Motorrad – A Trilha da Morte (2017)

Motorrad – A Trilha da Morte
Original:
Ano:2017•País:Brasil
Direção:Vicente Amorim
Roteiro:L.G. Bayão
Produção:André Skaf, L.G. Tubaldini Jr.
Elenco:Carla Salle, Juliana Lohmann, Guilherme Prates, Emilio Dantas, Pablo Sanábio

Em uma – bem-vinda – enxurrada de lançamentos nacionais de horror nos últimos anos, há algumas obras que se destacam (muito) positivamente e outras que nem tanto, servindo mais como chamarizes ou experimentos para a cinematografia brazuca de gênero, do que para qualquer outra coisa. Um destes exemplares menos sucedidos e que passou despercebido nas salas de cinema em março deste ano foi Motorrad – A Trilha da Morte, do experiente Vicente Amorim (Irmã Dulce, Um Homem Bom, Confia em Mim), que oscila irregularmente durante roda a projeção, apresentando alguns pontos que merecem destaque.

Escrito por L.G. Bayão (O Segredo dos Diamantes, O Shaolin do Sertão), o longa tem um início se não promissor, pelo menos diferente do padrão. Seus treze primeiros minutos não possuem uma fala sequer, e apostam numa fotografia de paleta dessaturada que tenta conotar um senso de isolamento e desolação, que até funciona, embora possa cansar o espectador mais ansioso.

Resumindo, um grupo de motoqueiros motociclistas decide fazer uma trilha radical por paisagens paradisíacas (o filme foi gravado na Serra da Canastra) e acaba, numa tentativa de conhecer um lugar novo e desafiador, vítima de uma misteriosa e silenciosa gangue que parece ter prazer em caçar e matá-los. E para por aí. O elenco é formado de figurinhas carimbadas nas telenovelas globais que embora aqui pareçam desconfortáveis nos papeis, não chegam a comprometer.

De ritmo excessivamente lento, onde por várias vezes essencialmente nada acontece em tela, o filme se dá melhor quando ações sangrentas e inesperadas, incluindo aí uma mutilação on-screen, tomam a tela, embora nada chegue exatamente a chocar o infernauta mais experiente. A própria escolha de Amorim em entregar um produto mais intimista e voltado ao suspense acaba por igualmente sabotá-lo. Os parcos diálogos existentes no roteiro, embora funcionem num momento inicial ao estabelecer um clima de mistério, vai aos poucos culminando num total desinteresse por aquelas personagens, uma mais desinteressante e mal desenvolvida do que a outra. O longa funciona, curiosamente, recuperando um pouco do fôlego quando investe para valer no horror gráfico, na melhor cena do longa na qual uma das personagens se esconde num casebre no meio do campo e é encurralada, numa sequência bastante incômoda visualmente. E falando em visual, um ponto a ser admirado é justamente a boa utilização pela Direção de Arte nos cenários de ferro velho, criando uma ambientação sinistra.

No entanto, encerrando com uma resolução frouxa de um mistério igualmente frágil, Motorrad é um esforço nacional válido, ainda que irregular.

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Marcus Augusto Lamim

Marcus Augusto Lamim

Um seguidor fiel do cinema em todos seus formatos e gêneros, amante de rock e do gênero fantástico, roteirista amador e graduando em química.

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