The Darkest Dawn (2016)

The Darkest Dawn
Original:The Darkest Dawn
Ano:2016•País:UK
Direção:Drew Casson
Roteiro:Drew Casson, Jess Cleverly
Produção:Miles Bullough, Jess Cleverly, Andy Mosse
Elenco:Bethan Mary Leadley, Cherry Wallis, Jess Cleverly, Sarah Perugia, Stuart Ashen, Drew Casson

O que era para ser apenas uma websérie no youtube acabou se tornando uma franquia de invasão alienígena independente. Filmado por um cineasta amador de apenas 19 anos, contando com amigos e uma quantia pífia de dinheiro, Hungerford foi uma bela porcaria em formato found footage, com bons efeitos especiais escondidos num roteiro falho e repleto de momentos absurdos. Mas, o jovem diretor Drew Casson queria mais, algo maior e mais ambicioso, sua versão de Guerra dos Mundos. Assim, foi lançado em 2016, The Darkest Dawn, uma continuação direta, feita com uma equipe maior e melhores recursos, ainda que esteja distante de merecer uma recomendação.

Na última cena de Hungerford, Cowen Rosewell (o diretor Drew Casson) e os amigos Adam Martell (Tom Scarlett) e Kipper (Sam Carter) se preparavam para enfrentar os alienígenas em busca de Phillipa (Georgia Bradley). The Darkest Dawn volta alguns dias no tempo para mostrar a invasão sobre outro prisma, na visão da jovem Chloe Murdock (Bethan Mary Leadley), que acaba de ganhar uma câmera de vídeo. Bem mais carismática que todo o elenco do primeiro filme, ela apresenta a família, como a irmã Sam (Cherry Wallis) e os pais, interpretados por Jess Cleverly (o roteirista) e Sarah Perugia.

No dia da invasão, a mãe vai trabalhar e não retorna. Logo, militares chegam para isolar a área e o pai é atingido por um inseto atirado da nave alienígena e se transforma – muito mais rápido que os hospedeiros do primeiro filme, em seu longo processo. Segundos depois que o pai é morto por um soldado, as duas irmãs são obrigadas a se isolar nos esgotos com o agressivo Bob (Stuart Ashen), uma versão do paranoico personagem de Tim Robbins na refilmagem de Guerra dos Mundos. Alguns dias depois, o trio sobrevivente do original aparece para unir os núcleos, e todos saem numa missão de resgate de Philipa, tendo que enfrentar pelo caminho bandidos e soldados, em um mundo dominado por alienígenas que pouco aparecem.

Casson ousa em todos os detalhes, inconsciente de suas limitações. Não teme em mostrar a queda de um boeing próximo aos personagens – ainda que falhe na proporção -, carcaça de helicópteros e outros veículos e conduzir o grupo num passeio de barco, observando religiosos sobre uma ponte. Com isso, as ações saltam da pequena cidade de Hungerford para ocupar diversas áreas, explorando edifícios abandonados e o esgoto. Esse dinamismo, somado à boa interação do elenco, não cansa o público como aconteceu na primeira parte e nem desperdiça tempo com situações que não conduzem a lugar algum. Há política, militarismo e religião – ainda que discretamente – sendo criticados ou mostrados em tela, além do interesse por uma arma com a capacidade de destruir a nave invasora.

Embora menos sonolento, The Darkest Dawn não se esquiva do amadorismo nos aspectos técnicos e trabalha com piadas internas que não funcionam. Se é interessante o diário em vídeo de Chloe, relatando à mãe cada novo passo, a personagem é pouco explorada com a chegada do trio do filme original. E o roteiro continua disparando bobagens – pelo menos, ignoraram o uso de desodorantes como arma – como a potência do sangue raro de uma dada personagem, apresentando no início uma desnecessária cena em que ela resolve fazer uma doação. E o paradeiro da mãe das garotas nem é mais lembrado no decorrer do filme, sendo que ela poderia estar viva com os militares ou em alguma zona alienígena, mas as irmãs topam facilmente a missão de ir atrás da amiga do outro grupo.

Por fim, se quiser conhecer o trabalho desse esforçado diretor independente, a sugestão é que ignore o primeiro e busque apenas este, disponível na Netflix. Além de mais divertido, ele basicamente ignora tudo o enredo inicial por uma aventura cheia de tropeços, mas que não incomoda o espectador.

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Marcelo Milici

Marcelo Milici

Fundou o Boca do Inferno em 2001. Formado em Letras, fez sua monografia sobre o Horror Gótico na Literatura. É autor do livro "Medo de Palhaço", além de ter participado de várias antologias de horror!

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