Críticas, Quadrinhos

Drácula – A Obra Completa (2015)

Uma tradução fiel de um clássico da literatura para os quadrinhos com respeito e reverência

Drácula – A Obra Completa
Original:The Complete Dracula
Ano:2010•País:EUA
Páginas:184• Autor:Leah Moore, John Reppion, Colton Worley•Editora: Mythos Editora

Criado por Bram Stoker para seu romance Drácula, publicado originalmente em maio de 1897, e baseado na história real de Vald Tepes, o príncipe da Valáquia que viveu entre 1431 e 1476, o vampiro Conde Drácula se tornou uma das figuras mais icônicas e proeminentes da cultura pop. Suas histórias foram adaptadas para o cinema, teatro, rádio e, é claro, quadrinhos. Uma de suas encarnações mais famosas foi publicada pela Marvel na década de 70 na revista A Tumba de Drácula, mas até então, a maioria destas adaptações tomava muitas liberdades e se baseavam, principalmente, nas versões cinematográficas do vampiro estreladas por Bela Lugosi e Christopher Lee.

Eis então que em 2010, Leah Moore, filha do celebrado escritor Alan Moore, se une ao escritor John Reppion e ao artista Colton Worley para uma manobra bastante ousada: adaptar quase que literalmente o romance de Bram Stoker para os quadrinhos. O projeto foi publicado pela Dynamite nos EUA em uma minissérie em cinco partes e chegou ao Brasil pela Mythos Editora em 2015 em um encadernado de luxo em capa dura contendo a minissérie completa em quadrinhos e o conto de Bram Stoker intitulado “O Hóspede de Drácula”, considerado por alguns pesquisadores como um “capítulo descartado” da obra seminal de Stoker sobre o vampirismo.

Para os leitores não familiarizados com a obra original ou romances de ficção gótica, o ritmo da HQ pode incomodar, pois Leah Moore e John Reppion traduzem praticamente todas as passagens do romance original para os quadrinhos. Stoker compôs seu mais célebre romance através de cartas e diários e diversas destas passagens transmitem as angústias, dilemas e sentimentos internos dos personagens, que narram os acontecimentos a partir de seus pontos de vista que se alternam conforme a história progride. Algumas destas narrativas são transcritas para as páginas da HQ em forma de recordatórios ilustrados pela bela arte de Colton Worley. Embora seja interessante para se mergulhar na trama original de Stoker, este estilo de narrativa pode afastar o leitor mais acostumado ao mainstream super-heróico dos quadrinhos americanos.

A arte de Colton Worley, pesada e soturna, dá o tom correto para a trama, entregando algumas cenas bastante lúgubres e aterradoras e as expressões de seus personagens transmitem muito bem o terror com que se deparam ao longo da história. Porém, conforme a HQ avança, algumas páginas perdem um pouco do realismo. Provavelmente devido a apertos no cronograma durante a produção e publicação do material originalmente pela Dynamite nos EUA. A impressão que dá é que o artista teve que simplificar algumas páginas para que pudesse entrega-las a tempo. Nada que comprometa o resultado final, mas a oscilação na qualidade da arte prejudica a imersão na leitura nestes momentos. Outro pequeno detalhe que incomoda é a disparidade entre as capas, ilustradas por John Cassaday, que possui um estilo totalmente diferente do conteúdo do gibi, não vendendo a obra como deveria.

Caso o leitor resolva dar uma chance a Drácula – A Obra Completa, estará lendo uma das melhores adaptações do romance de Bram Stoker, uma vez que quase sempre os autores e cineastas que bebem da fonte sangrenta de Drácula, costumeiramente tomam certas liberdades poéticas para facilitar a transposição entre as mídias. Sendo assim, o esforço da equipe capitaneada por Leah Moore em entregar uma tradução tão fiel de um clássico da literatura para os quadrinhos, com tanto respeito e reverência, merece o devido reconhecimento e prova que, 120 anos depois, Drácula continua relevante como uma das maiores obras do gênero. Não importa a mídia.

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