Críticas

Planeta dos Macacos: A Guerra (2017)

Em busca de vingança, César parte para uma investida contra uma facção militar, no terceiro e mais emocionante filme da franquia!

Planeta dos Macacos: A Guerra
Original:War for the Planet of the Apes
Ano:2017•País:EUA, Canadá, Nova Zelândia
Direção:Matt Reeves
Roteiro:Mark Bomback, Matt Reeves
Produção:Amanda Silver
Elenco:Andy Serkis, Woody Harrelson, Steve Zahn, Karin Konoval, Amiah Miller, Terry Notary, Ty Olsson, Michael Adamthwaite, Toby Kebbell, Gabriel Chavarria

Parece realmente impossível que macacos inteligentes e humanos co-existam. A disputa de egos, o estranhamento a partir das diferenças e a busca por espaço são a pólvora de conflitos inevitáveis. Inspirada na obra clássica de Pierre Boulle, que originou uma franquia fantástica entre os anos 60 e 70, os macacos voltariam a demonstrar sua capacidade de união e força na refilmagem de Tim Burton, lançada em 2001, até a atual trilogia, iniciada por Planeta dos Macacos: A Origem, de Rupert Wyatt, com muitas referências à obra original. Depois viria a primeira continuação, Planeta dos Macacos: O Confronto, culminando, por fim, com o terceiro capítulo, que chegou aos cinemas brasileiros em 3 de agosto.

A direção segura de Matt Reeves em O Confronto incentivou a 20th Century Fox, em parceria da Chernin Entertainment, a fechar um contrato de compromisso para mais uma sequência. As filmagens de Planeta dos Macacos: A Guerra tiveram início em 14 de outubro de 2015, com duração de seis meses e algumas correções entre janeiro e fevereiro deste ano. Com um orçamento estimado em U$150 milhões, o longa teve um bom resgate da quantia, atingindo com facilidade valores superiores a U$310. E a qualidade técnica, dos efeitos especiais da Weta Digital à trilha bem orquestrada de Michael Giacchino, só poderia resultar em resenhas positivas e a boa aceitação da maioria do público. Em São Paulo, na cabine para jornalistas, a Fox transformou o cinema de exibição em uma aparente selva, com detalhes em verde e sons que imitavam animais selvagens.

As boas críticas fazem jus ao filme: realmente Planeta dos Macacos: A Guerra é um filme bem intenso, com dramaticidade, cenas de ação e ótimas atuações. No entanto, esse exagero no melodrama acabou ofuscando a tão aguardada “Guerra“, deixando-a apenas nos ensaios. Se provocar os macacos deveria despertar seu lado humano – agressivo e irracional -, por outro lado não foi tão grandioso quanto se esperava. Um título mais adequado poderia ser Planeta dos Macacos: A Vingança, tendo em vista os motivos que causaram o conflito violento.

O filme se passa dois anos após o final do anterior. A aparente calmaria provocada pela morte de Koba (Toby Kebbell) se encerra com as investidas de uma facção militar conhecida como Alpha-Omega, sob a liderança de um ardiloso Coronel (Woody Harrelson). Contando com o apoio dos macacos que seguiam Koba – e que são apelidados de “Donkeys” (“Burros” em inglês) -, o ataque dos soldados é frustrado pela esperta recepção dos animais, resultando na prisão de alguns humanos, além do gorila Red (Ty Olsson), que depois consegue a fuga devido a uma traição. Os humanos são soltos por Cesar (Andy Serkis), que pede apenas que avisem o Coronel que ele não está em guerra, demonstrando uma clemência que lhe pode custar caro.

Quando o filho de Cesar, Olhos Azuis (Max Lloyd-Jones) retorna de uma viagem de exploração com Rocket (Terry Notary), eles anunciam que existe um lugar no deserto onde os macacos podem viver sem o incômodo dos humanos. Mas, antes da partida, o Coronel volta ao acampamento dos macacos com seus soldados e mata a esposa Cornélia (Judy Greer) e o filho de Cesar. Assim, ele pede que os demais iniciem a jornada ao local seguro enquanto busca vingança, indo na direção da facção Alpha-Omega a partir de seus rastros. Em sua companhia, também partem o orangotango Maurice (Karin Konoval), além de Luca (Michael Adamthwaite) e Rocket.

No caminho, encontram uma garotinha (Amiah Miller), que era protegida pelo pai numa cabana. Levam-na com eles, sob os cuidados de Maurice. Posteriormente, encontrarão também o divertido Bad Ape (Steve Zahn), um macaco pelado que traz os momentos mais interessantes do longa. Depois que encontram um soldado que também não fala, os macacos irão descobrir que a doença que matou metade da população está passando para um estágio mais avançado, que inclui a exclusão da fala humana. Essa involução faz parte das brincadeiras do enredo de Mark Bomback e Matt Reeves, já prevendo a inversão de inteligência das espécies.

Aliás, o roteiro é repleto de referências, tanto em relação à franquia original – com a pequena sendo chamada de Nova – quanto a produções clássicas de guerra como Apocalypse Now e A Ponte do Rio Kwai. Os mais atentos encontrarão inspirações em Fugindo do Inferno e até Josey Wales – O Fora da Lei em diálogos e confrontos psicológicos entre os dois principais inimigos. A prisão de César e a influência da pequena na resolução dos conflitos, levando água e alimento para os prisioneiros, são a base de algumas conexões, confirmando as intenções de Reeves de assistir a dezenas de filmes para concluir o roteiro.

São acréscimos que tornam a experiência ainda melhor. No entanto, a guerra, nas proporções imaginadas, não aconteceu. Quando tudo parecia desenrolar para uma batalha sangrenta no último ato, uma força externa contribuiu para encerrar qualquer possibilidade, deixando no espectador apenas a vontade de rever esses macacos sensíveis em sua constante luta desigual. Pelo modo como termina, parece que essa franquia dos apes inteligentes chegou ao fim até algum cientista louco decidir realizar novos experimentos ousados com outras cobaias. Eu não me importaria em vê-los novamente em cena, mesmo que seja para emocionar.

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1 Comentário

  1. pablo

    Planeta dos macacos só os 2 primeiros lá dos anos 70.

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