Críticas

Terror em Amityville (1979)

Terror em Amityville não foi a estreia do subgênero das casas assombradas, mas moldou muito do estilo

Terror em Amityville
Original:The Amityville Horror
Ano:1979•País:EUA
Direção:Stuart Rosenberg
Roteiro:Sandor Stern, Jay Anson
Produção:Elliot Geisinger, Ronald Saland
Elenco:James Brolin, Margot Kidder, Rod Steiger, Don Stroud, Murray Hamilton, John Larch, Natasha Ryan, Meeno Peluce, Helen Shaver, Amy Wright

Um dos endereços mais conhecidos do cinema de horror é o número 112 da Ocean Avenue. O bairro tranquilo, considerado por muitas pessoas como uma boa opção para quem busca o sossego, passou a atrair olhares curiosos e assustados depois que o jovem Ronald DeFeo, de 23 anos, enlouqueceu e assassinou com uma espingarda todos os seus familiares: os pais (Ronald e Louise) e seus quatro irmãos Dawn, Allison, Mark e John, às 3h15 da madrugada do dia 13 de novembro de 1974, para depois ser encontrado e preso no bar Witches Brew por volta das 6h30 da manhã seguinte. Como não tinha um histórico de violência e era lembrado como um rapaz disciplinado e inteligente, ao referir suas ações a uma presença maligna na residência, o caso passou a ser observado de maneira ainda mais intrigante um ano depois com a chegada da família Lutz.

Mesmo sabendo do passado perturbador, George (James Brolin), segundo marido de Kathy (Margot Kidder), via no conforto de seus amplos cômodos, na casa de hóspedes na área externa e no valor atrativo para sua posse uma grande chance de recomeçar. “Casas não têm memória.“, ele disse na primeira visita ao local, acreditando que poderia transferir seu escritório para o novo ambiente e ainda utilizar a saída de barcos. Um mês depois já estavam hospedados com os filhos Amy (Natasha Ryan), Matthew (Meeno Peluce) e Gregory (K.C. Martel) e o cachorro Harry, enquanto recebiam, no primeiro dia, discretamente a visita do velho conhecido padre Delaney (Rod Steiger) para abençoar a residência. Sentindo um mal estar cabal, ele ouvira risadas sinistras e fora incomodado por uma invasão de moscas antes de sair às pressas, obedecendo uma voz demoníaca que proferiu o clássico “Vá embora!“. Esse temor absoluto acompanhou o clérico durante os 28 dias em que os Lutz estiveram no local, desenvolvendo queimaduras em sua mão e uma gripe forte, ainda que ele tentasse por diversas vezes entrar em contato com a família para alertar dos perigos que existiam ali.

No quarto dia, Kathy começa a sentir uma presença invisível na casa, tocando-a discretamente, ao passo que uma estranha substância negra emergia das privadas do banheiro, trazendo um forte odor. Nesse mesmo dia, a tia Helena (Irene Dailey), freira, aparece para uma visita, mas não consegue ficar muito tempo, também com ânsia e a sensação de que não é bem vinda. O horror em Amityville gradualmente se ampliará nos dias seguintes, influenciando todos aqueles que tiverem contato com o endereço. No sexto dia, por exemplo, o padre Delaney quase sofrerá um acidente de carro em companhia do amigo Bolan (Don Stroud), assim como o casamento de Jimmy (Marc Vahanian) será afetado pelo sumiço do dinheiro que seria pago ao buffet. Até mesmo a babysitter Jackie (Amy Wright) enfrentará um medo claustrofóbico ao ficar presa no closet da pequena Amy – curiosamente, essa sequência não existe no livro de Jay Anson que inspirou o filme, mas deu um tom mais apavorante ao pesadelo da família e dos envolvidos.

Por falar em Amy, a pequena se sentia incomodada pela mudança repentina até encontrar conforto em um amigo imaginário, o porco Jody. Enquanto era apenas mencionado, o espectador pressente sua origem maligna, desde o movimento da cadeira de balanço até o olhos vermelhos em destaque na janela, aparecendo em vários momentos. Amy também possui a clássica boneca Raggedy-Ann, que ficou associada ao medo com a história de Annabelle exposta no filme Invocação do Mal (The Conjuring, 2013). E ela é vista em movimento na cadeira de balanço da garota, antecipando a presença de uma entidade no ambiente.

No entanto, a pessoa mais influenciada durante a estadia dos Lutz foi, sem dúvida, George. Incomodado por um frio sobrenatural, ele era visto constantemente alimentando a lareira ou buscando lenhas para aquecê-la. Aos poucos, ele se torna possuído pelo assassino Ronald DeFeo, adquirindo a mesma aparência e atitudes, e agredindo os filhos e na esposa. No livro, a esposa também é influenciada pelo Mal, tanto que chega a também agredir seus filhos e elevar a voz por diversas vezes. Mas, curiosamente, essa influência termina muito antes que a família decida se afastar da Ocean Avenue, diferente da refilmagem de Andrew Douglas, mais próximo de O Iluminado (The Shining, 1980). George catalisa o que há de ruim, como um termômetro das assombrações presentes, e tem uma experiência assustadora na sequência final, no resgate do cachorro Harry.

Menos que um ano após a estreia da adaptação da obra que tornou conhecido os mistérios sobrenaturais da casa de Amityville, o autor Jay Anson faleceu em 12 de março, sem imaginar que seu livro inspiraria uma franquia imensa, incluindo uma refilmagem em 2005, e serviria de base para as produções envolvendo casas assombradas a partir de então. A direção da primeira versão ficou a cargo de Stuart Rosenberg, que também não conseguiu ir muito além da fama adquirida por seu horror psicológico, tendo apenas como destaque alguns dramas como Brubaker, com Robert Redford e Morgan Freeman. Ele fez um trabalho correto, auxiliado pela fotografia rubra de Fred J. Koenekamp, principalmente nos créditos iniciais. A sequência em que o casal conhece cada cômodo da casa, com cenas intercaladas dos assassinatos dos DeFeo, é muito boa.

Terror em Amityville não foi a estreia do subgênero das casas assombradas, mas moldou muito do estilo. A influência maligna sob um morador – geralmente o patriarca – passaria a se tornar frequente nos filmes de horror como o já citado O Iluminado e até mais recentemente em Os Mensageiros (The Messengers, 2007). O longa de 79 é bastante similar ao livro, e fez sucesso suficiente para até hoje desenvolver produções bastardas, apenas com a palavra Amityville no título. Desde seu lançamento ainda se discute a veracidade do pesadelo vivido pelos Lutz, havendo quem acredite que foi apenas uma oportunidade de buscar lucro e popularidade, tanto pelo autor da obra, quanto da família.

No Brasil, o filme foi lançado em VHS pela Globo Vìdeo com o título Cidade do Horror, numa possível associação do nome a uma cidade e não um bairro ou residência. Depois viria em DVD pela MGM, numa versão simples, sem extras. Muitas das continuações foram lançadas em VHS e DVD no Brasil, mas poucas tiveram tanta força expressiva e assustadora como esse clássico de 79, com grande elenco e cenas memoráveis.

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5 Comentários

  1. Um excelente clássico , eu o assisti um tempo atrás na sessão das 22:00 horas no Telecine Cult .

  2. Yves

    Eu achei a pré-sequência melhor q este original!

  3. Anselmo Luiz

    Terror em Amityville foi exibido na primeira vez na TV Aberta na TVS (atual SBT) na “Semana 8 ” em 17/08/1987 -Segunda – feira e Amityville II – A Casa Mal Assombrada foi exibida na mesma emissora na ” Semana 10 ” em 21/10/1987- Terça -Feira. Já Cidade do Horror III/ Amityville III – A Casa do Medo Aka Amityville 3-D foi exibido em sua primeira vez na Rede Globo no “Super Cine ” em 13/10/1990 e sua ultima exibição na TV Aberta foi no ” TV Terror ” na Rede TV! em 23/12/2000 no sabado.
    O Terror em Amityville saiu em DVD pela MGM ,sem dublagem classica e sem extras e Amityville 2 & 3 ambos os filmes sairam em um DVD de face dupla pela NBO Editora ,sem á Dublagem Classica em ambos os filmes esse DVD já fora de catalogo há um bom tempo.

  4. CALIGULA

    MILICI,
    gostei da sua crítica, pois ela é bem informativa para aqueles que não conhecem o filme. Há opiniões diversas para esse clássico, alguns amam, outros odeiam; eu sou um dos que o admiram, principalmente pelo bom elenco. Minha cena favorita ocorre quando um casal de amigos de GEORGE o visita e a esposa sente uma presença maligna no porão, dizendo algo do tipo “essa casa é uma passagem para o inferno”, a frase é proferida com o tom de voz grave, diabólico. Eu tenho apenas uma dúvida, nunca assisti a continuação, original, que retoma os fatos anteriores à chegada da família LUTZ, gostaria de saber sua opinião ou de outros INFERNAUTAS!!! Sobre a refilmagem eu gostei bastante, mas prefiro o original, tem um certo charme. Por favor não esqueça de responder minha pergunta. Obrigado e continue escrevendo, gosto muito de seus textos; o meu preferido foi sobre A BRUXA (2015), concordei em gênero, número e grau. AQUELE ABRAÇO!!!

    • Daniel Castro

      No Amityville II – A Possessão, é mostrado uma outra família que morou naquela residência, antes dos Lutz e depois dos DeFeo. No entanto, essa outra família deve ser totalmente fictícia.

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