Críticas

Valerian e a Cidade dos Mil Planetas (2017)

Luc Besson embarca numa viagem fantástica, entre raças estranhas e aventuras perigosas, na condução de uma adaptação repleta de efeitos especiais!

Valerian e a Cidade dos Mil Planetas
Original:Valerian and the City of a Thousand Planets
Ano:2017•País:França, China, Bélgica, UK, EUA, Canadá, Alemanha
Direção:Luc Besson
Roteiro:Pierre Christin, Jean-Claude Mézières, Luc Besson
Produção:Luc Besson, Virginie Besson-Silla
Elenco:Dane DeHaan, Cara Delevingne, Clive Owen, Rihanna, Ethan Hawke, Herbie Hancock, Kris Wu, Sam Spruell, Alain Chabat

Embora tenha crescido como leitor dos quadrinhos fantásticos de Pierre Christin e Jean-Claude Mézières, Luc Besson considerava impossível adaptá-los para os cinemas, devido a seus excessos e ao rico universo. Quando finalizou a ficção O Quinto Elemento, em 1997, ouviu do próprio Jean-Claude a sentença: “Por que está fazendo essa merda de filme e não Valerian?” Foi apenas com o lançamento de Avatar, de James Cameron, que ele percebeu que “o único limite era a imaginação“, pois o cinema já permitia desenvolver qualquer coisa. O projeto foi anunciado em 2012, mas só ganhou vida realmente no final de 2015 com as primeiras divulgações oficiais. Valerian estava prestes a se transformar num longa-metragem nas mãos daquele que o admirava.

Com um enredo desenvolvido pelo próprio Besson, a partir de sua experiência como leitor, Valerian e a Cidade dos Mil Planetas chegou aos cinemas brasileiros em 10 de agosto de 2017, prometendo um show de efeitos especiais magníficos, com criaturas belíssimas e cheias de personalidade, numa aventura que tinha tudo para empolgar. O resultado visualmente impressiona, apesar de conter um enredo simples na exploração de todo o universo criado nas HQs. Há boas cenas de ação, e uma boa química do elenco, mas pode acabar se confundindo com outras ficções fantásticas devido a algumas coincidências narrativas.

Depois de conquistar o espaço, o Homem percebeu que devia tentar o próximo. Nações se tornaram amigas nos avanços científicos e na exploração do infinito, até a descoberta de novos seres e a comprovação de que tudo poderia fluir melhor na amizade. Assim, no século 28, a estação espacial Alpha já abrigava milhares de criaturas de diferentes planetas, compartilhando cultura e conhecimento, e navegava tranquilamente para zonas desconhecidas do universo. Para manter a paz e evitar conflitos desnecessários, alguns agentes humanos realizavamm missões nos planetas, que não são nada complicadas perto das discussões diárias que possuem no convívio tumultuado.

O Major Valerian (Dane DeHaan, de A Cura, 2016) é considerado um conquistador desajuizado pela sua parceira, a Sargento Laureline (Cara Delevingne, de Esquadrão Suicida, 2016). Entre os passeios estelares, ele vive em constante tentativa de uma aproximação, enquanto ela se esquiva para evitar se tornar mais uma em sua lista de relacionamentos. Durante um sonho, ele visualiza um planeta, habitado por raças humanoides em sintonia com a natureza. As criaturas mantêm a harmonia com o poder das pérolas que retiram de bichinhos, parecidos com tatus. Naves começam a cair no planeta, obrigando os seres a lutar pela sobrevivência com a testemunha da destruição de seu paraíso. Eles se escondem numa das naves, com o olhar lacrimoso de uma decepção observada.

Sem entender o sonho, ele persiste em sua missão com Laureline de resgatar o “conversor Mül“, capaz de duplicar alimentos. Para isso, invadem um Mercado Negro virtual, e interferem nas negociações entre duas raças distintas, iniciando uma aventura perigosa que culminará na perseguição de uma criatura imensa, usada como cão de guarda. Ao retornar a Alpha, eles são instruídos a manter a segurança do Comandante Arun Filitt (Clive Owen), uma vez que a estação espacial parece ter sido dominada por uma força desconhecida crescente. Quando uma reunião entre diversas espécies alienígenas é interrompida por um ataque surpresa, Valerian e Laureline parecem ser a única opção viável na proteção do ambiente e no resgate do comandante sequestrado.

Nessa busca, eles passearão pelas camadas da “Cidade dos Mil Planetas“, invadindo territórios diversos e tendo que resolver pequenas missões, como a de resgatar Laureline, sequestrada por uma raça que não permite visitantes. Valerian terá que pedir a ajuda da camaleoa Bubble (Rihanna), que irá auxiliá-lo na camuflagem, mas terá que assistir a uma apresentação formalizada pelo inusitado Joly (Ethan Hawke) – nada mais do que uma desculpa para a cantora apresentar uma de suas performances, fazendo uso de efeitos especiais, típicos de um clipe musical.

Como se percebe, o tom de Valerian e a Cidade dos Mil Planetas é fantasioso e próximo do infantil. Bem-humorado, o longa explora seu leque de possibilidades e os grandiosos efeitos especiais para levar o espectador a um delírio visual, ampliado pela tecnologia 3D. As aventuras são até bobinhas, típicas de produções da Sessão da Tarde, sem nunca transmitir a sensação de que os heróis correm perigo real, como se fizessem parte de um desenho animado. Ainda assim, é divertido e bem feitinho, como se poderia esperar de um trabalho de um apaixonado pela dupla como o cineasta Luc Besson.

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