Críticas, Quadrinhos

O Sombra Vol.1 – O Fogo da Criação (2013)

O vingador sombrio está de volta pelas mãos de Garth Ennis, criador de Preacher e um dos melhores escritores a marcar presença em Hellblazer e Justiceiro

O Sombra - Vol. 1 - O Fogo da Criação
Original:The Shadow Vol.1 – The Fire of Creation
Ano:2013•País:EUA
Páginas:200• Autor:Garth Ennnis e Aaron Campbell •Editora: Mythos Editora

O vingador sombrio está de volta pelas mãos de Garth Ennis, criador de Preacher e um dos melhores escritores a marcar presença em Hellblazer e Justiceiro. Mas o que podemos esperar do nosso querido escritor irlandês acostumado a “causar” por todos os quadrinhos e editoras por onde passou?

Criado para um programa de rádio em 1930 por Walter Brown Gibson, o Sombra é a identidade secreta de Lamont Cranston, playboy milionário que sai à noite trajando capa e chapéu pretos com um lenço vermelho cobrindo o rosto, fazendo justiça com suas duas pistolas Colt 45, sua pontaria impecável e seu dom de dominar as mentes mais fracas. Em 2012 a editora Dynamite Entertainment começou aos poucos trazer de volta personagens outrora esquecidos ou, de certa forma, mal aproveitados, criando um universo particular com heróis pulp povoado com personagens como Besouro VerdeFantasma, ZorroDoc Savage e o Sombra.

Para escrever as novas histórias do vingador que sabe “o mal que espreita no coração dos homens”, a editora colocou Garth Ennis, famoso por seus roteiros polêmicos como Preacher e a controversa The Boys, também publicada pela Dynamite. A arte ficou por conta de Aaron Campbell, desenhista pau-pra-toda-obra, pouco conhecido do público acostumado com as grandes editoras, mas que já desenhou Besouro VerdeDarknessSherlock Holmes e Dark Shadows para a editora.

Fogo da Criação se passa durante a Segunda Guerra Mundial quando Cranston é chamado pelo governo para ajudar na caça a um grupo de espiões japoneses que possuem pistas que levam a uma arma que pode mudar de vez os rumos da Segunda Guerra. Ennis aproveita seu vasto conhecimento sobre guerras para rechear a aventura com fatos históricos que dão um ar mais verossímil ao roteiro. Elementos como o domínio do Japão sobre a China, a corrida armamentista para definir de uma vez por todas que lado sairia vitorioso, entre outros fatos menores, pontuam o texto aqui e ali.

A nova versão de Ennis respeita o original, dando pistas do passado de Cranston como Kent Allard, um chefão do crime que encontra redenção após ser raptado por um grupo de monges no Tibet com o objetivo de redimir seus pecados e torná-lo, ele mesmo, um caçador de criminosos como o que costumava ser. Mas não espere ver aqui as blasfêmias escrachadas às quais os leitores do irlandês estão acostumados. Aqui, elas estão espalhadas em pequenos detalhes ao longo da revista, como por exemplo, quando o Sombra usa seu anel para hipnotizar um inimigo e pergunta “o que você está fazendo com seu braço enfiado até o cotovelo em sua mãe”. O Sombra de Ennis é violento, irônico e ameaçador, mas consegue não perder aquele ar inocente da era do rádio. Palmas para Ennis.

Aaron Campbell, apesar de ser um desenhista versátil e criar cenas bastante sombrias e gráficas, casando muito bem com os elementos sobrenaturais e bélicos do roteiro, deixa muito a desejar quando se trata de dinamismo e movimento em seus quadrinhos. Em alguns pontos a passagem de um quadro para o outro é bem estática, prejudicando um pouco a ação. Nada que afete o desenvolvimento do roteiro, mas a figura do Sombra com sua capa preta, sua pontaria certeira e seu lenço vermelho esvoaçante, exige um pouco mais de fluidez nos quadros.

Longe das bancas brasileiras desde os anos 90, este retorno do personagem ao Brasil pela Mythos Editora acontece em grande estilo. O encadernado é caprichado, com capa dura, englobando as seis primeiras edições da série mensal do personagem nos EUA (onde também permaneceu longe das comic shops por mais de uma década), além de uma vasta galeria de capas alternativas por gente do calibre de Howard Chaykin (American Flagg), Jae Lee (Antes de Watchmen: Ozymandias) e Alex Ross (Marvels, Reino do Amanhã) – que assina as capas principais da revista, incluindo a selecionada para estampar a deste encadernado -, além do roteiro da primeira edição e um deck de cards com diversos personagens da Dynamite lançados pela Mythos posteriormente.

O Fogo da Criação além do ótimo sabor nostálgico que serve para os fãs brasileiros do Sombra matarem a saudade, é um excelente ponto de partida para quem quer conhecer o personagem. Ponto positivo para a Mythos que nos entrega um belo encadernado por um preço acessível (R$ 39,90 na época de seu lançamento) que facilita o primeiro contato, viabilizando a continuidade da publicação de O Sombra por aqui. Com isso, a editora já lançou um segundo volume, escrito pelo romancista policial Victor Gischler, os crossovers do personagem com o Besouro Verde e Grendell, além do espcial Máscaras, que reúne vários dos personagens pulp da Dynamite e, mais recentemente, O Sombra – Grandes Mestres, reunindo a clássica minissérie escrita por Howard Chaykin.

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