de primeira viagem para tentar aparecer a partir do trabalho dos outros, e normalmente sem mudar uma vírgula do original – ou então mudando tanto que o título do filme original nem se justifica.

Parece que a cada semana os produtores de Hollywood se reúnem e discutem: “E aí, o que ainda temos para refilmar?“. Pense bem e você verá que já teve remake de praticamente tudo nos últimos anos, dos clássicos do gênero (O Massacre da Serra Elétrica, Dawn of the Dead, A Profecia, Quadrilha de Sádicos, Halloween…), aos slashers famosos dos anos 80 (Sexta-feira 13, Dia dos Namorados Macabro, A Hora do Pesadelo…), passando até por aqueles filmes que bem pouca gente ouviu falar e que nem necessitariam de uma refilmagem (The House on Sorority Row? Prom Night?).

O ano de 2009 chegou a ser bizarro nesse quesito: se analisarmos apenas as estreias de filmes de horror nos cinemas brasileiros, o festival de remakes chega a ser obsceno: tivemos Halloween, Sexta-feira 13, Dia dos Namorados 3D, Quarentena e Pacto Secreto, isso sem contar o que saiu direto em DVD e os remakes de ficção científica (O Dia em que a Terra Parou, Star Trek…). Se bobear, logo logo vão estar refilmando aqueles vídeos caseiros de festa de aniversário ou cerimônia de casamento!

Tudo isso foi apenas para introduzir (ui!) o assunto desse artigo, A Última Casa (The Last House on the Left), remake contemporâneo do filme homônimo de 1972 que, no Brasil, foi batizado Aniversário Macabro (argh!). Como não há mais festa de aniversário no argumento dessa refilmagem, bailou o título tosco, mas eu me pergunto porque é que não traduziram o original no sentido literal (A Última Casa à Esquerda) ao invés de cortar o nome do filme pela metade.

Há uns anos, quando começou o fenômeno de remakes em massa dos grandes clássicos do horror (com O Massacre da Serra Elétrica e Madrugada dos Mortos dando a largada), já começavam a pipocar boatos de que este clássico exploitation dirigido por um jovem Wes Craven em breve também ganharia sua devida refilmagem. Acabou não sendo tão “em breve” assim. David DeFalco dirigiu um remakenão-oficial” chamado Chaos, em 2005, com história idêntica à do filme de Craven, e também surgiu uma refilmagem de quinta categoria, que chegou a entrar em pré-produção em 2006, mas felizmente foi abortada.

Por isso, até que o remake entrasse oficialmente em produção, foram quase seis anos. Mas, sei lá, eu sempre pensei que o The Last House on the Left de 1972 era um filme que não precisava de refilmagem, e que esta, se fosse feita, ficaria absolutamente deslocada nos tempos modernos.

Motivos para não “remakear” o filme de Craven não faltam: primeiro, The Last House on the Left era o retrato de uma época (os anos 70), e aquele crime que era chocante em 1972 (tortura, estupro e assassinato de duas jovens) hoje você vê na vida real, simplesmente ligando a TV (isso quando não testemunha ao vivo do outro lado da rua da sua casa); segundo, filmes de estupro, tortura e vingança viraram clichê de 1972 em diante, através de produções tão diferente (mas igualmente chocantes) quanto A Vingança de Jennifer e Irreversível; terceiro, como evocar aquele clima sujo, amadorístico e realista do original, filmado em 16 milímetros e com uma merreca de orçamento?

Mesmo com tantos motivos para NÃO fazer, um grupo de corajosos resolveu encarar o desafio. Afinal, virou moda refilmar as obras de Wes Craven (Viagem Maldita, A Hora do Pesadelo…), e o próprio Craven parecia na época estar vivendo da grana que recebe pelos remakes de seus filmes, já que não fez de memorável ou marcante há muitos anos. Eis, então, A Última Casa, uma refilmagem daquele clássico exploitation para drive-ins dos anos 70 feita para uma geração acostumada a “doses comerciais” de violência e brutalidade na segurança dos cinemas de shopping-centers do século 21, graças às séries Jogos Mortais e Hostel.

Inicialmente, não vou me deter muito nas diferenças entre os dois filmes (que você pode ver no texto secundário desse artigo com mais detalhes). Prefiro começar respondendo à pergunta que não quer calar: afinal, A Última Casa é um remake que vale a pena? Sim. Nova pergunta: e o remake conseguiu ir tão longe quanto o original? Bem, apesar das fartas doses de brutalidade e violência, do sangue que rola generosamente e de algumas cenas bastante gráficas, NÃO! Mesmo feito num esquema “recurso zero“, o filme de Craven lá dos anos 70 – aquele em que tripas eram apenas camisinhas cheias de sangue falso amarradas umas às outras – continua muito mais forte e brutal.

Se você nunca ouviu falar de The Last House on the Left e nem sabe sobre o que trata a história, bem, pare de ler esta análise e vá correndo ao cartório para se registrar. Afinal, você deve ter nascido ontem. Depois, leia meu velho artigo do filme de Craven clicando aqui.

O restante da humanidade com certeza sabe muito bem do que se trata: é a história (se é que dá para chamar assim) de duas garotas inocentes, menores de idade, que são sequestradas por uma quadrilha de cruéis criminosos. Após horas de tortura, humilhação, agressões e estupro, ambas são brutalmente assassinadas – uma delas no dia do seu aniversário de 18 anos. A ironia da coisa é que, após o massacre, a quadrilha vai procurar hospedagem na casa dos pais de uma das vítimas, sem saber disso, é claro. Quando os progenitores descobrem o que aconteceu, partem para uma vingança tão brutal que chega ao nível dos “vilões“, com direito a serra elétrica dois anos antes de O Massacre da Serra Elétrica popularizar o uso pouco convencional da ferramenta em corpos humanos.

O novo A Última Casa mantém essa estrutura narrativa básica, mas amplia um pouco as motivações e características dos personagens, para tentar transformar aquela trama simplória e sensacionalista filmada por Craven em algo mais sofisticado do que realmente é. Tanto que o tempo de duração passou dos 84 minutos do original para quase duas horas nessa refilmagem!

Filmado na África do Sul (!!!), o remake já começa mostrando que é uma produção caprichada e dinheiruda ao exibir uma cena em que o grande vilão da história, Krug (Garret Dillahunt, do seriado Terminator – The Sarah Connor Chronicles, substituindo o magnífico David Hess do original), é libertado pelos comparsas durante seu transporte para uma penitenciária. No original de 1972, a fuga era brevemente mencionada através de um noticiário de rádio.

Agora, essa nova cena inicial não existe apenas para apresentar os vilões desde o começo, mas também para mostrar ao espectador como eles são fodões e implacáveis, já que matam a sangue-frio os dois agentes penitenciários que escoltavam Krug. Um deles é assassinado lentamente enquanto o vilão esfrega na sua cara uma foto dos seus filhos pequenos, debochando: “Eis algo que você nunca mais vai ver!“. Os demais integrantes da quadrilha, que participam da operação de resgate, são Sadie (Riki Lindhome, de Pulse), namorada do bandidão, e Francis (Aaron Paul, de Missão Impossível 3).

Corta para mais um pouco de “desenvolvimento de personagens“, quando conhecemos a jovem Mari Colingwood (interpretada por Sara Paxton, da comédia Super-herói – O Filme), enquanto ela treina natação e mergulho numa piscina olímpica. O fato da moça ser uma exímia nadadora, e inclusive suportar um longo tempo mergulhada, é apenas uma preparação para certas coisas que acontecerão com ela depois, óbvio.

Mari é filha do médico John Collingwood (Tony Goldwyn) e de Emma Collingwood (Monica Potter, esposa de Cary Elwes em Jogos Mortais). O casal tinha outro filho, Ben, que morreu há pouco tempo, e, numa tentativa de superar o trauma, a família vai passar alguns dias na sua casa de campo, no interior.

Logo no primeiro dia, Mari sai para visitar a amiga Paige (Martha MacIsaac, de Superbad – É Hoje), que trabalha numa loja de conveniência da cidadezinha. O que a dupla de inocentes meninas não imaginava era conhecer um jovem esquisito e muito suspeito, Justin (Spencer Treat Clark, de Gladiador, exagerando nas “caretas de rapaz estranho“), que logo convida ambas para ir fumar maconha no seu quarto de hotel. Conversa vai, conversa vem, um pega ali, outro aqui, eis que chega a família de Justin. Exato, amiguinhos: são os bandidões anteriormente citados, já que o garoto é filho do próprio Krug!

Temendo serem denunciados, já que são fugitivos da justiça com foto na capa dos jornais e tudo mais, o grupo cai na estrada levando Mari e Paige como reféns. E é claro que o que vem pela frente é pauleira da grossa, com direito a tortura física, estupro, muita correria e uma visitinha àquela tal “última casa à esquerda“, onde um casal de pais nada feliz espera pelos vilões.

Como já acontecia com o filme de 1972, o roteiro de A Última Casa não é nenhuma maravilha nem tem reviravoltas surpreendentes. Mesmo assim, contar mais sobre o remake pode estragar a surpresa de muitos espectadores, já que essa versão anabolizada do pesadelo de Wes Craven traz algumas modificações em relação ao original. Quem não se importa com spoilers e quiser saber mais sobre as diferenças entre as duas versões pode passar direto para o texto secundário deste artigo.

Bem, para quem esperou até agora para saber minha opinião sobre este remake, lá vai: A Última Casa acabou ficando melhor do que eu pensava. O filme tem coisas muito boas. Por outro lado, também tem outras muito ruins.

Comecemos pelas coisas boas. A melhor delas, sem sombra de dúvida, é um diretor decente e que faz jus à tarefa que lhe coube. O grego Dennis Iliadis nem tem tantos créditos anteriores (na verdade só tinha feito um filme, o elogiado Hardcore, de 2004, que eu ainda não vi), mas acabou puxando o tapete de outros diretores mais conhecidos que haviam sido sondados para comandar esta refilmagem, como o francês Alexandre Aja. E o sujeito tem um olho para o visual que acaba sendo uma das grandes qualidades do filme, encontrando beleza mesmo em cenas terríveis, como aquela envolvendo Mari, um tiro e uma lagoa.

Outra coisa boa é que os realizadores não tentaram amenizar a violência de certas cenas do original, que não era um clássico exploitation por pouca coisa. Assim, apesar de ser uma produção norte-americana distribuída por uma “major” (a Universal), e destinada a cinemas de shopping, e não drive-ins como o seu antecessor, chega a ser surpreendente o fato de que A Última Casa mantém as cenas do covarde ataque (com estupro e tudo) às duas garotas, além de ter acrescentado uma boa dose de violência explícita que não havia no filme de 1972.

Claro, os tempos são outros, e muita coisa que era apenas sugerida no original de Craven agora ganha vida (ou morte) com efeitos pra lá de sangrentos. Por exemplo, o remake vale a pena só pelo ataque brutal a um dos bandidos, quando percebe-se que os vingativos pais de Mari descem aos níveis mais baixos de selvageria ao usarem tudo que está ao seu alcance para machucar/matar o sujeito, inclusive marteladas na cabeça!

Também conta pontos para A Última Casa o fato de ter corrigido algumas besteiras do original, como a trilha sonora completamente deslocada e a participação de uma dupla de policiais atrapalhados, que só servia para estragar o clima de tensão da narrativa. E a escolha de Tony Goldwyn para o papel de pai vingativo foi uma boa sacada, já que o ator é muito bom e consegue passar toda a fúria e revolta de um pai cuja filha sofreu uma terrível violência nas mãos de canalhas – o momento em que ele se transforma do médico e pai certinho em vingador sanguinário e encenado de maneira realista e até dramática, sem caretas nem exageros. Goldwyn provavelmente ficará imortalizado como o vilão de Ghost, mas poucos lembram que ele também foi morto por Jason em Sexta-feira 13 Parte 6. Sua interpretação nesta refilmagem bate de longe a performance apagada de Richard Towers, que assumiu o papel no filme original.

Por outro lado, o grande ponto fraco do remake é o excesso de “licenças poéticas” tomadas em relação ao filme de 1972. Tudo bem que algumas mudanças até são justificáveis, caso contrário sobraria uma refilmagem cena a cena sem surpresa nenhuma, tipo fizeram com Psicose e A Profecia. Mas, na minha opinião, o novo roteiro de Adam Alleca e Carl Ellsworth traz algumas alterações significativas para PIOR, uma delas envolvendo o destino de uma das garotas atacadas por Krug e sua gangue (parece que faltou coragem para seguir os passos do original), e outra relacionada à personalidade de Justin, o filho de Krug, que se revela mais bonzinho do que no filme de Craven.

Em segundo lugar, me incomodou muito a postura dos roteiristas Alleca e Ellsworth de querer explicar tudo tintim por tintim, como se o espectador fosse uma besta quadrada, mesmo que o argumento em questão não tenha absolutamente nada de surpreendente, complexo ou original. Poxa, nada pode ser mais simples que The Last House on the Left (crime e castigo, basicamente), mas a tal dupla dinâmica insiste em bombardear o espectador com informações e explicações que nem ao menos seriam necessárias, como mostrar que Mari é uma ótima nadadora e mergulhadora (para justificar cena posterior da moça fugindo dos seus algozes na lagoa), ou fazer com que Mari, novamente, acabe forçando os bandidos a tomar o rumo da sua casa, pensando numa forma de escapar e buscar ajuda com os pais. Ora, uma das coisas mais legais do original era que os bandidos iam parar na casa dos pais da sua vítima por puro acaso, por ironia do destino. Mas os novos roteiristas achavam que no século 21 o acaso e o destino não colavam mais, e resolveram arrumar explicação também para isso. É dose…

Finalmente, o que mais compromete A Última Casa é justamente aquilo que eu escrevi no começo, quando opinei que The Last House on the Left era um filme que não precisava de uma refilmagem, “e que esta, se fosse feita, ficaria deslocada nos tempos modernos“. Bem, acredito que isso acabou se confirmando. Em tempos de Jogos Mortais, com suas escabrosas torturas para satisfazer “teens” sádicos, este remake até acaba parecendo um conto da carochinha em diversos momentos, mesmo que também tenha seus momentos de extrema violência.

Mas o que realmente incomoda, na comparação entre os filmes de 1972 e 2009, é que embora agora algumas cenas sejam muito mais sangrentas na nova versão, tudo é tão bonitinho, limpinho e bem feito que acaba com aquele clima sujo e realista do original, que até parecia um documentário. Quem já viu Aniversário Macabro certamente lembra que, na cena do estupro das meninas, os bandidos estão sujos e cobertos de sangue dos pés à cabeça; Krug inclusive fica babando escrotamente no rosto de Mari enquanto violenta a garota!

Pois no remake, embora ainda tenhamos essa cena de violência contra as moças, foi tudo amenizado, e mostrado de forma tão limpinha e higienizada (talvez para não chocar os jovens de hoje) que parece até que os caras limpam as mãos com álcool-gel e esterilizam o pinto antes do estupro! É nessas horas que faz falta um diretor como o Rob Zombie, que adora filmar sujeira e escrotidão – Zombie devia ter refeito The Last House on the Left ao invés de estragar Halloween.

Principalmente, o que falta em A Última Casa é ousadia, já que os realizadores atenuaram bastante a violência contra as duas garotas (nada de tortura psicológica dessa vez, nem da escatológica cena das tripas arrancadas), mas depois jogaram toda a brutalidade para cima do castigo dos bandidos – como se fosse pecado mostrar brutalidade contra as vítimas inocentes, mas contra os vilões vale tudo. É o contrário do que fez Craven: embora seus vilões também tivessem castigos violentos, as pobres moças sofriam muito mais do que estas do remake.

Outra coisa xarope é o “casting” da refilmagem, excetuando, obviamente, Tony Goldwyn. Por que é que todo mundo tem que ser bonito e sarado, inclusive os vilões? Quem realmente consegue engolir Dillahunt como Krug, ainda mais depois da performance apavorante de David Hess no original? Se compararmos com o filme de 1972, lá todo mundo era feio e “comum“, inclusive as meninas atacadas. Agora parece que estamos vendo um episódio de “Malhação“, o que tira bastante do impacto – e é muito difícil engolir aqueles atores metidos a galãs como bandidos sádicos.

Além do mais, e isso é importante de ressaltar, o remake é muito careta em matéria de nudez e sexo. Embora enfoque de maneira quase ginecológica o corpo de Mari, com a câmera passeando pela jovem de biquíni, ou tomando banho, ou trocando de roupa, na verdade ela nunca aparece realmente NUA (os closes mostram apenas sua pele, mas nada de “oba-oba“), nem mesmo na cena de estupro, que tem mais roupa do que qualquer outra cena de estupro já mostrada pelo cinema (que saudade dos tempos de A Vingança de Jennifer…).

Aniversário Macabro, o filme de 1972, era obviamente uma história sobre violência sexual. Primeiro porque explorava (“exploitation“, alguém?) sem o menor pudor a violência física e psicológica contra as duas meninas, e depois porque o castigo inflingido aos vilões também tinha conotação sexual, com direito à apavorante castração durante boquete. A própria serra elétrica enfiada em Krug era manejada pelo dr. Collingwood como se fosse um símbolo fálico.

Em A Última Casa, sai essa conotação da violência sexual para dar espaço à “violência contra o corpo“, o que talvez justifique os diversos closes em detalhes dos corpos dos protagonistas. E embora cenas como a martelada na cabeça ou o destino de Krug sejam bastante sangrentas, não há nada que realmente chegue aos pés daquela arrepiante castração com os dentes do filme de Craven – castração esta que nem ao menos era mostrada, ficava tudo para a imaginação. E convenhamos que substituir uma serra elétrica por um forno de micro-ondas não é exatamente uma bela troca, não é verdade?

Mesmo com todos estes defeitos, A Última Casa fica acima da média, ainda mais considerando o nível sofrível dos remakes atuais, e principalmente porque é o mais perto de um “exploitation” que os grandes estúdios norte-americanos já conseguiram chegar nos últimos tempos – é até irônico imaginar um filme como The Last House on the Left passando nos cinemas de shopping ao lado de Up – Altas Aventuras e a nova comédia da Sandra Bullock!!!

Pena que no Brasil A Última Casa foi direto para as locadoras, enquanto outras refilmagens bem piores (Halloween, Pacto Secreto…) ganharam estreia nos cinemas. Talvez porque, por aqui, atos de violência selvagem como estes mostrados em The Last House on the Left já são bastante comuns, e as distribuidoras imaginaram que ninguém pagaria ingresso para ver coisas que podem assistir de graça nos noticiários de TV.

Logo, a nova versão do clássico exploitation de 1972 vale a pena e certamente é muito melhor do que qualquer fã do original poderia esperar, embora acabe sofrendo do mal de ter um nome famoso e não fazer jus a ele. Pois o filme de Craven, com todos os seus defeitos, ainda é muito superior. Portanto, ao conferir A Última Casa, não deixe de repetir para si mesmo: “É apenas um remake, apenas um remake, apenas um REMAKE…“.

Leia Mais: BRIGA DE FOICE: 1972 VERSUS 2009

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Felipe M. Guerra

Felipe M. Guerra

Jornalista por profissão e Cineasta por paixão. Diretor da saga "Entrei em Pânico...", entre muitos outros. Escreve para o Blog Filmes para Doidos!

5 comentários em “A Última Casa (2009)

  • 05/03/2018 em 22:23
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    Era pra ser uma crítica ou uma saga sobre refilmagens?! Texto longo cansativo , desculpa a crítica da crítica , mas quem quer ler a crítica realmente quer logo o assunto e não ficar em conjecturas sobre criações de remakes se devem ou não ser feitos ou se foram ou não bem construídos.

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  • 24/08/2017 em 18:18
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    Eles estupram a menos bonita não dá para entender kkk

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  • 12/07/2017 em 00:36
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    Eu curto demais o remake !
    ” The Last House On The Left ” de 2009 é lógico que está na minha coleção !

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  • 09/07/2017 em 22:28
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    Sou do time que adorou o remake!!! E o filme original de Craven perdeu pontos pra mim por causa dos dois policias babacas!

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