Críticas

Zombillenium (2017)

Zumbis enfrentam vampiros pela hegemonia de um parque de diversões nesta divertida animação francesa!

Zombillenium
Original:Zombillenium
Ano:2017•País:França, Bélgica
Direção:Arthur de Pins, Alexis Ducord
Roteiro:Arthur de Pins, Alexis Ducord
Produção:Léon Pérahia
Elenco:Emmanuel Curtil, Alain Choquet, Kelly Marot, Alexis Tomassian, Mathieu Monnaert, Emmanuel Jacomy, Esther Corvez-Beaudoin, Fily Keita, Gilbert Lévy

Crianças são fascinadas por monstros. Mesmo que sirvam de argumentos para os pais afastá-las de lugares proibidos ou evitar sair da cama antes da hora, o diferente – quanto mais esquisito, feio e colorido melhor – parece cada vez mais atrair os pequenos, que passam a desenhar coisas bizarras, colecionar bonecos de dinossauros e não se afastar da TV durante a exibição daquele filme impróprio para a idade deles.  Assim, cresce a atração pela creepypasta, lendas urbanas como a de Charlie Charlie e filmes de monstros; e assim também aumenta o número de animações que exploram esse fascínio e tentam desfigurar o medo infantil em sucessos como Monstros S.A., A Casa Monstro, ParaNorman e Hotel Transilvânia – exemplos que trazem histórias macabras repletas de criaturas atrapalhadas, injustiçadas e humanizadas, mas com contextos e referências adultas.

Está em exibição na 41ª Mostra Internacional de Cinema de SP uma divertida animação francesa que despontou no último Festival de Cannes, em 24 de maio. Zombillenium é baseada numa série de graphic novels, publicadas a partir de 2009, por Arthur de Pins. O enredo, desenvolvido pelo próprio Pins em parceria do cineasta Alexis Ducord, apresenta um parque de diversões temático comandado por monstros reais, disfarçados de pessoas fantasiadas, como uma maneira de camuflar sua existência. De acordo com as crenças populares, teria ocorrido uma explosão que matou diversos mineradores, que acabaram retornando como zumbis. Com a chegada de outros monstros, Satã teria desenvolvido essa ideia para arrecadar uma grande porção de euros e esconder os personagens em prisões subterrâneas, enquanto aproveita alguns para trabalhar como escravos na parte mais inferior do local.

O inspetor de Segurança no Trabalho Hector (Emmanuel Curtil) é um homem viúvo e pai da pequena Lucie (Esther Corvez-Beaudoin), obcecada pelo parque Zombillenium. Após sofrer um acidente de carro, ocasionado pela aparição repentina de uma “garota voadora“, e saber que ela faz parte das aberrações do parque, Hector decide fazer uma visita surpresa com a intenção de encontrar falhas que possam encerrar as atividades do entretenimento. Ao chegar ao local e ser recepcionado pelo diretor Francis (Alain Choquet), um vampiro, Hector tenta não se impressionar, porém acaba “vendo mais do que devia“. Ele, então, é assassinado, vítima da mordida do vampiro e da degustação do lobisomem-segurança, transformando-se num demônio, com apenas um chifre intacto, condenado a trabalhar para sempre no parque, vendendo algodões-doce.

Hector conhece outros personagens de Zombillenium como o esqueleto Sirius (Mathieu Monnaert), que tenta trazê-lo para o sindicatos dos zumbis, e a filha de Satã, a bruxa estagiária Gretchen (Kelly Marot). Atualmente o parque conta apenas com uma grande atração: os shows do vampiro sedutor Steven (Alexis Tomassian), consciente de que o mundo vive a época dos vampiros românticos, numa referência direta à série Crepúsculo. Com a baixa do público, o demônio faz uma intimação: ou lucram com as vendas de bilheteria ou o parque será definitivamente fechado. Hector começa a mudar o espaço, tornando-o mais assustador e dando a visibilidade necessária aos zumbis, mas começa a incomodar Steven, que planeja transformar o parque em seu projeto pessoal, um Vampirama!

Nessa guerra entre vampiros e zumbis, em metáforas sobre leis trabalhistas e sindicatos, diferenças sociais e preconceito, a órfã Lucie passa a acreditar que o pai está morando no parque e faz de tudo para vê-lo, ainda que tenha que enfrentar a pressão de uma professora sádica. Colorido, numa animação à moda antiga, Zombillenium diverte em referências sutis e explícitas, como a do musical dos zumbis, parecido com Thriller, do Michael Jackson. “Não tínhamos dinheiro para pagar os direitos autorais“, afirma Sirius durante a performance. A trilha é repleta de rock de boa qualidade e ainda inclui uma disputa de guitarras ao estilo A Encruzilhada, de 1986, com efeitos visuais bem agradáveis como os proporcionados pelo voos de vassoura-skate de Gretchen. Fico imaginando como ficariam esses passeios roqueiros em 3D…

Sem nunca cansar ou soar repetitivo, Zombillenium é uma ótima pedida para qualquer público, principalmente para os pequenos, que irão se divertir com os monstros clássicos em vestimentas humanas!

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