O Predador (2018)

O Predador
Original:The Predator
Ano:2018•País:EUA, Canadá
Direção:Shane Black
Roteiro:Fred Dekker, Shane Black
Produção:John Davis, Lawrence Gordon
Elenco:Boyd Holbrook, Trevante Rhodes, Jacob Tremblay, Keegan-Michael Key, Olivia Munn, Sterling K. Brown, Thomas Jane, Alfie Allen, Augusto Aguilera, Jake Busey, Yvonne Strahovski, Brian A. Prince, Mike Dopud

Desde sua concepção na década de 80, a cargo de Jim e John Thomas, o predador sempre encontrou um meio de voltar. Sua segunda passagem pela Terra, na selva urbana, dividiu opiniões, mas, ainda assim, serviu para apresentar novas características do guerreiro, como armas diferenciadas e outros exemplares dentro de uma hierarquia. Depois teve dois fracos encontros com o alienígena de H.R. Giger até o retorno à mata com o “Parque dos Predadores“. Parecia que a criatura finalmente estava deixando de lado o Planeta em busca de troféus em galáxias distantes, até o anúncio de sua nova empreitada.

Em 2014, a FOX aceitou a proposta de Shane Black (um dos soldados do filme original) de levar à franquia a um novo rumo. Com um roteiro desenvolvido por ele, em parceria de Fred Dekker (de A Casa do Espanto, A Noite dos Arrepios e Deu a Louca nos Monstros), o longa teve início da pré-produção em 2016 e a fotografia principal no ano seguinte. Criou-se uma grande expectativa quando o elenco começou a ser anunciado, com nomes como o de Thomas Jane, Olivia Munn, Keegan-Michael Key, Jake Busey e da belíssima Yvonne Strahovski (O Conto da Aia e Frankenstein: Entre Anjos e Demônios), além de imagens de militares e, claro, do predador. Assim, no último dia 6 de setembro, o longa estreou no Festival de Toronto, até alcançar os cinemas pelo mundo nesta semana.

As poucas críticas já disponíveis na internet novamente estão divididas. Enquanto algumas, como a de um dos grandes sites de cinema mundial, The Hollywood Reporter, foram positivas e destacaram o quanto ele é divertido em grandes proporções, houve também quem não visse graça no humor considerado exagerado e nem mesmo nas cenas de ação, não se importando com as mudanças nem com o tom familiar do filme. Há um pouco de tudo realmente: humor, ação e diversão, com doses bem equilibradas, embora tenha pecado no último ato, com os absurdos de um roteiro pouco surpreendente e o desnecessário gancho para uma continuação.

Após uma cena no espaço envolvendo uma perseguição entre naves alienígenas, uma delas entra na atmosfera terrestre bem no momento em que o atirador de elite do Exército Americano, McKenna (Holbrook), preparava-se para atrapalhar um encontro entre traficantes mexicanos pela possível eliminação de reféns. A criatura, banhada em sangue, deixa algumas vítimas antes de desaparecer, sem conseguir impedir que o oficial consiga roubar seu capacete e a braçadeira tecnológica para, mais tarde, enviar para sua própria casa, onde reside de maneira conturbada com Emily (Strahovski) e o pequeno Rory (Jacob Tremblay, de O Sono da Morte, 2006), um garoto autista muito inteligente.

Enquanto McKenna é preso e interrogado por ter visto mais do que podia, a bióloga Dra. Casey (Munn) é convidada para ir a um laboratório secreto para analisar o material recolhido na selva, incluindo o próprio predador capturado. Considerado insano pelo exército, o agente é levado em um ônibus militar com um grupo de soldados com problemas psicológicos, ou como aponta um deles: um “esquadrão de lunáticos“. Nebraska Williams (Trevante Rhodes, de Westworld) apresenta os demais com suas peculiaridades, como o hilário Baxley (Jane), em trejeitos e falas indevidas; Coyle (Keegan-Michael Key); Lynch (Alfie Allen) e Nettles (Augusto Aguilera), o pastor com suas citações bíblicas do fim dos tempos.

Com o despertar e fuga do predador, a doutora se une aos improváveis heróis para salvar Rory, que descobriu um meio de utilizar o equipamento e, sem querer, acionou um outro predador, uma versão gigantesca e extremamente poderosa. Ele traz consigo cães predadores (bem melhores do que as criaturas de Predadores) e está disposto a eliminar a outra criatura, além de recuperar o material e principalmente a nave. Os soldados loucos terão que encontrar meios de enfrentar os predadores e o próprio exército que, mesmo consciente de outras visitas dos alienígenas (mencionando os dois filmes da franquia), não quer que as informações vazem para a mídia e o público em geral.

Contendo muitas cenas violentas – decapitações, desmembramentos e gore -, O Predador recebeu censura 18 anos em muitos lugares onde está estreando. Não é para tanto. Mesmo com tantas mortes, corpos destruídos e sangue em profusão, o longa está bem distante de precisar dessa indicação, tendo em vista muito do que já se viu nos cinemas mesmo este ano. Além disso, o clima descontraído conduz boa parte do tom da produção, com piadas e muitas brincadeiras do elenco, indo além do tradicional alívio cômico, geralmente associado a um único personagem. E é exatamente essa atmosfera bem-humorada que tem incomodado alguns espectadores, considerando o trabalho de Shane Black mais como sátira do que Ficção Científica e Horror. Confesso que não me importei com o humor apresentado, tanto que a simpatia desses personagens hilários me trouxe grandes preocupação com o que poderia acontecer a eles nos confrontos com o “ultimate predator“.

O longa prepara o espectador para esse possível embate, enquanto traz cenas de perseguição por diversos lugares, incluindo a mata, local preferido do guerreiro e do público. Com isso, bons momentos de confronto se misturam aos clichês do estilo, presentes em personagens já vistos antes, desde o doutor Keyes (o veterano Jake Busey, de Tropas Estelares, 1997) ao estereotipado vilão Traeger (Sterling K. Brown, de Pantera Negra, 2018), e situações óbvias e que facilitam o trabalho dos roteiristas (o predador jogar de um lado para outro um dos heróis ao invés de explodir sua cabeça, por exemplo).

Com bons efeitos especiais e atuações divertidas, ainda que tenha uma cena final desnecessária e tenha optado pela tradução da fala do alienígena, O Predador cumpre seu papel de honrar a famosa criatura e expandir seu universo ao incluir uma justificativa pelos troféus e a razão por haver seres tão diferentes de uma mesma raça. Agora, é só aguardar pela nova visita do monstro, caso esta consiga ir bem nas bilheterias.

PS: peço licença para um parágrafo bem particular. Algo que me agradou bastante e fez com que a nota fosse mais elevada é a inclusão de um personagem com autismo. Além de trazer um conteúdo interessante ao filme, o fato de apontarem o garoto como “uma evolução da raça humana” me deixou emocionado, devido ao fato de ter um filho nas mesmas condições.

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Marcelo Milici

Marcelo Milici

Fundou o Boca do Inferno em 2001. Formado em Letras, fez sua monografia sobre o Horror Gótico na Literatura. É autor do livro "Medo de Palhaço", além de ter participado de várias antologias de horror!

6 comentários em “O Predador (2018)

  • 17/09/2018 em 17:54
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    Filme horrível e uma afronta aos fãs da série:

    Contém spoilers:

    Piadas nível 5° série.
    Predacães domesticados correndo atrás da bolinha.
    Predador bonzinho se importando com a humanidade.
    Repetiram a piada do bicho não ser um predador umas 3 vezes.
    O predador conversando pelo sintetizador.
    O guri gênio decifrando a tecnologia do predador e ganhando cargo no laboratório no final.
    O predador morrendo da maneira mais ridícula.
    O final com a armadura do homem de ferro foi pra fuder de vez

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  • 15/09/2018 em 18:44
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    Tinha grande expectativa por esse filme. Para diversão é um bom filme. Entretanto, ao meu ver, a franquia está perdida, pois cada filme parece ser um universo particular, sem conexão uns com os outros, incluindo a saga Alien vs Predador. Nesse têm até um Predador bonzinho, amigo, que veio avisar os humanos.

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  • 14/09/2018 em 16:42
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    O segredo para assistir esse filme é não criar muita expectativa. O filme diverte, mesmo com suas diversas falhas. O roteiro tem muitos furos, mas dentro da normalidade do gênero (basta ver os Prometheus e Covenants da vida).

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  • 14/09/2018 em 15:03
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    Alerta de possível SPOILER, leia só quem já tiver visto o filme:

    Não entendi pq colocaram um personagem chamado Keyes e não citaram nenhuma relação dele com o Peter Keyes que morre no filme de 1990, além da semelhança física. Achei que perderam uma oportunidade legal de explicitar uma relação, além também do fato dos atores serem pai e filho (Gary e Jake Busey, respectivamente).
    [FIM DO SPILER]

    Não me incomodei nem um pouco com o humor do filme.

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  • 14/09/2018 em 13:38
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    estranho, todas as críticas desse filme estão ruins, muito ruins……………..

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    • 16/09/2018 em 12:28
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      Nem todo mundo gosta desse tipo de filme meu amigo. Então quando você tem alguém que gosta de mais de drama, musical, etc…fazendo crítica de filme de terror, ficção, etc, você nunca conseguirá ler uma crítica positiva, pois eles se atém a detalhes e critérios que não se aplicam a esses filmes. Sem contar que em uma crítica e muito difícil ser imparcial. O gosto pessoal tem sua parcela na construção do texto. Eu leio as crítica de filmes de terror, horror, bagaceiras b, ficcao aqui ou em sites que versam sobre o mesmo tema pq são críticos que gostam das mesmas coisa que eu e que se dedicam a essa vertente. Não adianta ler crítica de membros da academia, por exemplo. Eles nunca vão concordar comigo que Brain desde e um dos filmes mais divertidos de todos os tempos. Hahahaha

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