Críticas, Quadrinhos

Spider-Woman #22 (1980)

John Wayn Gacy provavelmente inspirou esta que é uma das primeiras aventuras a retratar um palhaço assassino nos quadrinhos.

Original:Spider-Woman #22
Ano:1980•País:EUA
Páginas:24• Autor:Michael L. Fleisher, Frank Springer, Mike Esposito, Ben Sean, Marie Severin•Editora: Marvel

Pouco antes do Natal de 1978 a polícia bateu à porta de John Wayne Gacy, um dos serial killers mais famosos dos EUA. A polícia havia sido alertada sobre o desaparecimento do jovem Robert Piest, de 15 anos, que, segundo seus pais, havia saído para conversar com um empreiteiro sobre um emprego. Piest nunca mais voltou pra casa e seu sumiço levou a policia à casa de Gacy onde um pungente odor de putrefação encerrava os anos de assassinato cometidos pelo respeitável membro da comunidade que, entre outras atividades, animava festas infantis vestido como Pogo, o palhaço.

Apesar de nenhuma evidência levar a crer que Gacy matava suas vítimas vestido como Pogo, seus crimes, em contraponto com sua figura pacata e respeitada, animadora de festas infantis, fez com que a imaginação popular, alimentada pela mídia, o tornasse no “primeiro palhaço assassino real”. Nos anos que se seguiram à sua prisão até seu julgamento e condenação em março de 1980, Gacy permaneceu constantemente nos noticiários e, provavelmente, foi lendo uma destas manchetes que Michael L. Fleischer teve a ideia para o enredo da vigésima segunda edição de Spider-Woman.

Entitulada “Bring on… the Clown!”, a história coloca a Mulher-Aranha diante de um assassino de mulheres que caça suas vítimas vestido de palhaço. Ao voar até a casa de uma amiga onde irá jantar, a Mulher-Aranha se depara com o assassino fazendo mais uma vítima e consegue impedi-lo a tempo, mas isso faz com que o vilão fique obcecado pela super-heroína a ponto de rastreá-la pelos céus da cidade para transformá-la em sua próxima vítima. A história que se desenrola a partir daí não é das melhores, cheia de situações convenientes de roteiro e uma arte burocrática demais até para uma revista mensal no final dos anos 70.

Michael L. Fleisher, que é mais conhecido pelo seu trabalho como longevo roteirista de Jonah Hex para a DC e por seu embate litigioso com Harlan Ellison, se apressa para contar uma história com ares de thriller em uma edição de vinte e quatro páginas. Mas enquanto a aventura carece de desenvolvimento, lhe sobram absurdos como o que se vê logo na página de abertura onde a Mulher-Aranha adia a missão de caçar um assassino que já havia matado três mulheres para ir a um jantar com uma amiga dizendo “prometo que isso vai ser a primeira coisa que vou resolver pela manhã”! Em outro momento, o palhaço se envia pelo correio até um hospital dentro de um enorme caixote de madeira de onde salta em uma mola até a janela onde a Mulher-Aranha está! A tentativa de misturar um pouco do Coringa clássico com um John Wayne Gacy falha miseravelmente, deixando a história um pouco esquizofrênica e boba.

A cereja do bolo então vem em forma da justificativa para os assassinatos do palhaço. Casado com uma mulher dominadora, o vilão sonhava em trabalhar no circo, mas sua esposa o obrigou a seguir carreira como contador. Frustrado, ele descarrega toda a raiva que tem de sua mulher em suas vítimas, sempre do sexo feminino. Faltou uma boa pesquisa sobre os perfis de psicopatas assassinos e assassinos em série, mas, principalmente, faltou imaginação para contar uma boa história em poucas páginas. A arte de Frank Springer e Mike Esposito até poderia melhorar algumas passagens do roteiro de Fleisher se estivesse mais alinhadas com o espirito setentista de alguns grandes nomes da Marvel na época, mas segue um caminho tradicional sem muitos atrativos.

Esta aventura parece ter sido pulada por aqui pela RGE quando a editora publicava as aventuras da Mulher-Aranha na revista do Homem-Aranha no início dos anos 80, e por se tratar de um one-shot, não prejudicou em nada a cronologia da personagem no Brasil. Com todos os seus problemas “Bring on… The Clown!” serve mais como curiosidade por ser uma das primeiras histórias em quadrinhos a trazer o mito dos palhaços assassinos para os gibis. Infelizmente, para os autores, na mesma época o Coringa havia recuperado seus traços psicóticos e sua insanidade havia sido mencionada pela primeira vez alguns anos antes. Roupas coloridas e objetos cortantes entraram na moda naquela época e nunca mais saíram.

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