Críticas, Quadrinhos

Frankenstein: Entre O Céu e o Inferno (2016)

O monstro de Mary Shelley em uma aventura pulp aos moldes de Júlio Verne e Lovecraft

Frankenstein - Entre o Céu e o Inferno
Original:Frankenstein Underground
Ano:2016•País:EUA
Páginas:Autor:Mike Mignola, Ben Stenbeck, Dave Stewart•Editora: Mythos Editora

 

Em 1818, a jovem autora Mary Shelley lançou seu romance de terror gótico, Frankenstein: Ou O Prometeu Moderno, obra que é considerada a primeira ficção científica da história e aquela que apresentou para o mundo uma das criaturas mais importantes do horror, o monstro de Frankenstein. Em agosto de 1993, Mike Mignola apresentava para o mundo, pela primeira vez, no gibi San Diego Comic-Con Comics #2, aquela que se tornaria a sua maior criação, e um dos personagens mais importantes dos quadrinhos de horror de todos os tempos, o Hellboy.

Apesar da resistência de Mignola em inserir outras criaturas ficcionais no universo de seu personagem, até que em 2011 o autor decidiu trazer o monstro de Frankenstein para enfrentar Hellboy em uma luta em A Casa dos Mortos-Vivos. A experiência deu muito certo e Mignola decidiu trazer a atormentada criatura de volta para mais uma aventura em Frankenstein: Entre O Céu e o Inferno.

Mas é bom? Se Frankenstein (vamos chamá-lo assim para facilitar a minha vida) lutando contra demônios, sociedades secretas, homens das cavernas e dinossauros no centro da Terra não é o suficiente para que você corra comprar esta revista, vou tentar detalhar melhor os pontos positivos deste encadernado.

A primeira coisa que o leitor deve ter em mente é que, apesar de se passar no universo de Hellboy, Frankenstein: Entre O Céu e o Inferno pode ser lido de maneira independente. A HQ é uma continuação direta de A Casa dos Mortos-Vivos, mas faz pouca ou nenhuma menção a histórias anteriores e pode ser apreciada tanto pelo fã de Hellboy e do B.P.D.P., quanto pelo fã de Frankenstein. O prazer será maior para aquele leitor mais familiarizado com os conceitos criados por Mignola previamente, mas o leitor casual pode abraçar a revista sem medo de ficar perdido. O tradicional “Glossário Arcano” organizado pelo editor Fernando Bertacchini ao final do encadernado irá se encarregar de sanar quaisquer dúvidas que acabem surgindo.

A história é muito simples, aos moldes dos clássicos de ficção-científica pulp, e mostra Frankenstein fugindo após sua luta com Hellboy em busca de redenção chegando a uma terra desconhecida nos subterrâneos do México. Lá ele irá se deparar com forças ancestrais que dominam uma civilização oculta, conspirações sobrenaturais e, como não poderiam faltar, criaturas dignas dos mais obscuros pesadelos lovecraftianos.

A narrativa sempre ágil e fluida de Mike Mignola, aliada aos traços de Ben Stenbeck, que mesmo não sendo o melhor artista da série ainda é bastante competente, tornam a leitura rápida e saborosa como uma aventura deve ser. As tradicionais cores de Dave Stewart se encarregam de garantir a unidade com todo o universo de Hellboy. Para o leitor viciado em filmes de terror, ainda dá pra procurar referências às diversas adaptações cinematográficas do célebre romance de Mary Shelley que adicionam valor de entretenimento ao gibi. Como ponto negativo, fica o preço elevado demais para um encadernado de 148 paginas e que pode, infelizmente, afastar os leitores eventuais, mesmo com todo o ótimo acabamento gráfico.

Caso ainda haja alguma dúvida, eu só posso dizer: Frankenstein enfrentando homens das cavernas, sociedades secretas e dinossauros no centro da Terra com um clima delicioso de aventura pulp misturado com Sessão da Tarde, Lovecraft, Júlio Verne e Conan Doyle. Tem como ficar melhor?

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