Críticas

Embalsamado (1983)

Fãs de Bill Paxton, colecionadores de slashers e quem não tem nada melhor para fazer podem perder um pouco de tempo sem muitos ressentimentos

Embalsamado
Original:Embalmed / Mortuary
Ano:1983•País:EUA
Direção:Howard Avedis
Roteiro:Howard Avedis
Produção:Howard Avedis, Marlene Schmidt
Elenco:David Wallace, Bill Paxton, Lynda Day George, Christopher George, Curt Ayers, Bill Conklin, Donna Garrett, Greg Kaye, Denis Mandel, Alvy Moore, Danny Rogers, Beth Scheffell, Marlene Schmidt, Violet Manes

“Hey Boogeyman- let’s boogie!” – Paul Andrews

Quando você encontra um encarte com um corpo decomposto saindo de um tumba e a interessante taglineAntes do seu funeral… Antes que a última pá de terra for colocada sobre você.. tenha certeza que está realmente morto…“, a primeira vista você pode achar que é um filme de zumbis ou algo semelhante. Então lendo a sinopse, vê que é um slasher e daí fica mais intrigante pois parece tratar-se de um doido varrido que ataca as pessoas e tenta enterrá-las vivas.

Pois então, você coloca no vídeo e espera… Espera… Aí quando você acorda, já está nos créditos finais. Basicamente este é o filme Embalsamado, também lançado com o nome Mortuary, uma produção barata que pode ser classificada como uma daquelas feitas às pressas para pegar dinheiro de bilheteria na explosão de terror dos anos 80.

Escrito e dirigido pelo desconhecido Howard Avedis, trata-se de um filme de serial killer medíocre como tantos e tais como estes caiu no limbo do esquecimento. Merecido? Talvez, só que a presença do futuro renomado ator Bill Paxton (Aliens, Predador 2, Twister…) em uma interpretação que não deve nada a Jim Carey e várias situações ridículas tornam-no em um filme que vale ao menos uma olhadinha, mesmo que seja só para matar o tempo em um dia monótono qualquer.

Em uma mansão, um homem está relaxando a beira da piscina quando subitamente recebe uns golpes de porrete no meio das costas e no rosto por alguém desconhecido, caindo dentro da piscina e morrendo afogado. Sua filha Christie Parson (Mary Beth McDonough, mais conhecida por seu papel na dinossérie Os Waltons) sai pela sacada da casa, se desespera ao ver o pai se afogando, mas é tarde demais. Você já começa a ter uma visão de que algo ruim está para ocorrer (com o público, é claro) no momento que o diretor entrega toda essa cena em câmera lenta, já que as cacetadas que o homem leva e as reações realçam a artificialidade da situação.

O filme prossegue com dois jovens, Greg Stevens (David Wallace, A Ilha dos Cães) e Josh (Denis Mandel), entrando em um grande depósito para roubar alguns pneus carecas e alegando que seu ex-patrão lhe devia dinheiro. O galpão é cheio de coisas estranhas como uma cadeira de rodas, um equipamento para embalsamar corpos e até um rifle (?!), sendo que o mais notório é a grande quantidade de caixões, onde inclusive um braço pende pela fresta de um deles. No entanto, os rapazes não notam e continuam explorando o local sem maiores preocupações. Eles então avistam um ritual com a participação da sogra de Greg e liderado por Hank Andrews (Christopher George, de O Terror da Serra Elétrica, que morreu pouco depois do lançamento do filme vítima de um ataque cardíaco), chefe de Josh, que aproveita o momento para revelar que foi demitido porque fora pego assistindo a este ritual no necrotério. A propósito, que raios de ritual é esse? Christopher George fica olhando para cima apoiado em um púlpito, e vê cinco mulheres circulando em volta de um caldeirão que entope o lugar de fumaça, murmurando cânticos sem sentido e fazendo movimentos coordenados e repetitivos, quase como dançarinas de programas dominicais de auditório. É tosco até o osso… E por isso mesmo engraçado.

Greg fica curioso com a bizarrice (ou a situação ridícula) e continua a observar o grupo. Josh se entedia e vai buscar os pneus na sala ao lado. Porém enquanto está retornando ao local onde está Greg, ele vê o braço saindo do caixão e reconhece a mulher de seu patrão. O ritual que Greg assistia acaba, a porta entre Josh e Greg inexplicavelmente se fecha, e um maluco maquiado mata Josh empalado com uma mangueira usada para embalsamar corpos.

Agora mais uma pausa, porque se você ainda tinha alguma dúvida que se trata de um filme pobre (em todos os sentidos), repare bem nessa primeira seqüência de assassinato e confirme suas suspeitas: a barriga de Josh, quando o cano é enfiado, é nitidamente de espuma, os quadros em que o rosto do matador aparece são notoriamente filmados em outro lugar. Isso para não falar de erros primários de edição, que desafiam leis da anatomia, tempo e espaço. Claro que não deveríamos estar esperando um Cidadão Kane, mas aí já é abusar demais.

Do mesmo jeito que a porta se fechou ela se abre e Greg fica desnorteado já que o local está limpo e apenas um pneu pendurado em uma corda aparecendo para assustar o rapaz (só não me pergunte como ele foi parar lá – não faço ideia).Em seguida, ele vê o furgão em que chegaram sair em disparada pelo pátio do galpão.

Greg está pau da vida porque pensa que Josh está pregando uma peça para ele e só sai de lá com a ajuda de sua namorada Christie, resolvendo ir procurá-lo na pista de patinação. Os dois acabam encontrando o veículo, mas está trancado e entram para localizar o rapaz. Conversam com alguns amigos, mas o alvo principal não está lá. Então sem mais nenhuma opção, ambos deixam o local, e a van já não está mais no estacionamento. Nesta sequência, tente ignorar a baladinha mela cueca que está tocando para não se irritar.

Christie dá uma carona até a casa de Greg e tentam dar uma esticadela no banco de tras, se é que você me entende, hehehe… O assassino com seu canudinho afiado já estava esperando pelos dois e quando está para abrir a porta do carro e dar cabo da duplinha eis que os pais de Greg saem pela varanda e acabam com o barato dos três. O matador cagão sai correndo sem deixar vestígios.

Amanhece, Christie vai a escola e é abordada por Paul Andrews (Bill Paxton), o nerd-esquisito-suspeito que a convida para escutar Mozart depois da aula, mas é interrompido por Greg, e vão para a aula. Quer dizer, estamos numa escola de cinema dos anos 80. O cara está com um disco do The Doors debaixo do braço e chama uma garota para escutar Mozart?! Não me admira que não tem sucesso com as mulheres, hehehe… Como o sobrenome entrega, Paul é filho de Hank, o cara do ritual no começo do filme e dono de uma funerária, que nas horas vagas ajuda no necrotério, embalsamando cadáveres. Um trabalho bem gratificante se me permitem dizer…

De volta a trama, o furgão de Greg é encontrado abandonado na rodoviária e Christie volta para a casa assustada, pois acha que foi seguida por um carro preto, entretanto sua mãe Eve (Lynda Day George, de Formigas Assassinas e que na época foi esposa de Christopher George com quem trabalhou em O Terror da Serra Elétrica) não acredita e alega que é tudo mais uma alucinação causada pela morte de seu pai. Chrtistie inicia uma discussão com sua mãe: a garota afirma que ele foi assassinado, como ela vê em sonhos recorrentes (iguais o da introdução do filme) e que sua mãe não se importa com isso e, em contrapartida, Eve afirma que foi um acidente, já que muito foi investigado e nenhuma evidência encontrada – a queda de braço termina sem vencedores.

Acontece que Greg também tem seus problemas quando vai buscar seu furgão na delegacia e é questionado pelas circunstâncias misteriosas do desaparecimento de Josh. È desacreditado quando fala do ritual no depósito, mas sem nenhum tipo de acusação formal, é liberado.

A noite cai e Christie tem mais um pesadelo envolvendo a morte de seu pai, só que além disso a garota se revela uma super-sonâmbula e sai andando do quarto, da casa e continua até quase se afogar na piscina (eu hein? Alguém me amarre na cama, por favor..). Quando acorda e se dá conta até onde foi, ela enxerga Ghostface.. eh..digo.. o maluco do espeto por perto, corre para dentro de casa e mais uma vez sua mãe afirma que tudo não passou de um sonho ruim (e põe ruim nisso…).

No dia seguinte, Greg e Christie se encontram no cemitério (ohhh.. que romântico…), onde o rapaz revela que reconheceu sua mãe no ritual do começo do filme e são interceptados novamente por Paul, que foi levar algumas flores para o túmulo de sua mãe, mas não foi embora sem deixar uma delas para Christie, que ao ver que ela aceitou sua oferta, sai saltitante de alegria por entre as lápides..hahahaha… Hilário.

Greg trabalha para seus pais em uma floricultura e como um bom profissional vai entregar uma encomenda para Hank na funerária. Logicamente é provocado por Hank e, na saída, Paul o aborda e pretende conversar com o ele. A conversa em si não é importante e é rapidamente interrompida, servindo apenas para mostrar a preparação de uma garota para o embalsamamento.

É noite novamente; Greg e Christie aproveitam a ausência de Eve e vão fazer uma farrinha na casa da garota. Agora vejamos, segundo o capítulo 2 da cartilha dos slashers, a energia deve ser cortada… Ok, feito. O telefone também… Tudo bem, feito. Mas por uma coincidência forçada, daquelas difíceis de engolir, Eve retorna, assim como a energia, e argumenta que tudo não passou de caraminholas na cabeça de Christie.

O casal está mais desconfiado do que nunca e consegue encontrar o grupo na funerária fazendo uma sessão para tentar conversar com o espírito do pai de Christie e pedir para que ele não mais a perturbe. Paul avista os dois, só que eles não dão muita bola e voltam para a casa da garota.

Tentativa de sexo no tapete da sala, com direito ao assassino voyeur e visão em primeira pessoa (onde eu já vi isso antes ???), só que Christie lembra do pai e interrompe o momento, para o desânimo de Greg. Entretanto foi em uma hora oportuna, já que não muito depois chega Eve, e a situação não fica muito agradável. A garota vai dormir e desta vez a sonâmbula/possessa pega uma faca e fica frente a frente com o assassino, separada apenas pela janela da porta, e desfere um golpe violento contra a janela (eita garota forte!), que se quebra, afugentando o criminoso e acordando sua mãe e a si própria.

É ai que o negócio começa a desandar: Eve diz a sua filha que Paul é psicótico desde que sua mãe se matou (ah…e vai me dizer que você não sacou?) e que se tornou obcecado por ela. Quando seu pai negou a mão de Christie para o casamento, ele tornou-se hostil. Mesmo com as tentativas de convencer Hank de internar o filho, nada foi feito e o resto você já sabe (menos o xerife, obviamente).

Eve vai dormir em seu quarto que fica no piso superior da casa, Paul arrebenta a janela e dá cabo da mulher. Até aí beleza, mas tem um pequeno detalhe: o vidro da porta da cozinha ainda está arrebentado e escancarado, e o matador opta pelo caminho mais difícil. Eve ainda consegue emitir um grito estrondoso, só que o fato das paredes do quarto de sua filha serem isolantes acústicas (?!), não permitem que ela ouça com clareza.

Christie vai ao quarto da mãe e acaba surpreendida pelo maníaco que passa a persegui-la (incrível como as maçanetas ficam escorregadias quando você mais precisa delas, não é?) E o resto não precisa nem falar: persegue, persegue, persegue, assassino sempre um passo a frente mata quem está no caminho, ritual, mocinho versus vilão em uma luta tosca sem precedentes e o habitual gancho “para pular da cadeira“.

Um filme que vai agradar a poucos, já que é preciso ter bastante paciência para encarar uma produção paupérrima e um roteiro sem nenhuma profundidade como este, por isso já dou o aviso, quem não estiver calibrado para assistir slashers ruins, não vai tirar o dedo do fast-forward nem um segundo.

O filme é bem arrastado e a ação fica muito esparsa, perdendo-se demais na trama da morte do pai de Christie e menos nas atividades do assassino. Isso é representado pelo baixo número de mortes para um filme desta época – apenas cinco e todas sem nenhuma criatividade ou efeitos mirabolantes. Tudo bem se houvesse um pouco de suspense, mas não há e tudo bem também se criasse uma certa empatia no desenvolvimento das personagens principais, só que as interpretações são ruins demais para se ter dó quando eles são atacados ou mortos. A edição é pífia e quase amadora, a direção chupa muito do que já havia sido feito anteriormente (e melhor) em Sexta-feira 13, Feliz Aniversário para Mim e similares.

No outro lado da moeda, existem bons pontos e o maior deles atende pelo nome de Bill Paxton: ele exagera tanto fazendo seu papel de maníaco-homicida-xarope-de-pedra, que não tem como não rir. Mostra seu talento, que ficaria conhecido em seus filmes posteriores, e acaba roubando todas as cenas em que aparece. A trilha incidental, criada por John Cacavas (O Expresso do Terror, Os Ritos Satânicos de Drácula), também é interessante e influenciada por Sexta-Feira 13. Em um balanço final é um filme assistível, desde que não crie muitas expectativas: fãs de Bill Paxton, colecionadores de slashers e quem não tem nada melhor para fazer, podem perder um pouco de tempo sem muitos ressentimentos.

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1 Comentário

  1. anselmo luiz

    Se não me falhe á memoria esse filme foi lançado duas vezes no mercado de VHS uma pela Opção Video na foto mostrada á esquerda perto da ficha tecnica do filme e seu outro lançamento foi como o nome de ” Mortuary “pela Everest Video.

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