Grito de Horror 2 (1985)

Grito de Horror 2
Original:Howling II: Your Sister is a Werewolf
Ano:1985•País:EUA, UK
Direção:Philippe Mora
Roteiro:Gary Brandner, Robert Sarno
Produção:Steven A. Lane
Elenco:Christopher Lee, Annie McEnroe, Reb Brown, Marsha A. Hunt, Sybil Danning, Judd Omen, Ferdy Mayne, Jimmy Nail, Jirí Krytinár, Jan Kraus

Em 1990, durante as gravações de Gremlins 2, o lendário ator Christopher Lee pediu desculpas pessoalmente ao diretor Joe Dante por ter participado de Grito de Horror 2. Se analisar o filme, a única sequência realmente cronológica para os acontecimentos do original, pode-se dizer que Lee deve ter levado esse peso na consciência para o túmulo. Ele participou de outras produções questionáveis, mas nada se compara à ruindade do trabalho de Philippe Mora, que tinha a responsabilidade de continuar um dos melhores filmes de lobisomem de todos os tempos.

Não seria fácil realmente. Inspirado em um romance de Gary Brandner, publicado em 1978, Grito de Horror é absolutamente antológico, uma referência para o subgênero, mesmo que tenha tido algumas diferenças em relação à obra. Se Joe Dante não gostava do livro, Brandner também disse na época que a adaptação era ruim, e guardava expectativas quanto ao lançamento da continuação, que teria como base seu segundo livro dentro da mitologia, The Howling II, de 1979. E as possibilidades eram animadoras, uma vez que o astro do horror, Christopher Lee, havia assinado para atuar no filme.

Lee interpreta um experiente caçador de ocultismo chamado Stefan Crosscoe. Ele está no enterro da âncora Karen White (desta vez interpretada por Hana Ludvikova), que, como foi visto no primeiro filme, transformou-se em lobisomem em frente às câmeras, revelando para o mundo a existência das criaturas – algo que não existe na obra original e irritou bastante o autor. Stefan acredita que ela irá retornar, pois as balas de prata foram retiradas de seu corpo na autópsia, assim como o punhal que fora cravado em seu peito. Sua presença no enterro incomoda o irmão dela, Ben (Reb Brown), que não acredita nessa história de lobisomem e se une a uma amiga de Karen, Jenny (Annie McEnroe) para tentar entender o que acontece.

No próprio enterro, a dupla nota o rosnar de uma garota, Mariana (Marsha A. Hunt), e as mexidas no pé de seu companheiro como identificação de território, numa ação típica de cães – ações patéticas, é preciso dizer. Na casa de Stefan, Ben vê a fita da transformação de Karen e fica sabendo que o caçador irá a noite no cemitério terminar o serviço. Depois de ver a irmã transformada, em maquiagem tosca sem qualquer semelhança com os lobisomens do original, Ben começa a acreditar no estranho e, juntamente com Karen, decide segui-lo até a Transilvânia, na caça e extermínio da líder dos lobisomens, Stirba (a musca Sybil Danning). Pelo caminho, irão se unir a outras pessoas e terão problemas com as criaturas, que estarão lá para impedir a ação do conhecido Stefan.

Lendo esses parágrafos acima, parece até interessante. Mas, não é. Se os efeitos são péssimos – e incluem raios que saem das mãos e trovões desenhados – e as atuações amadoras, algo que incomodou demais Lee, o enredo também é bem ruim, apelativo e repleto de falhas. Desde a promoção da banda Babel, que aparece tocando por diversas vezes e até fez Lee usar uns ridículos óculos escuros, até a edição, com repetição abusiva de cenas – algumas até do primeiro filme – e cortes horrendos. Aliás, uma das repetições é passível de levar o espectador à gargalhada: em dado momento, a estonteante Sybil Danning tira a roupa e mostra os peitos, de maneira gratuita. Essa sequência é repetida DEZESSETE vezes nos créditos finais!

Os cenários são pobres – a viagem a Transilvânia nem é mostrada -, o vilarejo nos Balkans é risível (a tal celebração da Lua nunca é realmente mostrada) e há até um anão lobisomem, que usa uma máscara para esconder os olhos vazados. O repetido sexo dos lobisomens é apelativo, assim como o confronto final é tão mal dirigido e encenado que parece peça de teatro infantil. Christopher Lee está notadamente incomodado no filme, mantendo sempre uma carranca, uma expressão amarga. Mas, ainda é a única razão que você pode ter para assistir ao filme.

Curiosamente, Grito de Horror 2 foi lançado em VHS no Brasil pela VTI. A dublagem ruim transformou o longa num filme de vampiro (!!), substituindo todas as falas que envolvem os licântropos em referências ao vampirismo, como a estaca no coração, por exemplo. Não se sabe porque fizeram isso, se mesmo toscamente, o que se vê na tela são lobisomens, não vampiros. Talvez pela relação com Lee ou por alguma incompetência dos tradutores, pois era uma tarefa simples e que não necessitava de muito esforço, se conhecesse o trabalho original.

Além de Christopher Lee, cuja filmografia foi amplamente estudada em artigos no Boca do Inferno, vale menção a presença da scream queen Sybil Danning. Nascida em 24 de maio de 1952, na Áustria, ela tem na carreira pouco mais de 80 filmes, tendo como destaque no gênero fantástico pérolas como Mercenários das Galáxias (1980), Assassinato na Noite (1980), Correntes do Inferno (1983), Hércules 87 (1983), A Maldição da Tumba (1986), As Amazonas na Lua (1987), A Marca do Vampiro (1990), Grindhouse (2007) e Halloween – O Início (2007).

Depois de Grito de Horror 2, os lobisomens continuaram sendo maltratados nas outras continuações dessa numerosa franquia, com poucas exceções.

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Marcelo Milici

Marcelo Milici

Fundou o Boca do Inferno em 2001. Formado em Letras, fez sua monografia sobre o Horror Gótico na Literatura. É autor do livro "Medo de Palhaço", além de ter participado de várias antologias de horror!

3 comentários em “Grito de Horror 2 (1985)

  • 12/04/2018 em 08:26
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    Na Minha Modesta opinião,não tinham que ter continuado a franquia tinha que ter ficado no grito de horror 1 e pronto, pois quem gosta de filme de horror já mais vai admitir que se faça uma sequência de filmes horrorosos desses,e que absurdo nem me liguei que nosso Saudoso Lee aparece no 2 que tremendo desperdício caros amigos!!!!

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  • 13/03/2018 em 09:40
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    Tem filme ruim que chega a ser bom de tão ruim que é. Vamos ver esse o que é que dá….

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  • 11/03/2018 em 21:21
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    Por incrível que pareça esse filme até que me diverte.

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