Críticas

12 Feet Deep (2016)

Duas irmãs presas num enredo que o cinema fantástico já cansou de explorar!

12 Feet Deep
Original:12 Feet Deep
Ano:2016•País:EUA
Direção:Matt Eskandari
Roteiro:Matt Eskandari, Michael Hultquist
Produção:John Burd, Mark Myers, Hannah Pillemer
Elenco:Nora-Jane Noone, Alexandra Park, Diane Farr, Tobin Bell, Christian Kain Blackburn

O argumento básico de 12 Feet Deep também conhecido como The Deep End coloca duas irmãs presas em uma piscina olímpica. Basicamente é isso. Depende apenas da narrativa saber construir um clima de tensão e dinamismo para que o espectador se imagine numa situação parecida, tomado pelo desespero e pela sensação incômoda de claustrofobia. A ideia é parecida com a dos jovens que ficam presos numa sauna; da garota presas nas ferragens de um carro; da mãe e do filho vigiados por um raivoso São Bernardo; do relações públicas na cabine telefônica; do rapaz preso em um caixão; e até mesmo das irmãs enjauladas no fundo do mar. As variações do tema se devem à ambientação, como também algum fundo verdadeiro por trás da agonia das vítimas. No caso do longa de Matt Eskandari, é dito que o enredo se inspirou sutilmente numa história real, embora não haja essa informação no próprio filme.

A psicologicamente problemática Jonna (Alexandra Park) vai buscar a irmã no horário de encerramento do expediente de um clube de natação, às vésperas de um feriado prolongado de Ação de Graças. Enquanto Bree (Nora-Jane Noone, a Holly de Abismo do Medo) enrola um pouco para sair da água, mesmo a contragosto do responsável McGradey (Tobin “você quer jogar um jogo” Bell), Jonna não perde tempo para a costumeira discussão familiar. Ela acabou de sair de um centro de reabilitação, devido a traumas envolvendo a morte acidental do pai quando criança, e vive à sombra da irmã. Quando Bree conta a irmã que está noiva, ela descobre que aliança ficou presa no fundo da piscina. Ambas decidem buscá-la – uma desculpa esfarrapada para a outra também entrar na água -, no mesmo momento em que a piscina é coberta e o local é abandonado.

É difícil entender como isso realmente aconteceu. Imagina-se que a cobertura da piscina deve demorar em torno de uns dois minutos para atingir a sua extensão – ora, é uma piscina olímpica -, e pensar que as duas decidiram mergulhar juntas e ficaram no fundo durante todo esse tempo, sem notar a sombra da estrutura, é praticamente improvável. E soma-se a esse acidente o fato delas terem do lado de fora a testemunha de uma auxiliar de limpeza que, coincidentemente, está em condicional e decide aproveitar a desvantagem da dupla para chantagear. É claro que a presença de Clara (Diane Farr) ali é o dinamismo que o enredo precisava para segurar o espectador, como aconteceu com a cobra em Enterrado Vivo (2010), as prostitutas de Por um Fio (2002), incluindo as crises respiratórias do menino de Cujo (1983).

Aliás, Bree é diabética e necessita de doses constantes de insulina. Ela passará mal, precisará do medicamento, e a chantagista estará cercando as duas como os tubarões de Mar Aberto (2003). A saída talvez seja com o auxílio da grade do fundo da piscina, mas Jonna vive com medo de seus “próprios monstros“, e necessitará de um diálogo que resolva a situação delas para despertar sua coragem. Drama familiar com diferenças sendo discutidas também faz parte do roteiro do diretor em parceria de Michael Hultquist.

Está sendo bastante elogiado em reviews por aí. Contudo, em vista dos detalhes, não traz nada de novo. Tem boas atuações e uma direção correta, mas incomoda por não ir além do óbvio. A premissa é aquela que eu indiquei no começo da análise, que, tendo como base todas as inspirações, não deixa de ser bem rasa.

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1 Comentário

  1. Marcus Matheus

    a ideia é boa, mas o tamanho do filme é exagerado, pois sustentar só nesses personagens em 1 h e 25 min é muita coisa, quando tava em 40 min eu já estava querendo que acabasse

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