Os Estranhos: Caçada Noturna (2018)

Os Estranhos: Caçada Noturna
Original:The Strangers: Prey at Night
Ano:2018•País:EUA, UK
Direção:Johannes Roberts
Roteiro:Ben Ketai
Produção:Wayne Marc Godfrey, James Harris, Robert Jones, Ryan Kavanaugh, Mark Lane
Elenco:Bailee Madison, Christina Hendricks, Martin Henderson, Emma Bellomy, Lewis Pullman, Damian Maffei, Lea Enslin, Preston Sadleir, Leah Roberts

O ponto de partida para o longa de 2008, Os Estranhos, foi um incidente ocorrido na infância do diretor Bryan Bertino, quando, numa dada noite, uma pessoa teria aparecido à porta de sua casa perguntando sobre alguém que não morava ali. No dia seguinte, ele e sua família ficaram assustados ao descobrir que algumas casas vizinhas haviam sido invadidas. Tamara realmente não estava lá, mas a sua procura foi o estopim no desenvolvimento de uma das produções mais tensas e impressionantes do período, assombrando até mesmo a protagonista Liv Tyler e o ator Kurt Russell, que mencionou o filme como um dos mais arrepiantes que já viu. Há também semelhanças entre o enredo de Bertino com o aterrorizante Eles (Ils, 2006), de David Moreau e Xavier Palud, e até com o massacre encomendado por Charles Manson no final da década de 60, que culminou com a morte de várias pessoas, incluindo a atriz Sharon Tate, esposa grávida de Roman Polanski.

Com o reconhecimento e boa aceitação, desde 2009 tem se falado sobre uma continuação. Poderia resgatar a personagem de Tyler ou explorar a mesma fatídica noite, com o trio de assassinos mascarados seguindo seu jogo de sangue e violência. Entre reescritas do roteiro e a dança das cadeiras, foi somente em 2017 que Johannes Roberts resolveu assumir a direção, colhendo os frutos do sucesso de Medo Profundo (47 Meters Down, 2017), que conseguiu a façanha de apagar o passado trash de produções ruins do currículo do cineasta como Hellbreeder – O Desconhecido (2004), Darkhunters (2004), Floresta dos Condenados (2005), entre outras, incluindo o fraco Do Outro Lado da Porta (2016).

Sem o envolvimento de Bertino, a continuação partiu para uma ideia particular, mostrando mais um ataque dos jovens assassinos, porém ampliando as ações para um estacionamento de trailers em vez de apenas uma casa. Também houve a opção no roteiro de Ben Ketai (30 Dias de Noite 2: Dias Sombrios, 2010) de trazer mais personagens e criar uma empatia maior com o espectador ao aprofundá-los em suas relações. As vítimas da vez pertencem a uma mesma família, composta pelo pai Mike (Martin Henderson, de O Chamado, 2002), a esposa Cindy (Christina Hendricks) e os filhos Luke (Lewis Pullman, filho de Bill Pullman) e Kinsey (Bailee Madison). Eles estão visitando os tios, moradores em um trailer, e aproveitando para passar um último momento juntos, uma vez que a rebelde Kinsey está em vias de estudar num colégio interno.

Na mesma noite, recebem a visita de uma estranha, envolta em sombras, perguntando sobre Tamara. É o início de um pesadelo violento que irá atormentar a família, sem que haja qualquer meio aparente de se livrar daqueles calmos assassinos. Depois de uma briga rasteira com o afastamento de Kinsey e Luke, os irmãos encontram o trailer dos tios, muito sangue e um corpo desfigurado, enquanto Dollface faz uma nova visita na busca pela desconhecida. Assim que os pais encontram os filhos desesperados, eles erram ao decidir se separar: Cindy retorna com Kinsey para o trailer e o pai segue Luke até o cadáver. Com os telefones destruídos, a assassina espera pelas garotas para iniciar as investidas frias e sangrentas naquela longa noite.

A partir daí, o enredo segue o que se espera: correria e tentativas de se esconder, a aparição sinistra dos mascarados e uma trilha sonora que sempre destoa do que está sendo mostrado. Há mais cenas de perseguição do que no filme anterior, além da exploração de diversos ambientes, como a sequência que acontece na piscina, ao som da clássica Total Eclipse of the Heart, de Bonnie Tyler. A cena é um pouco mal realizada, com a câmera de Johannes não sabendo se manter nos melhores ângulos e se esquivando dos golpes de Luke.

Também houve a decisão equivocada de mostrar o rosto de alguns dos assassinos. Se antes existia todo aquele mistério sobre a identidade dos vilões, e a cena final do original que ainda os humanizava, neste não somente o roteiro fez questão de desmascará-los como ainda deu uma resistência sobre-humana a um deles, transformando-o em uma espécie de Jason Voorhees em Sexta-Feira 13 – Parte 2. A intenção em ampliar os sustos é até louvável, mas essa aparente imortalidade relembra o infernauta de que aquela frase inicial – Baseado em eventos reais – é extremamente artificial.

As atuações são muito boas, mas o destaque fica por conta da expressiva Bailee Madison. Talentosa, a jovem atriz, que com apenas 18 anos já possui 50 créditos em sua filmografia, havia chamado a atenção no gênero como a pequena Sally de Não Tenha Medo do Escuro. Ela já fez séries de TV e produções diversas, mostrando versatilidade e uma carreira promissora. Para fins de comparação, a atriz que faz a mãe dela, Christina Hendricks (nascida em 1975), é bem mais conhecida, com papéis em várias séries de TV e filmes como Demônio de Neon (2016), mas “só tem” 60 créditos.

Bem inferior ao original, Os Estranhos: Caçada Noturna até diverte, mas assusta pouco. Não estará entre os destaques de 2018 e nem será lembrado por Kurt Russell, mas vale pela oportunidade de reencontrar os velhos e conhecidos vilões enquanto tenta imaginar quem seria a tal Tamara.

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Marcelo Milici

Marcelo Milici

Fundou o Boca do Inferno em 2001. Formado em Letras, fez sua monografia sobre o Horror Gótico na Literatura. É autor do livro "Medo de Palhaço", além de ter participado de várias antologias de horror!

7 comentários em “Os Estranhos: Caçada Noturna (2018)

  • 18/06/2018 em 10:00
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    Esse filme é tão ruim que assisti ele inteiro avançando as cenas, tudo tão clichê, decisões burras dos personagens, policial que aparece pra ajudar e morre, vilão que se teletransporta exatamente para onde está o personagem, e as atuações de quinta categoria, não dá nem dó dos personagens, fora que é só um corre corre que nunca dá em nada

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  • 10/06/2018 em 17:53
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    O gênero do terror eh uma area cheia de porcarias entoa quando surge algo minimamente intrigante já ganha status de cult, a verdade eh que o primeiro filme não era bom, mas apenas razoável, sim os psicopatas eram interessantes, mas os protagonistas eram horrivelmente burros, cometendo erro atrás de erro. O criador teve 10 anos pra quem sabe criar protagonistas a altura de seus psicopatas e invés disso, novamente apresenta personagens burros e azarados. Sim se a família fosse mais esperta teriam dado cabo desses “Estranhos” sem muito problemas, mas como eh burra eh muito azarada tiveram perdas. Outra coisa, no primeiro filme, como dito, tínhamos a impressão que os “estranhos” eram mais humanos, talvez tipo uma família também e que talvez pudessem se importar uns com os outros, mas nesse vemos que eles são suicidas que lingam tao pouco para suas vidas ou para a de seus parceiros. O legalzinho foi a referencia ao primeiro “Massacre da serra elétrica de 70 e pouco”, aquela referencia foi legalzinho hahaha. Alias o filme Eles (Ils, 2006), mencionado aqui eh 10 mil vezes melhor que os dois filmes do “Os estranhos” juntos, fica a dica.

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    • 11/06/2018 em 16:44
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      Eu acho esse filme Eles um dos mais bestas que já vi.

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  • 08/06/2018 em 22:33
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    Vocês foram hiper generosos, essa nota não é digna do boca de inferno, vocês sabem que o filme, vindo de onde ele veio, é uma sequência bosta. Vergonha alheia total desse filme, na boa.

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  • 07/06/2018 em 23:13
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    Meu comentário vai ter SPOILER:

    Eu preciso desabafar porque esse filme é frustrante! Uma decepção. O enredo é extremamente batido. Filme cheio de clichês, e já começa com uma lenga lenga das historinhas dos filmes americanos. Todo mundo já viu essa história do casal de irmãos que se detesta mas no fundo se ama e no final vai se proteger. O garoto é jogador de beisebol todo seguro de si, os pais por sua vez amam seus filhos, mas sofrem por ter que tomar alguma atitude drástica em relação a eles… enfim, famílias que tentam se ajustar. Você já começa a revirar os olhos aí porque já viu isso demais.

    O pior é que essa família é muuuito chata! Você quer que eles morram logo. Principalmente a protagonista, fraquíssima e sem carisma nenhum. A atuação da adolescente, diga-se de passagem, achei péssima.

    O destaque do primeiro filme foi sem dúvida os assassinos, sua calma, frieza e astúcia. Mas aqui parece que eles ficaram burros e passam quase que por mais apuros que as vítimas. P***rra, mataram o trio de assassinos mais legal dos últimos anos do cinema, cara, que cagada! E pior, quem fez isso foi essa família ridícula de fraca e chata. Antes tivesse sido o casal do primeiro filme.

    O assassino que não morria no final concordo que foi ridículo, quase uma piada.

    Mas até que curti quando mostrou o rosto da Dollface, e a resposta àquela tradicional pergunta: “Por que estão fazendo isso com a gente” também achei legal. Mas só isso.

    No mais fiquei com uma tremenda raiva desse filme, que estragou todo o encanto do primeiro. Lixo, lixo, lixo!

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    • 12/06/2018 em 12:33
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      Pegou pesado. O filme nem se compara ao primeiro, mas não é ruim assim. Me lembrou os slasher toscos dos anos 80 que me divertiam muito.

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