Críticas

The Gracefield Incident (2017)

Com toda uma série de filmes de estilo similares, The Gracefield Incident parece não ter aprendido nada, repetindo perseguições, lágrimas que não convencem e efeitos caseiros

The Gracefield Incident
Original:The Gracefield Incident
Ano:2017•País:EUA, Canadá
Direção:Mathieu Ratthe
Roteiro:Mathieu Ratthe
Produção:Mathieu Ratthe
Elenco:Mathieu Ratthe, Victor Andres Turgeon-Trelles, Kimberly Laferriere, Juliette Gosselin, Laurence Dauphinais, Alex C. Nachi

Quando câmeras são usadas para fazer registro em primeira pessoa, o filme pode ser classificado em dois subgêneros: found footage (quando o material de filmagem é encontrado para contar a história) e mockumentary (falso documentário). No entanto, existe um outro estilo que acaba se confundindo com esses dois, ainda que parta para um caminho próprio. São filmes que deixam claro desde o começo que o recurso é apenas estilo para causar medo, sem a necessidade de trazerem dizeres sobre os acontecimentos serem baseados em eventos reais, e ainda fazem uso de trilha sonora para ampliar as sensações. Pode-se apontar The Gracefield Incident como um exemplo desse formato sem nome, embora traga algumas informações parecidas em sua sinopse.

O longa é o projeto de estreia de Mathieu Ratthe, que ainda exerce as funções de roteirista, produtor e editor, além de atuar como protagonista. Seu filme tem uma primeira metade bem interessante, enquanto atiça o infernauta sobre os mistérios que cercam os personagens, mas se perde com as ações estúpidas do elenco e com o final exagerado, envolto em efeitos especiais ruins e muito melodrama. Aliás, pode-se dizer que possui uma das piores conclusões desse subgênero, capaz de levar o público a questionar toda a perda de tempo.

Na cena inicial, Matthew Donovan (Mathieu Ratthe) está levando a esposa grávida, Jéssica (Kimberly Laferriere), ao hospital para o segundo ultrassom. Ao invés de se preocupar com o percurso, ele dirige o veículo e ainda filma a conversa com a garota, culminando em um violento acidente de trânsito. Ele perde um dos olhos, e ela o tão sonhado primeiro filho. Dez meses depois, estão prestes a embarcar num passeio a um chalé luxuoso na região de Gracefield, com a companhia de amigos. Durante os créditos iniciais, com direito a trilha sonora, ele coloca uma câmera escondida no interior de olho de vidro para registrar toda a viagem, sem que os amigos e a esposa saibam desse impulso incontrolável, lembrando um enredo da antologia VHS.

Na mesma noite em que curtem o local, o grupo testemunha a queda de um meteoro nas proximidades, algo que se associa a uma notícia acompanhada na TV sobre a destruição de um satélite por um estranho objeto não identificado. Matthew e dois amigos seguem os rastros na floresta escura, com a câmera ocular e uma comandada pelo amigo Jonathan (Victor Andres Turgeon-Trelles). A partir daí, inúmeros gestos incompreensíveis: encontraram o lugar da queda, e o rapaz coloca a mão num buraco negro para a retirada do meteoro, sem sequer supor que ele pudesse ter radiação ou até mesmo machucá-lo pela alta ou baixa temperatura. Depois, seguem os uivos do cachorro Teddy desaparecido e encontram uma caverna escura, resolvendo investigar o seu interior, sem se preocupar com as garotas que ficaram na casa.

São essas decisões idiotas que conduzem a narrativa. Depois que percebem que existe uma criatura alienígena na mata – e ainda acham que pode ser um Pé Grande -, decidem esconder a informação das mulheres e ainda passar a noite ali. Coisas estranhas acontecerão na casa, com o monstro tocando a cabeça do jovem Trey (Alex C. Nachi) para possui-lo e empurrá-lo até a floresta. Matthew volta outras vezes aos ambientes mais escuros, com outras ideias tontas como usar bexigas para marcar lugar e até prender o celular para filmar do alto, apenas para mostrar sinais no milharal. Aliás, toda a correria chega a cansar a boa vontade do espectador, que já sabe desde o começo quais as intenções dos seres.

Mesmo com todas essas falhas, nada poderia prepará-lo para os últimos quinze minutos. O que era apenas sugerido salta sobre a tela em CGI mediano, e a busca em conectar essa presença com o episódio inicial somente contribui para a insatisfação do público. Com toda uma série de filmes de estilo similares, The Gracefield Incident parece não ter aprendido nada, repetindo perseguições, lágrimas que não convencem e efeitos caseiros. E ao final não explica o que aconteceu com Teddy.

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