Expresso do Horror (1972)

Expresso do Horror
Original:Horror Express
Ano:1972•País:UK, Espanha
Direção:Gene Martin
Roteiro:Arnaud D’usseau e Julian Halevy
Produção:Bernard Gordon
Elenco:Christopher Lee, Peter Cushing, Alberto de Mendoza, Silvia Tortosa, Julio Peña, Algel Del Pozo, Helga Liné e Telly Savalas

No final de 2017 o cineasta e ator inglês Kenneth Branagh lançou e estrelou o filme Assassinato no Expresso do Oriente. O filme, baseado no romance de Agatha Christie, acompanha a investigação de um assassinato que aconteceu durante uma viagem do famoso serviço de trem conhecido como expresso do oriente, famoso por longas viagens com duração de dias.

O mote do romance, e consequentemente do filme, é saber que um dos passageiros de um vagão específico é o assassino. Cabe ao detetive Hercule Poirot (Branagh) colher pistas daquele grupo e com o avançar das investigações percebemos que todos os passageiros deste vagão possuem motivos para serem o assassino. Além do mistério em torno de quem é o culpado, outro ponto bastante interessante na trama responde pela ação acontecer em um trem em movimento em uma região inóspita durante uma viagem de dias de duração.

Vamos aproveitar o trem em questão e o mistério em torno de um assassino a solta nos vagões. Mas desta vez não teremos um vilão de carne e osso, mas sim uma estranha criatura. E para piorar, este ser não apenas é capaz de matar, mas de absolver o conhecimento das suas vítimas. Ou seja, quanto mais pessoas forem mortas, mais inteligente e indestrutível este monstro vai ficar. O enredo vem do clássico cult Expresso do Horror, produção lançada em 1972.

O filme tem direção eficiente do espanhol Gene Martin, de Una viela para el diablo, e é estrelado pelos monstros sagrados Christopher Lee e Peter Cushing, além de um ótimo time de coadjuvantes. Expresso do Horror começa acompanhando uma expedição geológica britânica na Manchuria, em 1906. Liderada pelo professor Saxton (Lee), o grupo descobre um estranho fóssil do que parece ser um macaco pré-histórico congelado que pode ter milhões de anos. Saxton encaixota o fóssil e embarca em um trem trans-siberiano de volta à Europa.

Não demora muito para o fóssil despertar e se tornar cada vez mais esperto e ameaçador na medida em que mata as suas vítimas. Estas são encontradas com os olhos brancos. Entre os passageiros, o médico britânico Wells (Cushing) realiza uma autópsia em um dos mortos e descobre que o cérebro do defunto também está completamente branco. Os policiais do trem partem para perseguir o tal fóssil vivo e conseguem abater o monstro. O problema é que isto não impede que mais mortos com os olhos brancos continuem sendo encontrados pelo trem.

Visto hoje, a trama pode ser considerada no mínimo datada, tanto pela questão narrativa, que soa um pouco lenta no começo, até na questão estética como a caracterização do fóssil, muito parecido com um lobisomem dos programas do Chapolim Colorado. No entanto, o roteiro, assinado por Arnaud D’usseau e Julian Halevy, é tão bem amarrado com um suspense bem construído permitindo que a trama além de interessante tenha ótimas reviravoltas. A melhor delas acaba sendo o que acontece depois que o fóssil é morto.

Crédito do diretor Martin que conseguiu fazer um filme capaz de prender atenção principalmente se o público atual tiver paciência para acompanhar a trama. Além disso, ele também conseguiu gravar todas as cenas de diferentes vagões em um único cenário que era apenas transformado pela equipe de direção de arte do filme. Para completar, Martin também precisou lidar com um fragilizado Cushing que tinha acabado de perder a esposa. O ator estaria tão triste que, ao chegar na Espanha, onde as filmagens aconteceram, logo informou ao diretor que não teria condições de trabalhar no filme. Coube a Christopher Lee convencer o amigo a ficar.

Curiosamente, apesar das semelhanças com o romance de Agatha Christie, foi do livro Who goes there?, de John W Campbell, que Expresso do Horror foi adaptado. Esta foi na verdade a segunda adaptação, bastante livre, do livro de Campbell. A primeira foi o clássico de ficção O Monstro do Ártico, de 1951 e que rendeu a sua mais famosa versão décadas depois com O Enigma do Outro Mundo, de 1982, dirigido com maestria pelo mestre John Carpenter.

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Filipe Falcão

Filipe Falcão

Jornalista com Mestrando em Comunicação. Fã de Cinema, mas com gosto especial para filmes de Terror. Para ele, o gênero vai muito além de sangue e morte.

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