Críticas

The Belko Experiment (2016)

Uma alegoria da rotina trabalhista, onde matar e morrer se tornam as principais funções de quem busca a sobrevivência no emprego.

The Belko Experiment
Original:The Belko Experiment
Ano:2016•País:EUA, Colômbia
Direção:Greg McLean
Roteiro:James Gunn
Produção:James Gunn, Peter Safran
Elenco:John Gallagher Jr., Tony Goldwyn, Adria Arjona, John C. McGinley, Melonie Diaz, Owain Yeoman, Sean Gunn, Brent Sexton, Josh Brener, David Dastmalchian, David Del Rio

Uma daquelas frases que sempre são mencionadas nas redes sociais pode servir de referência à rotina de trabalho e consequentemente ao metafórico The Belko Experiment: “Matar um leão por dia é fácil. O difícil é conviver com as cobras.” E funciona assim mesmo: as pessoas acordam para a dura necessidade de cumprir horário e funções, tendo o convívio obrigatório com aquelas que muitas vezes não suportam. Você até faz amigos na empresa, estabelece relacionamentos que vão além do “bom dia” ao lado da garrafa de café, mas também precisa aturar quem não combina em nada com o seu jeito de ser, seja com o mau humor de quem odeia o serviço, ou as piadinhas daqueles que jamais serão demitidos devido à sua competência. E se de repente as regras da empresa exigissem que você matasse seus colegas de trabalho para sobreviver – algo real e não a simbologia dos degraus que conduzirão à promoção?

James Gunn um dia teve esse pesadelo. Viu as portas de sua empresa sendo lacradas, e ouviu uma sinistra voz obrigando-o a matar os companheiros. Escreveu o roteiro, e passou o comando para frente pois estava num período conturbado na vida pessoal e não queria se envolver com a proposta. A direção então ficou a cargo do reconhecido Greg McLean, sempre lembrado pelo trabalho excepcional com a franquia Wolf Creek. Assim, com um elenco de rostos populares, ele desenvolveu uma produção claustrofóbica, violenta e extremamente divertida que, mesmo não sendo original, merece a recomendação.

Ao som de Yo Vivire, versão espanhola de I Will Survive, na voz de José Prieto, o público conhece mais um dia de trabalho da empresa Belko, localizada em Bogotá, na Colômbia. Os funcionários estranham as medidas cautelosas na chegada, com soldados que nunca estiveram no local, mas, logo que atravessam a roleta de acesso, já resgatam a rotina trabalhista. Destacam-se nessa apresentação Mike Milch (John Gallagher Jr.), sua namorada Leandra (Adria Arjona), que não aguenta os cortejos irritantes de Wendell Dukes (John C. McGinley), o chefe de operações Barry Norris (Tony Goldwyn), e a novata Dany (Melonie Diaz), em seu primeiro dia na empresa.

Uma misteriosa voz quebra a rotina da Belko com o anúncio do que deverá ser feito: “Há 80 funcionários na Belko. Você tem meia-hora para matar dois de vocês, ou sofrerão as consequências.” É claro que o grupo não acredita, nem mesmo quando todas as saídas são seladas por portas de metal. Até o guarda que cuida da entrada e saída, Evan (James Earl), não sabe explicar o que está acontecendo, enquanto alguns tentam manter a calma. Depois que o tempo estimado se encerra, quatro funcionários tem a parte de trás da cabeça explodida, por conta de um chip – que é considerado apenas um rastreador -, instalado no dia do ingresso nas indústrias Belko. Com o pânico estabelecido pelas mortes, quando percebem que não há nenhum atirador no recinto, a nova ordem pede que matem trinta em duas horas ou sessenta dos presentes terão o mesmo destino.

Situações extremas despertam vilões, e aqui não poderia ser diferente. Enquanto alguns tentam encontrar meios de fugir ou não querem seguir o que lhe foi proposto, logo se destacam aqueles que já buscarão armas para se defender e atacar, acreditando que a solução é realmente atender à voz. Sangue em profusão, mortes violentas com direito a cabeça esmagada com machado e até um utensílio de durex se transformam na nova rotina trabalhista, onde as relações de chefe e funcionário são deixadas de lado pelo extinto de sobrevivência.

Mike se apresenta como um lutador nato, seja pela tentativa de tirar o chip da cabeça ou quando enfrenta a ordem de não tentar buscar comunicação externa com a exposição de uma faixa no telhado. Barry coloca em prática sua experiência como militar na busca por armas e na seleção daqueles que devem ser sacrificados pela necessidade imediata. E Dany, sabendo que não possui amigos por ser uma iniciante, tenta se esconder de todos o máximo possível, mantendo a confiança apenas naquele com quem trocara algumas palavras no início do expediente.

Lembrando outras produções de sobrevivência a partir de um jogo, como Batalha Real e até Jogos Mortais, The Belko Experiment brinca com os exageros, com uma overdose de humor negro e referências à rotina da labuta. Com isso as atuações caricaturais, o sangue exagerado e a transformação de pessoas comuns em assassinas violentas dão ao filme os bons ingredientes dos 90 minutos do mais puro entretenimento. A trilha sonora, com versões de California Dreamin’, e a edição acelerada finalizam as qualidades que tornam The Belko Experiment um trabalho essencial para os fãs de horror e da ousadia de Greg McLean.

Leia também:

1 Comentário

  1. Eu tinha uma grande expectativa em cima desse filme e ela foi totalmente atendida , é um ótimo filme !
    É sangrento e divertido , mais em relação as mortes tem o ponto positivo e negativo .
    O positivo é que tem uma grande quantidade .
    O negativo é que são sem criatividade e muito repetitivas, a maioria são por tiros .
    A melhor morte do filme pra mim foi a com machadadas no rosto .
    Eu gostei bastante do final do filme , é inesperado .
    Mais analisando o filme em geral , está entre os melhores do ano até agora !
    ” The Belko Experiment ” está na minha coleção !

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *