Operação Overlord (2018)

Operação Overlord
Original:Overlord
Ano:2018•País:EUA
Direção:Julius Avery
Roteiro:Billy Ray, Mark L. Smith
Produção:J.J. Abrams, Lindsey Weber
Elenco:Jovan Adepo, Wyatt Russell, Mathilde Ollivier, Pilou Asbæk, John Magaro, Iain De Caestecker, Jacob Anderson, Dominic Applewhite

A rima entre nazismo e ocultismo é extremamente rica para o gênero fantástico. Todas as histórias macabras que sugerem experimentos bizarros dos alemães sob o comando de Hitler na Segunda Guerra Mundial e o seu envolvimento com o sobrenatural na busca pela perfeição de seus soldados renderam filmes divertidos, como os da franquia Indiana Jones, Zumbis na Neve e até os questionáveis O Lago dos Zumbis e Deu a Louca nos Nazis, além de games como Wolfenstein. A lista é imensa, mas o que melhor dialoga com Operação Overlord é, sem dúvida, O Exército das Trevas, de Richard Raaphorst, que trazia algumas semelhanças em seu enredo, ainda que a diferença entre qualidade e realização seja indiscutível.

Em 5 de junho de 1944, um dia antes das tropas aliadas invadirem a França pela Normandia, o tal Dia D, milhares de paraquedistas saltaram em solo francês para destruir os meios de comunicação dos alemães. No longa, um grupo de soldados está prestes a se lançar às proximidades de um vilarejo, onde, segundo seu comandante, haveria um rádio-transmissor escondido na torre de uma fortificada igreja. A tensão e o medo viajam explicitamente com a equipe, no interior de um avião, entre rajadas de tiros, explosões e a iminente ameaça de queda a qualquer momento, em uma sequência criativamente bem filmada. Quando são atingidos, muitos se perdem no fogo da aeronave, enquanto acompanhamos a luta pela sobrevivência de Boyce (Adepo), do experiente Ford (Wyatt Russell), Tibbet (John Magaro) e Chase (Iain De Caestecker). O terror continua na chegada ao solo, com a assustadora perspectiva de encontrar inimigos a qualquer momento, tendo o cuidado de se desviar das minas terrestres, com a belíssima fotografia de Laurie Rose e Fabian Wagner, acentuando os corpos de paraquedistas presos em árvores no aspecto de um vale dos enforcados.

Quando encontram a bela francesa Chloe (Mathilde Ollivier) e decidem se abrigar em sua morada, num ambiente hostil de um vilarejo gótico, onde cruzes são abandonadas entre os corpos, o medo continua a envolver os personagens e o espectador com a respiração cavernosa de sua moribunda tia, isolada em um quarto, em uma referência bem digerida à porta de Regan McNeil (Linda Blair) no clássico O Exorcista (73). Enquanto planejam meios de chegar à igreja, numa perspectiva desanimadora pelo excesso de soldados alemães nas redondezas, a garota recebe a visita do tenente Wafner (Pilou Asbæk), um abusivo e violento soldado que faz uso de sua patente para se aproveitar das moradoras. Boyce conquista a admiração do público com a sua inexperiente capacidade de matar, e a ingenuidade em ajudar as pessoas a qualquer custo, por mais arriscado e penoso que seja o percurso, incluindo a própria Chloe e seu irmão, um menino que traz as situações mais divertidas e assustadoras do longa. Assim como os demais, à exceção dos soldados, Boyce somente sabe que alguns moradores da comunidade estão sendo raptados e conduzidos à igreja, onde estariam voltando doentes ou diferentes.

Embora o trailer estrague algumas das surpresas do filme, seria melhor nem vê-lo para uma diversão ainda maior, o enredo de Billy Ray e Mark L. Smith consegue buscar diferenciais em suas decisões. A melhor delas envolve o heroísmo inconsequente do protagonista, em suas constantes ousadias, que não funcionariam, obviamente, em um contexto real. Com sua simplicidade e sorte, além de contar com a boa atuação de Jovan Adepo, ele vai além do que se espera, transformando-se no herói improvável em boa parte do filme de Julius Avery. Além dele, também merece destaque a vilanice de Wafner, bem caracterizado pelo ator dinamarquês Pilou Asbæk, cuja imponência transmite os principais sentimentos de repulsa e indignação.

Com momentos de tensão e mistério, pelo ambiente assustador, e momentos oportunos de humor, Operação Overlord ainda tem zumbis poderosos, num visual e movimentação bem interessantes, remetendo ao melhor de Stuart Gordon. O pescoço quebrado de um deles foi o que mais despertou a agonia do público presente na Mostra SP, algo que fazia tempo que não se via no cinema. Com uma ótima trilha sonora, já evidenciada no trailer – que insisto, veja depois de assistir ao filme -, o longa é o presente de horror que os fãs estavam esperando, numa época em que os destaques envolvem o pós-horror e o satanismo. Confira no cinema e tenha arrepios divertidos”

Em tempo, a produção é de J.J.Abrams. Durante um tempo, houve alguns boatos de que esse filme faria parte da franquia Cloverfield. Felizmente, não há indícios disso.

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Marcelo Milici

Marcelo Milici

Fundou o Boca do Inferno em 2001. Formado em Letras, fez sua monografia sobre o Horror Gótico na Literatura. É autor do livro "Medo de Palhaço", além de ter participado de várias antologias de horror!

3 comentários em “Operação Overlord (2018)

  • 23/11/2018 em 01:16
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    Gostei do filme, mas tenho que admitir que o hype estragou a minha experiência! Acompanhei esse filme desde as primeiras notícias (sou fã do universo de Cloverfield, mesmo com o broxante terceiro filme), tinha a esperança que ele viesse pra apagar o gosto ruim que Cloverfield Paradoxo deixou, aí anunciaram que era um filme separado do universo do monstro. Não me chateiei.
    Aí vieram as primeiras críticas elogiando o filme! Foi logo assistir, e um bom filme, boas atuações, boa direção de fotografia, mas sai do cinema achando que faltou algo!!! Enfim, maldito hype!!!!

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  • 17/11/2018 em 19:19
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    O que mais gostei foi o fato de ser um ótimo filme de guerra permeado pelo terror, não somente um filme genérico do genero. Gostei bastante.
    Se trocassem os zumbis por uma cena dramática de luta contra os Nazistas ainda assim seria um excelente filme.

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  • 05/11/2018 em 17:53
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    Tô doida pra ver . Ainda não vi uma crítica ruim desse filme.

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