Verónica (2017)

Verónica
Original:Verónica
Ano:2017•País:Espanha
Direção:Paco Plaza
Roteiro:Fernando Navarro, Paco Plaza
Produção:Enrique López Lavigne
Elenco:Sandra Escacena, Bruna González, Claudia Placer, Iván Chavero, Ana Torrent, Consuelo Trujillo, Ángela Fabián, Carla Campra

Paco Plaza ficou conhecido internacionalmente por ser um dos idealizadores do excelente REC, produção constituída na perspectiva dos found footage. Justamente por seu estilo, torna-se difícil estabelecer comparações entre o queridinho REC e Verónica, mas posso dizer que este último não decepciona.

A trama acompanha alguns dias na vida de Verónica (Sandra Escacena), uma adolescente de 15 anos que, devido à morte do pai, tem que cuidar dos três irmãos enquanto sua mãe se desdobra em turnos extras no trabalho para sustentar a casa. Num dia de eclipse solar, a protagonista e duas amigas tentam contatar o falecido pai através de uma tábua ouija. Contudo, o jogo não termina bem e Verónica começa a sentir uma presença macabra que a acompanha e ameaça a segurança de seus irmãos.

A narrativa é baseada numa história real que aconteceu com Estefania Gutierrez Lázaro, em Madri no ano de 1991. A garota foi perseguida por uma criatura sobrenatural por seis meses depois do jogo com a ouija, passando por um hospital psiquiátrico e retornando à sua casa, onde faleceu. O relatório policial do caso ficou conhecido como o único na história espanhola em que os policiais confirmaram a presença de entidades sobrenaturais num evento.

Plaza aplica diversas alterações na história de Estefania, principalmente no que tange o caráter temporal. Em Verónica, os acontecimentos ocorrem em três dias, dando um ritmo instigante e contribuindo para a carga emocional trabalhada pela protagonista.

O roteiro criou personagens empáticos. É possível sentir o peso do cotidiano de Verónica, com as responsabilidades que lhe foram atribuídas a partir da morte do pai. Ela é uma personagem cativante, com uma inocência justificada por sua situação de vida. Por isso, é fácil se identificar e torcer por ela, e esse, talvez, tenha sido o insight mais inteligente do diretor e do roteirista: trabalhar a empatia. Quando nos identificamos com um personagem, queremos assistir um filme até o final, e se o encerramento corresponde às expectativas, como é o caso de Verónica, melhor ainda.

Vale destacar que a construção da protagonista só é possível graças à atuação de Sandra Escacena, que está em cena em praticamente 100% do filme, transmitindo os temores e a inocência necessária à sua personagem.

Outro destaque para a produção é o ar de anos 90. Desde as propagandas que os personagens assistem na TV, até as músicas da banda Heroes del Silencio que Verónica ouve em seu walkman. A trilha de fundo tem aqueles sons de sintetizadores típicos dos filmes da época e a própria fotografia é um pouco “desgastada”, lembrando as imagens de uma TV de tubo (essa opção não tenho certeza se foi proposital, mas ficou legal!).

Como pontos negativos, alguns personagens, mesmo com excelentes atuações, não são tão explorados quanto poderiam, como a Irmã Morte (Consuelo Trujillo). Também, o filme não traz nada de novo ou revolucionário ao tema. Mas é bem executado no que se propõe e, por isso, merece nossa atenção.

Eu não lembro da última vez que assisti um filme em que tenha torcido tanto pela protagonista. Paco Plaza e Fernando Narravo provam que para fazer um bom filme de terror você não precisa de efeitos especiais de ponta, jump scares gratuitos, ou subestimar a inteligência do público. Basta trabalhar bem seus personagens e torná-los convincentes.

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Luana Caroline Damião

Luana Caroline Damião

Graduada em museologia, fã de faroestes e Christopher Lee, deseja que o mundo acabe com um apocalipse zumbi, onde, certamente, será um dos mortos-vivos.

3 comentários em “Verónica (2017)

  • 29/03/2018 em 17:58
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    Nem sei por onde começar, o filme é uma cópia de Invocação do mal 2, Sobrenatural e Ouija e nem com as receitas prontas soube dar medo ou deixar o telespectador tenso. Confesso que não sou nem um pouco fã do trabalho deste diretor apesar de apresentar algo um pouquinho menos vergonhoso do que Rec esse filme está a quilômetros de ser considerado bom. Nada se salva nem mesmo a trilha sonora se liga as cenas, o que era para assustar não assusta pois como eu disse inicialmente não há nada de novo a receita é a mesma apenas com um desenvolvimento com beeeem menos orçamento e falada em Espanhol (quem for fazer o sacrifício de assistir NÃO vejam dublado a dublagem é vergonhosa).

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  • 27/03/2018 em 14:54
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    Concordo plenamente com a crítica, alguns personagens deveriam ser melhores aproveitados mas de qualquer forma o “resumo da obra” ainda é bom.

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  • 25/03/2018 em 17:53
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    Gostei da crítica e de ser baseado em fatos reais, mas mesmo assim, poderia ter evitado os spoilers, sobre o que acontece no final com a protagonista. #ficaadica

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