Críticas

Stake Land – Anoitecer Violento (2010)

Produção vampírica no estilo road movie pessimista, Stake Land é uma voadora no estômago!

Stake Land - Anoitecer Violento
Original:Stake Land
Ano:2010•País:EUA
Direção:Jim Mickle
Roteiro:Nick Damici, Jim Mickle
Produção:Derek Curl, Larry Fessenden, Adam Folk, Brent Kunkle, Peter Phok
Elenco:Connor Paolo, Nick Damici, Kelly McGillis, Gregory Jones, Traci Hovel, James Godwin, Tim House, Marianne Hagan, Adam Scarimbolo, Danielle Harris

O subgênero das produções pós-apocalípticas é sempre lembrado pela presença errante de mortos-vivos. Um mundo dominado por criaturas que se alimentam da carne humana, na profecia de George Romero de 1968, é mais comum do que se pode imaginar. É claro que a ambientação em ruínas, com carros e corpos espalhados e a busca de um refúgio e de sobreviventes, já teve outros antagonistas, mas nenhum demonstrou tamanha crueldade do que o próprio ser humano. Não importa a causa ou atmosfera, a convivência na sensação de isolamento é extremamente complicada, sempre havendo aquele que quer se beneficiar da nova condição ou liderar pequenos grupos. Stake Land é um filme de horror lançado em 2010 que também mergulha nesse submundo, explorando, desta vez, os vampiros, como outrora testemunhado em outras produções. E é um filmaço, no estilo road movie pessimista, e que merecia mais atenção por parte dos fãs do gênero.

Ele é fruto de um conceito desenvolvido por Nick Damici e Jim Mickle, oriundos do bem sucedido Mulberry Street, de 2006. Juntos, escreveram 40 roteiros para um projeto em formato websérie com episódios de apenas 8 minutos, e os apresentaram ao ator, diretor e produtor Larry Fessenden, que não apenas gostou do que leu como sugeriu a realização de um longa-metragem. O primeiro tratamento não foi aprovado, e eles trabalharam em um novo, acrescentando tons mais humanos, tentando se afastar da tonalidade cinza que permeia o estilo. Ao final, mesmo que apresente muita influência de outras produções, o resultado foi extremamente satisfatório para um produção orçada em apenas U$650 mil e que conquistou boas críticas em seu lançamento limitado.

Na narração do jovem Martin (Connor Paolo), o espectador se contextualiza em uma terra dominada por vampiros. Ele conta que o caos que começava a ser noticiado pelo mundo forçou sua família a uma fuga desesperada, à noite – péssima ideia, nota-se -, mas uma criatura voraz atrapalhou os intentos ao se alimentar de seus pais. A sequência é bem feita porque o garoto sai em busca do cachorro na escuridão, e a narrativa o acompanha preparando o público a um ataque súbito, porém o vampiro opta pelos pais, que estavam preparando o veículo para a partida. Martin é salvo pelo caçador, chamado apenas de Mister (Nick Damici, um dos autores), e confronta o primeiro de uma série de monstros que encontrará pelo caminho.

A dupla liquida a criatura, em uma cena bem feita que já traz a empolgação pela boa caracterização dos vampiros, e parte pela estrada em busca de um lugar chamado Novo Éden, um ambiente considerado seguro para a condição atual. Na jornada, resgatam mais pessoas e formam um grupo – ou uma família, como imagina Martin -, começando pela freira Irmã (Kelly McGillis), que fugia de dois estupradores. Mister mata os humanos, e já ensina o jovem sobre as novas comunidades e suas próprias leis. Cada lugar é mantido sob forte proteção e disciplina, tendo como destaque a terrível Irmandade, liderada pelo cruel Jebedia Loven (Michael Cerveris), que mistura religiosidade com atos crúeis, numa belíssima crítica ao fundamentalismo e intolerância. É impossível não traçar uma conexão aos atos da Irmandade com a dOs Salvadores, da série The Walking Dead, mostrando que a inspiração é absoluta pelos criadores do universo dos errantes.

Capturados, Mister é deixado numa zona habitada por vampiros para a morte, enquanto o jovem é instruído a trabalhar para se manter no local. Ele foge e posteriomente encontra seu mentor, já pensando num plano de resgate da freira. O grupo começa a se formar com a junção da grávida Belle (a experiente no gênero, Danielle Harris), e logo depois o soldado Willie (Sean Nelson), que se escondia em um banheiro químico ao ser também deixado numa área perigosa. A nova família mantém a boa união, enquanto tenta sobreviver na “terra da estaca“, encontrando frases pessimistas como “Deus está destroçando o mundo” e o perigo na noite, depois que se vingam de Jebedia e acabam testemunhando o nascimento de um vampiro inteligente.

Ainda que não seja inovador, Stake Land se sobressai pela boa narrativa e na direção eficiente de Jim Mickle (de Somos o Que Somos, 2013). Há dois momentos que se destacam na produção e que merecem uma atenção especial. Um deles envolve a “chuva de vampiros“, quando a Irmandade invade uma comunidade amigável e começa a jogar criaturas de um helicóptero para atrapalhar as festividades; o outro é a sequência de salvamento de Belle, no confronto final, deixando um gosto amargo no espectador diante de uma situação extrema.

Com o lançamento do filme, foram lançados na internet sete Webisodes que trazem cenas anteriores ao filme e servem para apresentar os personagens. O primeiro, Sister, comandado por JT Petty, mostra a freira em seu primeiro encontro com a Irmandade, o que ocasionou sua fuga e consequente encontro com Martin e Mister. Ela está em sua igreja, com corpos presos em sacos, e pretendia apenas enterrá-los em suas preces, até ser caçada pelos vilões e mudar seu modo de encarar o mundo. Em Jebedia (dirigido por Fessenden), vemos o vilão entrando para a Irmandade, tendo a cabeça tatuada com o símbolo do grupo, enquanto lê a Bíblia. O terceiro é focado em Willie (na direção de Danielle Harris), apresentando em sua jornada solitária pelo deserto entre corpos e a sensação de perigo iminente (é o mais arrastado da série). The Day I Told My Boyfriend (de Graham Reznik) tem como protagonista a grávida Belle, quando, como o título diz, resolveu contar a ele sobre sua nova condição. Ele perde o controle do veículo e o carro capota, deixando-a de ponta cabeça, com um vampiro à espreita. No webisode Martin, de Glenn McQuaid, o garoto é visto no momento em que prepara a mala para a viagem que culminará com a morte dos pais. Ele tem um estranho sonho, e percebe que a criatura que atacará sua família já estava na casa antes do ataque. Mister (de Fessenden) mostra como o herói adquiriu seu colar de caveira, assim que voltou para casa e descobriu que seu pai acabara de assassinar a esposa, transformada em vampiro. E o último webisode, chamado Origins, de Fessenden, é curto (quase dois minutos de duração) e tem o formato found footage: um garoto está filmando a família para um projeto escolar, enquanto ao fundo nota-se que a TV já está informando o início da praga. Seu pai se transforma em vampiro e o persegue até o sangrento final. Todos os capítulos podem ser conferidos aqui.

Stake Land – Anoitecer Violento tem uma continuação lançada em 2016, intitulada Anoitecer Violento 2 (Stakelander), com direção de Dan Berk e Robert Olsen, e com o retorno do elenco principal. Ambos estão disponíveis na Netflix!

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1 Comentário

  1. Airton Marinho

    Precisa de uma dica de filme pra assistir! Vou ver agora!

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