Críticas

Clown (2014)

Não existe coisa mais creep que uma festinha infantil com palhaços por todos os lados. E essa é a abertura de Clown!

Clown
Original:Clown
Ano:2014•País:EUa, Canadá
Direção:Jon Watts
Roteiro:Christopher Ford, Jon Watts
Produção:Eli Roth, Mac Cappuccino, Brian Oliver, Cody Ryder
Elenco:Andy Powers, Laura Allen, Peter Stormare, Christian Distefano, Eli Roth

– Odeio palhaços!
– É o que ele queria, tem sete anos
– Quando eu tinha sete anos, achava palhaços assustadores
– Diga isso ao palhaço quando ele chegar aqui.

Será que realmente existem crianças que gostam de palhaço? Fico feliz por não feito parte dessa estatística, pois não existe coisa mais creep que uma festinha infantil com palhaços por todos os lados. E essa é a abertura de Clown. Inclusive, que abertura incrível, com pequenos flashes de uma festa de aniversário ao som de gritos de crianças. Seriam gritos de felicidade ou terror? É isso que o filme vai explorar, a linha tênue entre diversão e terror. As metamorfoses entre uma coisa e outra.

O filme acompanha uma família na festa de aniversário do filho Jack (Christian Distefano). A mãe, Meg (Laura Allen) está em casa cuidando dos preparativos e revela para a amiga está grávida do segundo filho. Uma informação que julgamos ser importante de início, mas que depois se revela como um fato inútil para a trama. Enquanto isso, o marido, Kent (Andy Powers) está numa das casas que tenta vender como corretor imobiliário. Nesse momento Kent recebe uma ligação de Meg dizendo que o palhaço que contrataram não poderá vir a festinha. Para não decepcionar o filho, Kent começa a vasculhar a casa que está colocando à venda e encontra trancado num baú, um tanto quanto suspeito, uma antiga roupa de palhaço.

Aí está a solução! Kent se veste de palhaço, volta para a casa, anima a festa de Jack e tudo parece correr bem. Mas e para tirar essa fantasia? Ela simplesmente não sai de jeito nenhum. Meg consegue arrancar o nariz com uma ação praticamente cirúrgica. É como se a roupa tivesse colado na pele de Kent e a peruca fizesse parte de seu couro cabeludo.

A procura de respostas e se sentindo fisicamente estranho (ficando cada vez mais branco, perdendo dentes e sentindo muita fome) Kent acaba descobrindo uma lenda urbana que envolve a origem dos palhaços. A roupa não é uma simples fantasia, mas uma mescla de espírito, demônio e entidade mitológica que vai assumindo aos poucos seu corpo e, talvez, sua mente.

Toda essa base narrativa de Clown acontece nos primeiros trinta minutos de filme. Tudo é muito rápido e se você piscar perde algum detalhe da ação. Entretanto, o restante do longa não consegue acompanhar o ritmo ditado no início. As revelações e motivações são feitas logo de cara, deixando para o final apenas a pergunta: Kent consegue se livrar da roupa de palhaço? E, sinceramente, isso não é suficiente para segurar o filme. Mesmo com cenas de terror e escatologias, as coisas se tornam um pouco óbvias.

As atuações são boas. Nenhuma que mereça destaque ou reprovação. Os atores cumprem o seu papel e conseguem mostrar o desespero trazido pela situação “homem louco vestido de palhaço na família”. A atuação mais fraca é do filho do casal, Jack, com cenas overacting e uma relação completamente implausível com a mãe e o pai. Parece que ele é uma criança estranha que foi colocada ali.

Além dos trinta minutos iniciais que tem um bom ritmo, o outro ponto forte do filme é a transformação de Kent. De um cara comum, com trabalho e família, para um ser instável e em degradação. Fica clara a transição entre os momentos que Kent ainda tem o controle da situação, para quando isso já está se perdendo. É uma metamorfose física e mental que foi executada de maneira muito intensa pelo longa. Pena que esses momentos ficam de lado em detrimento de cenas de perseguição e nojeiras que acabam não trazendo nada de novo ao tema, o que seria diferente e teria feito de Clown um outro filme se o foco maior fosse a transição do personagem.

Clown é um bom filme de terror. Tem uma narrativa redonda, com poucas arestas e um personagem aterrorizante. Peca justamente nas escolhas feitas para essa narrativa – se o filme tivesse desenvolvido outros fatores (a metamorfose, principalmente) poderia ter se tornado um filmaço, quando na realidade é apenas ok.

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1 Comentário

  1. Eliezer

    O começo do filme é mesmo interessante, mas lá pela metade fica tão maçante que tive de ir adiantando as cenas só pra não parar de assistir sem ver o final.

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