Vingança (2017)

Vingança
Original:Revenge
Ano:2017•País:França
Direção:Coralie Fargeat
Roteiro:Coralie Fargeat
Produção:Marc-Etienne Schwartz, Marc Stanimirovic
Elenco:Matilda Anna Ingrid Lutz, Kevin Janssens, Vincent Colombe, Guillaume Bouchède

Foi no final da década de 70 que a jovem Jennifer, interpretada visceralmente por Camille Keaton, tentou encontrar um ambiente agradável para relaxar e foi violentada por quatro homens. Deixada para morrer, ela reuniu forças para iniciar uma vingança sangrenta, fria e dolorosa, numa das produções que mais bem representam o período do cinema exploitation e do início do empoderamento feminino, reforçado pela série As Panteras (1976-1981). Mesmo com sua característica independente e a violência crua que atrairia uma censura rígida, A Vingança de Jennifer traria um novo olhar para os filmes de vingança, passando a ser referência para o subgênero, além de despertar outras desforras. Vingança (Revenge), de Coralie Fargeat, resgata não apenas o estilo e a época, mas essa própria película de Meir Zarchi, levando as ações para um infernal deserto.

É para lá que o milionário francês Richard (Kevin Janssens) leva de helicóptero a sua amante, a socialite americana Jen (Matilda Lutz) – um apelido para Jennifer? Ele possui uma mansão na região, e anualmente promove uma caça com os amigos Stan (Vincent Colombe) e Dimitri (Guillaume Bouchède), esperando a chegada deles alguns dias depois, quando Jen já não estivesse presente. Como eles anteciparam a viagem, Stan fica encantado com a beleza patricinha da garota, principalmente na mesma noite, quando o grupo aproveita para dançar e beber. Na manhã seguinte, estando Richard fora de casa, Stan tenta uma aproximação, acreditando que ela havia demonstrado interesse por ele em sua dança sensual. Com a negativa, ele a estupra no quarto, com a ação sendo ignorada por Dimitri.

Ao retornar para a morada e descobrir o que havia acontecido, Richard tenta abafar o caso para evitar problemas maiores, mas Jen ameaça não somente denunciar o crime como também contar para a esposa dele. O trio persegue a jovem pelo deserto, e ela é empurrada em um precipício e empalada pelo galho de uma árvore seca. Acreditando que a garota não tenha sobrevivido, os homens voltam para a mansão e começam a apagar os rastros dela como se nada tivesse acontecido. Mas, ela não só está viva, como está disposta a sair dali para buscar ajuda, mesmo que talvez seja necessário enfrentar os três homens numa vingança que promete ser bem agressiva.

Tendo em vista as influências do subgênero, Coralie Fargeat trabalha seu filme como um grindhouse ou uma graphic novel. Não há como levar a sério tudo o que acontece, como a sobrevivência de Jen após uma queda de um penhasco, queimando os galhos para escapar; e a “cirurgia” que ela realiza, com o patrocínio de uma poderosa droga que manteve guardada em seu colar. O peyote é tão forte – “capaz de fazer um homem serrar a própria perna sem sentir dor” – que permite que ela consiga cicatrizar a ferida e se reerguer para enfrentar os inimigos, ignorando todo o sangue que perdeu e a ruptura de seus órgãos internos.

Fargeat tem consciência de seus absurdos por isso brinca com a câmera e a fotografia de seu filme desde a chegada do helicóptero, através de cores tão fortes quanto um desenho animado. Também explora a alucinação de Jen, em imagens distorcidas, além da transformação de uma garota frágil numa guerreira Mad Max, hábil em atirar contra os vilões e se esquivar de suas investidas. Como cinema exploitation moderno, Vingança é um deleite visual, tanto na exploração da beleza do rosto e do corpo de Matilda Lutz quanto no banho de sangue proposto, não tendo vergonha de expor entranhas, furar olhos e explodir cabeças para mostrar o quanto não há limites para essa merecida vingança.

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Marcelo Milici

Marcelo Milici

Fundou o Boca do Inferno em 2001. Formado em Letras, fez sua monografia sobre o Horror Gótico na Literatura. É autor do livro "Medo de Palhaço", além de ter participado de várias antologias de horror!

3 comentários em “Vingança (2017)

  • 10/06/2018 em 18:08
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    O que podemos dizer desse filme. Eh impossível falar qualquer coisa sem comparar esse aos outros “vingança de Jenifer” de 70 e pouco e “Doce vingança” 1,2,3 dos anos 2000 e pouco. Esse filme tinha muito para ser um “doce vingança”, mas mais simples e crível, realista, mas aconteceu o contrario, o roteiro desse eh bem mais simples e menos elaborado que o dos outros filmes de vingança, mas eh menos crível, acreditável. Nesse filme vemos lesões que matariam qualquer pessoa ou a deixaria incapacitada por semanas parecem arranhões. Serio, se o seu abdomen for perfurado por um tronco mais grosso que um cabo de vassoura, não importa a droga que você usar, você não vai conseguir fazer muita coisa, por causa da dor, da perda de sangue, e por causa a inflamação natural (conheci um cara, usuário de drogas, vizinho meu, que em uma festa tomou uma facadinha de canivete no abdomen, ele foi pra casa tomou um banho, dipirona, e como a ferida era pequena colou um band-aide e foi deitar, poucas horas depois acordou com o coração acelerado, correu por hospital. A facada não furou nem um órgão, mas os medicos tiveram que abrir ele, limpar o sangue da cavidade abdominal e depois costurar. Ficou alguns dias internado e semanas se recuperando Pra gente ver que não eh tao simples). Mas na realidade desse filme cogumelos e fogo curam qualquer ferida e te deixam em ponto de bala para enfrentar um exercito. Olha esse filme eh bem estilístico, com um jogo de camera, mudança de perspectiva, foco em detalhes e uma trilha sonora bem interessante, isso geralmente vemos em filmes mais cults, ou independentes, nesse quesito esse filme da um show nos seus “colegas girl revenge” , ficou muito bom, mas não adianta ter estilo e não ter conteúdo, sendo MUITO inverosímil. Sim, os outros filmes desse gênero também são inverosímil, mas eles justificavam tudo baseados no planejamento feito pela personagem vingativa, ou seja, acreditávamos que as coisas davam certo, em sua maioria, por que a personagem tivera tempo de planejar tudo e nesse temos que acreditar que as coisas estão dando certo “NA RACA” e na sorte, o que não se justifica ao olharmos a personagem. Enfim achei o filme OK. Mais personalizado que os outros “doce Vinganças” mais muito simples e inverosími

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  • 09/06/2018 em 03:15
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    Filmaço !
    Pra mim já é um dos meus favoritos pra melhores do ano mesmo ainda estando em junho .
    A minha nota é 4 caveiras e meia .
    ” Revenge ” obrigatoriamente faz parte da minha coleção !
    Muito obrigado Coralie Fargeat pelo Violento Revenge pois é o resgate do NEW FRENCH EXTREMITY !

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  • 07/06/2018 em 10:18
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    É só desligar o cerebro dos acontecimentos inverossimeis e curtir o filme

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