Críticas

Terror nos Bastidores (2015)

Trata-se de um grande festival de referências aos slashers dos anos 80 e é divertidíssimo acompanhar e reconhecê-las!

Terror nos Bastidores
Original:The Final Girls
Ano:2015•País:EUA
Direção:Todd Strauss-Schulson
Roteiro:M.A. Fortin, Joshua John Miller
Produção:Michael London, Janice Williams
Elenco:Taissa Farmiga, Malin Akerman, Adam DeVine, Alexander Ludwig, Nina Dobrev, Alia Shawkat, Thomas Middleditch, Angela Trimbur, Chloe Bridges, Tory N. Thompson

Imagine entrar por acidente no seu filme de terror favorito? E em um piscar de olhos chegar ao acampamento Crystal Lake e ajudar Alice e os demais monitores a preparar o local? Ou entrar no hospital de Haddonfield para visitar Laurie Strode? E quem sabe até virar vizinho de Nancy Thompson e perceber que a turma da rua Elm está abusando do café para ficar acordado até tarde? Para qualquer fã de filmes de terror estes cenários vão soar como convites irrecusáveis. Mas estas possibilidades também vão oferecer alguns riscos como ser assassinado pela senhora Voorhees, por Michael Myers ou por Freddy Krueger. A não ser que você seja a final girl da trama.

Este enredo no mínimo curioso é o mote central do divertidíssimo filme Terror nos Bastidores (The Final Girls). A produção foi roteirizada por Joshua John Miller. Nunca ouviu falar dele? Pois o rapaz é filho de Jason Miller, o padre Karras de O Exorcista e O Exorcista 3. Pois John Miller escreveu Terror nos Bastidores como uma forma de lidar com a morte do pai, que faleceu em 2001. A história criada por ele é um grande festival de referências de filmes slashers dos anos 80 e boa parte da diversão para quem assiste Terror nos Bastidores é justamente acompanhar e reconhecer cada uma destas referências.

No filme conhecemos a jovem Max (Taissa Farmiga), cuja mãe Amanda Cartwright (Malin Akerman) participou em 1986 no papel de Nancy de um slasher chamado Camp Bloodbath (Acampamento Banho de Sangue). Na “vida real” Amanda morreu em um acidente de carro e, no aniversário de três anos do falecimento, Max decide aceitar o convite dos amigos para assistir a uma sessão especial do filme da mãe. Durante a projeção, um grande incêndio toma conta do prédio e Max foge com os amigos pela tela. Mas para a surpresa de todos, os cinco jovens saem na verdade dentro do filme da mãe de Max.

Presos no filme Camp Bloodbath, Max e seus amigos se apresentam aos demais personagens como monitores extras e secretamente fazem um plano para evitar que o assassino mascarado, aqui batizado de Billy, faça mais vítimas. Mas claro que em um filme como este é até previsível que todos os planos vão dar errado com direito a situações no mínimo cômicas e bizarras. Para se ter uma ideia, os planos dão tão errado que a final girl original de Camp Bloodbath acaba sendo uma das primeiras a morrer em um acidente de carro que originalmente não existia na filme. Resta ao grupo procurar uma nova final girl enquanto Billy mata quem ousar tirar a roupa para transar.

A direção ficou por conta de Todd Strauss-Schulson, que trabalhou de forma bem humorada com personagens e situações que vão além dos clichês. Ao mesmo tempo o filme também possui uma direção de fotografia contemporânea através de muitos movimentos de câmera, cortes e diversas cenas bem trabalhadas visualmente com aspectos de videoclipes. E por termos um filme dentro de um filme, torna-se possível apresentar algumas ótimas tiradas do roteiro como tropeçar nos créditos ou literalmente entrar em um flashback.

Já os personagens são as cerejas deste bolo sendo cada um mais exagerado do que o outro como as virgens, as sexualmente super ativas, os gostosões, os nerds e as feias. Um detalhe sobre os personagens é que a mocinha Nancy foi claramente inspirada em Amy Steel de Sexta-feira 13 – Parte 2. E o nome faz referência à final girl de A Hora do Pesadelo.

O único ponto que a dupla de realizadores não conseguiu tirar do papel foi a inclusão da canção Like a Prayer, da cantora Madonna, em uma cena na qual a mãe de Max está cantando no carro e diz que trata-se da sua música favorita. Strauss-Schulson e John Miller escreveram uma longa e apaixonada carta para a cantora pedindo para usarem a canção. Algumas semanas depois e a própria Madonna respondeu explicando que eles poderiam usar qualquer música dela, menos Like a Prayer visto que ela não possui os direitos de uso da canção e sim a gravadora.  Bette Davis Eyes de Kim Carnes entrou então como a música tapa buraco.

Curiosamente o primeiro tratamento do roteiro quase gerou um filme bastante diferente pois a New Line Cinema teria pedido um terror muito mais psicológico. Quando a New Line perdeu interesse pelo projeto, os donos da ideia apresentaram o roteiro para a Sony, que não apenas gostou como investiu na questão satírica do filme. E se o filme nos diverte do começo ao fim, a sequência final e o prólogo também não deixam a desejar.  Desta forma, o que você está esperando? Chame os amigos e divirta-se com Terror nos Bastidores.

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4 Comentários

  1. Paulinha

    Eu gostei, bela homenagem aos clássicos.

  2. Sergio

    Muito obrigado! assisti há algumas semanas atrás graças à esse texto(q não li inteiro p n tomar spoiler). Todos quem eu o recomendei curtiram!

  3. Achei MUITO RUIM , vi n Sky , n recomendo a nenhum fã de horror n

    • Diegão

      Também não gostei… apesar das referências, a premissa não correspondeu às minhas expectativas. Não recomendo.

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