Críticas, Quadrinhos

Espadas e Bruxas (2017)

A pioneira obra que definiu o gênero espada e feitiçaria nos quadrinhos.

Espadas e Bruxas
Original:Espadas y Brujas
Ano:2017•País:Espanha
Páginas:256• Autor:Esteban Maroto•Editora: Pipoca e Nanquim

Tendo começado a carreira ainda nos anos sessenta com o clássico sci-fi, Cinco por Infinito, foi em 1972 que o quadrinista espanhol Esteban Maroto se tornou pioneiro naquilo que viria a ser conhecido como o gênero “espada e feitiçaria”. Inspirado pela literatura fantástica cujas capas de gênios como Frank Frazetta ele sempre admirou, Maroto criou o bárbaro Wolff, alguns meses antes da publicação da primeira adaptação para os quadrinhos de Conan. A arte magistral de Maroto não passou batido pelos editores americanos, que o convidaram a criar um novo personagem para a Warren, editora que publicava títulos de horror como Creepy, Eerie e Vampirella. Deste convite, nasceu Manly, que foi rebatizado nos EUA como Dax.

As histórias de Maroto, sempre povoada com belas mulheres – aliás, ninguém desenha mulheres como ele – renderam um convite da editora alemã Verlags Presse para criar um novo personagem para as páginas da revista Pip. O único pedido é que as histórias carregassem um forte teor erótico. E assim nasceu Korsar, o terceiro bárbaro de Esteban Maroto, este verdadeiro mestre da nona arte que há muito tempo não era publicado no Brasil. A estreante editora Pipoca e Nanquim reuniu todas as aventuras dos bárbaros de Maroto em um belíssimo encadernado intitulado Espadas e Bruxas, como o gênero que ele ajudou a criar.

Escritas nos anos 70, as histórias de Espadas e Bruxas surpreendem por seu caráter atemporal. A arte de Maroto é algo que pouco se viu nos quadrinhos, com seu traço fluido e orgânico, suas composições de página ousadas e experimentais e seu domínio da anatomia, principalmente a feminina, Maroto não só ajudou a criar um novo gênero nos quadrinhos, como definiu padrões que dificilmente seriam atingidos nas décadas que se seguiram. O bárbaro sempre de espada em punho às voltas com criaturas mágicas terríveis e belas mulheres, fatais ou em perigo, tornaram-se características definidoras da “espada e feitiçaria”.

Porém, ao mesmo tempo em que isso torna sua obra tão importante, quando reunida em um único encadernado de mais de 250 páginas, a trilogia de Maroto pode se tornar um pouco repetitiva. Por mais que a narrativa do autor evolua ao longo do encadernado, organizado em ordem cronológica, ela sempre é construída a partir dos mesmos elementos. Porém, se nos atemos aos detalhes da arte, e à composição de páginas e enquadramentos, a leitura consegue surpreender a cada página. É impressionante o nível de ousadia e beleza impressas nos traços, hora minimalistas, hora rebuscados, de Maroto.

A escolha de Espadas e Bruxas para abrir o catálogo de publicações do Pipoca e Nanquim é certeira e dá  o tom do que podemos esperar da editora no futuro. Um trabalho feito por não só quem entende de quadrinhos, mas por quem gosta e, como todo bom leitor, quer que mais pessoas conheçam as obras que admiram tanto. O encadernado ainda traz textos introdutórios escritos por Maroto para cada um dos seus personagens e textos de Roy Thomas e do historiador e editor Juan Miguel Aguilera, além de uma bela galeria de ilustrações. O acabamento gráfico é impecável, com capa dura envernizada e papel couche de alta gramatura que recebe muito bem a impressão em preto e branco.

O resgate dessa obra inigualável é uma grata surpresa. E saber da boa recepção pelos leitores enche de esperanças aqueles que já cansaram de ver nas livrarias apenas mais do mesmo com editoras apostando apenas no padrão. Espadas e Bruxas de Esteban Maroto é tão indispensável para a estante de qualquer bom leitor de quadrinhos quanto uma espada afiada para as mãos de um bárbaro.

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2 Comentários

  1. Ed

    Este quadrinho é maravilhoso!

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