Críticas, Quadrinhos

Tabloide (2017)

Um noir moderno bizarro e divertido sobre o submundo da elite paulistana

Tabloide
Original:
Ano:2017•País:Brasil
Páginas:Autor:L.M. Melite•Editora: Veneta

O termo tabloide se refere ao formato de jornal no qual cada página mede 43×28 cm com matérias mais curtas e com mais ilustrações do que os jornais maiores. Muito comum nos EUA e, principalmente, no Reino Unido, o termo também costuma se referir a jornais que possuem linha editorial mais popularesca, bastante sensacionalista. São nos tabloides que vemos fofocas sobre a vida sexual dos famosos e notícias falsas criadas para alavancar vendas, muitas vezes sob o risco de processos litigiosos. Na terra da rainha, o Enquirer é o mais famoso jornal do tipo, mas o grande tabloide brasileiro foi, sem dúvida nenhuma, o saudoso Notícias Populares.

E é nessa pegada “notícias populares” que L.M. Melite escreve sua mais nova HQ, Tabloide, publicada recentemente pela Veneta. A história mostra Samantha Castelo, uma jornalista de um jornal fictício que leva o título da HQ às voltas com um misterioso assassinato. Durante a crise da água em São Paulo, um veículo é encontrado no fundo da represa Atibainha com um cadáver no porta-malas. Com seu faro jornalístico a toda, Samanha inicia uma investigação paralela que irá leva-la ao submundo da elite paulistana e ao limite de sua sanidade.

Escrita como um noir paulistano, Tabloide apresenta na figura da jornalista socialmente desajustada, Samantha, a sua versão do detetive solitário e mal-humorado. A personagem é tão deliciosamente insuportável que fisga o leitor de imediato, fazendo com que torçamos por sua vida ao longo da história que se complica e fica mais perigosa a cada página. A interação entre Samantha e os demais personagens da HQ, com seu contundente desprezo, aliviam a tensão pontualmente aqui e ali ao longo do gibi que faz do sarcasmo o seu alívio cômico nos momentos de respiro.

A arte de Melite está ótima como sempre e a escolha da paleta de cores, ao mesmo tempo, vivas e frias atribui à HQ um ar vintage, mesmo que a HQ se passe em 2015. A decisão é acertadíssima, pois diferencia Tabloide da tradicional história de detetive em preto e branco. Seu traço solto e marcante representa muito bem o contexto da história onde coisas muito mais sinistras acontecem além da superfície de São Paulo, com cenas mais cartunescas alternando com cenas mais grotescas.

Para os fãs do autor, em determinado momento nos deparamos com uma edição do jornal fictício que dá título ao gibi, como se encartado na revista, que constrói melhor o universo em que a trama se passa e dá pistas de um “meliteverso” com referências a outras obras do autor. O subtítulo da HQ “A Dama dos Afogados” ainda traz uma esperança para aqueles que curtirem a história, dando a entender que podemos ver mais histórias de Samantha no futuro.

A edição da Veneta é caprichadíssima, num formato maior e capa dura e papel offset que realça ainda mais o aspecto vintage da revista que possui uma trama envolvente e bizarra, prendendo o leitor até a última página. A narrativa casa perfeitamente com a arte resultando em uma HQ que já está entre os melhores lançamentos em quadrinhos do ano até o momento.

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