Críticas

Castlevania (2017)

Animação se mostra apenas uma longa e às vezes arrastada introdução, deixando em nós um gostinho de “quero mais”

Castlevania
Original:Castlevania
Ano:2017•País:EUA, Canadá
Direção:Sam Deats
Roteiro:Warren Ellis
Produção:Adi Shankar, Fred Seibert, Ted Biaselli, Kevin Kolde, Larry Tanz
Elenco:Richard Armitage, James Callis, Graham McTavish, Alejandra Reynoso, Tony Amendola, Matt Frewer, Emily Swallow

Foi no mínimo curioso o anúncio de que a gigantesca Netflix produziria uma série baseada em Castlevania. Bem, a franquia de games da produtora japonesa Konami é consagrada e amada por milhares de pessoas em todo mundo, mas encontra-se em um hiato já longo e seus produtos finais foram para a Pachinko em 2015. Ainda assim, mesmo com tantas franquias novas e explosivas no mercado de jogos, o serviço de streaming resolveu apostar no legado vampiresco de uma jornada épica e sombria.

A série é baseada em Castlevania III: Dracula’s Curse, de 1990, lançada originalmente para Nintendinho. Ambientada num país europeu fictício, a trama acontece em 1476, onde o poderoso Conde Drácula reúne um exército de monstros para destruir tudo e a todos após o cruel assassinato de sua amada. Resta apenas a Trevor Belmont, último membro de uma família de matadores de bestas, a capacidade de parar esse desastre.

Em Castlevania, a primeira coisa que enche nossos olhos é a animação. Em 2D puro, sem nem mesmo elementos em 3D, somos surpreendidos por um trabalho totalmente ocidental de alta qualidade, harmônico e que passa sim um caráter sombrio e atraente. Some aos aspectos técnicos a excelente dublagem e a coragem dos produtores de mostrar tripas, mortes, membros arrancados e até mesmo crianças sendo devoradas por monstros.

Mas é na composição dos personagens e na trama em si que Castlevania vira uma montanha-russa. Mesmo com apenas quatro episódios de cerca de 20 minutos cada, o enredo sofre um baque considerável nos episódios 2 e 3, onde justamente nos é apresentado Trevor.

Drácula é responsável por alguns dos melhores momentos. A sua apresentação junto a forma que conheceu sua amada e a cena da face em chamas descendo pelo céu são épicas. Mas toda a apresentação de Trevor com alívios cômicos é até irritante, fazendo com que haja pouco carisma ao personagem logo de cara.

E gera pouco aprofundamento com o público novo de Castlevania os problemas da família Belmont serem exageradamente citados, mas nunca mostrados. Umas cenas de flashback fariam toda a diferença, com o auge e importância dos Belmonts sendo devidamente apresentado.

Destaca-se ainda na trama o personagem do Bispo, com definitivamente a melhor dublagem e interpretação da animação, além da capacidade de nos exalar ódio. A chegada tardia do lendário Alucard também não ajuda muito com uma conclusão satisfatória, mesmo junto a uma bela cena de luta que compensa a arrastada cena de “guerra” entre humanos e bestas. Já a personagem Sypha acaba ficando tão apagada quanto a explicação de o que é o grupo do qual ela faz parte.

No fim, Castlevania tem, sim, seus méritos e não faz feio como tantos produtos audiovisuais derivados de games, mas deixa a impressão de que essa longa introdução poderia ter sido sim melhor aproveitada.

Dracula’s Curse é um jogo de um período em que enredos importavam muito pouco, em detrimento da jogabilidade. A série Castlevania dá a impressão de como a história deste jogo poderia ter sido de verdade, mesmo que nos deixando a todo tempo um gostinho de “quero mais” e um sentimento nostálgico quando o chicote brande.

Leia também:

1 Comentário

  1. Gabriel de Azevedo

    Valáquia não é um país fictício, existe mesmo, mas não é um país, é uma província da Romênia, onde Vlad III (Vlad Tepes, o cara que inspirou Bran Stoker a criar o Dracula) foi príncipe

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *