Histórias Estranhas (2017)

Histórias Estranhas
Original:
Ano:2017•País:Brasil
Direção:Rodrigo Brandão, Kapel Furman, Taísa Ennes Marques, Paulo Biscaia Filho, Cláudio Ellovitch, Filipe Ferreira, Ricardo Ghiorzi, Marcos DeBrito
Roteiro:Rodrigo Brandão, Kapel Furman, Taísa Ennes Marques, Paulo Biscaia Filho, Cláudio Ellovitch, Filipe Ferreira, Ricardo Ghiorzi, Marcos DeBrito
Produção:Filipe Ferreira, Ricardo Ghiorzi, Adriano Lírio, Édnei Pedroso
Elenco:Ivan Cunha, Satah Mattos, Daniel Couto, Everson Vilela, Greta Antoine, Thiago Prade, Thomas Fléck, Martha Brito, Ed Canedo, Guenia Lemos, Elder Fraga, Bruna Brito, Eduardo Steinmertz, Isadora Pillar, Leandro Lefa, Gianna Soccol, Gabriel Muglia, Marcelo Argenta, Thaty Taranto

Essa era para ser a continuação direta de 13 Histórias Estranhas, uma compilação de contos fantásticos, que contava com diretores de destaque no sul do país. A sequência veio com a proposta de ampliar a abrangência do longa para outros estados, mas o projeto, ao longo de seu percurso, acabou sofrendo alterações, e o que era para ser treze segmentos acabou se concretizando em oito, por isso recebeu o título de apenas Histórias Estranhas. E o resultado é um apanhado bem abrangente do que é realizado no cinema fantástico atual.

De cara temos o segmento “Ninguém”, do mineiro Rodrigo Brandão (Era dos Mortos, 2007), onde um andarilho (Ivan Cunha) percorre cenários abandonados até achar uma casa, onde encontra um casal jantando. O resultado é sangrento tanto quanto o roteiro carece de maior desenvolvimento.

A segunda história se chama “A Mão”, e traz um estranho analista (Everson Vilela), que pode ser um monstro. Dirigido pelo paulista Kapel Furman, um dos apresentadores do programa de TV Cinelab, um perito em efeitos especiais, logo temos um segmento com efeitos asquerosos e maquiagem caprichada, o que se esperaria da assinatura de Kapel.

O terceiro segmento é dirigido pela gaúcha Taísa Ennes Marques, e se chama “Mulheres LTDA.”, que conta uma fábula irônica de teor feminista, com citações que vão de “Frankenstein” a Re-Animator, com atores canastrões e clima de farra, mostrando o que acontece com mulheres revividas para serem escravas dos homens.

O badalado paranaense Paulo Biscaia Filho nos presenteia com “No Trovão, Na Chuva ou Na Tempestade“. Bebendo direto em Macbeth de Shakespeare, ele mostra o encontro de um executivo engravatado (Ed Canedo) com três bruxas no meio da floresta.

A quinta história se chama “Os Enamorados”, dirigido pelo paulista Cláudio Ellovitch (do premiado curta-metragem Pray, 2014), é um segmento que parece embebido em LSD, repleto de simbologias e efeitos psicodélicos envolvendo tarô e teatro.

Em sexto temos “Invisível”, de Filipe Ferreira, um relato fantástico de um homem que tinha o diferencial de ser invisível. Mais dramático que horror, dá para ver claramente as entrelinhas de crítica social. Realmente, muito interessante.

O sétimo segmento se chama “Sete Minutos para a Meia-Noite”, de Ricardo Ghiorzi, o organizador por trás dessas compilações. Aqui temos um casal pobre, ela grávida, que esperam a vinda do rebento num apartamento decadente, só que o filho do casal na verdade é fruto de um pacto satânico. Uma espécie de O Bebê de Rosemary, onde os envolvidos se deram mal.

E assim como aconteceu com 13 Histórias Estranhas, o melhor e mais ambicioso segmento ficou por último, “Apóstolos”, dirigido por Marcos DeBrito (Condado Macabro), um delírio sangrento de fundo bíblico.

No saldo final, essa interessante compilação nos mostra um leque de variedades e possibilidades do nosso cinema fantástico. Com produção caprichada, destaque para fotografia e a trilha synth wave oitentista de alguns episódios, é um ótimo termômetro para medir o cinema fantástico brasileiro atual.

Abaixo um rápido bate-papo com Ricardo Ghiorzi, o idealizador por trás de Histórias Estranhas:

Esse projeto começou como uma continuação do 13 Histórias Estranhas, retomando a fórmula de contar 13 histórias, mas no decorrer do tempo os contos foram reduzidos para oito, sendo assim deixou de se chamar 13 Histórias Estranhas 2 para simplesmente Histórias Estranhas. Fale um pouco sobre o percurso da produção, como se deu essa mudança de redução de histórias. E como foi a escolha final dos diretores aqui envolvidos.

Vou resumir então. Desde o início, essa grande aventura…kkk! O projeto original foi bolado em 2013, com a ideia conceitual de ser um filme com 13 curtas de cunho terror/fantasia com temáticas nos numerais. Em 2015 foi finalizado o longa, de maneira totalmente independente, na base do sangue, suor e lágrimas. Cada diretor tinha total liberdade de criação e formava sua própria equipe de produção. O filme estreou em Porto Alegre e fez um belo circuito em festivais, tendo como ápice, participar da seleção oficial do super festival Fantasporto, em Portugal. Alguns curtas também fizeram carreiras solo, participando inclusive do maior festival do gênero, Sitges, na Espanha. Como a ideia do longa se mostrou eficaz e com potencial, era natural que viesse a sequência. Novos diretores foram convidados a fazer parte do 13 Histórias Estranhas 2. Muitas dificuldades ocorreram na produção dos curtas, e mesmo com o longa incompleto, teve sua estreia em 2017, no Fantaspoa, em Porto Alegre. Sempre é bom lembrar que foi uma produção totalmente independente, e cada diretor arcou com suas despesas de produção com suas equipes. A partir desse ponto, o longa deu uma guinada, sofreu uma metamorfose. Como não tínhamos mais os 13 curtas para formar o longa, rebatizamos de Histórias Estranhas e abandonamos a ideia dos numerais. Tínhamos belos curtas nas mãos, e com certeza teríamos um belo longa. Reconvidamos os diretores a participar desse novo redirecionamento do filme. Alguns diretores decidiram não seguir no projeto, outros por motivos alheios a nossa vontade, também não entraram na coletânea. Por fim, 8 curtas permaneceram. Refizemos a edição, abertura, cartaz, enfim, repaginamos tudo a partir dessa nova realidade do longa. Acho que conseguimos um bom resultado. O filme continua com o espírito estranho, com uma pegada bem sinistra, dinâmico e com um belo acabamento. Enfim, o público é que vai ser nosso termômetro, vai nos dizer se acertamos ou não.

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Paulo Blob

Paulo Blob

Nascido em Cachoeirinha, editou o zine punk: Foco de Revolta e criou o Blog do Blob. É colunista do site O Café e do portal Gore Boulevard!

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