Tau (2018)

Tau
Original:Tau
Ano:2018•País:EUA
Direção:Federico D'Alessandro
Roteiro:Noga Landau
Produção:Russell Ackerman, Terry Dougas, David S. Goyer, Paris Kasidokostas Latsis, John Schoenfelder, Kevin Turen
Elenco:Maika Monroe, Ed Skrein, Gary Oldman, Fiston Barek, Ivana Zivkovic, Sharon D. Clarke, Ian Virgo, Paul Leonard Murray, Dragoljub Ljubicic, Irene Chiengue Chiendjo, Greg De Cuir, Danijel Korsa

A Netflix continua insistindo nos filmes de ficção científica e eu, na inocência e ilusão de que “esse vai ser bom”, continuo assistindo a todos. Uma espécie de masoquismo? Talvez, porque eles continuam errando.

Tau é uma mescla de diversas outras histórias de inteligência artificial, mas um com um diferencial que poderia torná-lo mais interessante se o vilão fosse melhor construído e refizessem os efeitos especiais.

Na história, acompanhamos Julia (Maika Monroe, de Corrente do Mal2014), uma garota com problemas familiares que se vira através de pequenos roubos. Numa noite, ela é sequestrada e acorda amordaçada numa espécie de cela. Ao tentar fugir, acaba explodindo o porão em que estava presa, o que a faz dividir os espaços da casa com o grande vilão da história, Alex (Ed Skrein), enquanto ele reconstrói a cela. Mas Alex não é um cara comum. É um gênio da informática e AI, que sequestra pessoas para fazer testes e criar algoritmos capazes de gerar emoções em máquinas. E no meio disso tudo existe um AI em especial, Tau (voz de Gary Oldman), que controla a casa de Alex e funciona como uma espécie de tutor para os testes que Julia precisa fazer.

Os problemas do filme começam com Alex. Que vilão sem graça! Ele é fraco e tem atitudes ridículas, imaturo e mimado, e não tem noção da proporção das coisas que está fazendo. E, na realidade, não conseguimos entender o que ele está fazendo. Alex tem várias reuniões com executivos e um prazo apertado para terminar os testes com Julia, mas em nenhum momento fica claro como as coisas serão feitas e nem a finalidade de seus testes: ele quer usar humanos para implantar emoções em máquinas e os testes utilizados são quebra cabeças e “aponte o desenho diferente no grupo”? Não dá para entender como isso ajudaria a ativar emoções humanas.

Outro ponto fraco do filme foi a entrada de Julia na casa e no contato com Tau. Ela explode a cela de uma maneira completamente fora de contexto. Por que não a colocaram em contato com a casa logo de cara? Para que fazer aquela cena ridícula com efeitos toscos?

E aqui já podemos falar de outro ponto negativo: efeitos especiais. Eu não sou muito de julgar essas coisas, porque gosto de pensar que as vezes foi o que se conseguiu fazer frente a outros fatores, como recursos e prazos. Mas, acredito que se você tem pouca grana (que não deve ser o caso) e opções narrativas para evitar que coloque cenas toscas na tela, evite!

O ponto alto de Tau é a relação construída entre a AI e Julia, ou seja, todo o restante parece um contexto diante desse ápice.  Várias questões aparecem ali sobre o que faz sermos humanos, o que devemos (e se devemos algo) a quem nos criou e a conclusão de que existimos através de uma trajetória, um processo, e que não podemos contar com nada além de nossas memórias, nossa formação interior. Temos que ser nossos próprios criadores.

A trama central de Tau é muito interessante. É o que destacaria a história, entre tantas outras de inteligência artificial. O problema é que sua execução foi mal elaborada, deixando uma sensação de que poderia ter sido um filme incrível, mas infelizmente não foi.

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Luana Caroline Damião

Luana Caroline Damião

Graduada em museologia, fã de faroestes e Christopher Lee, deseja que o mundo acabe com um apocalipse zumbi, onde, certamente, será um dos mortos-vivos.

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