Boneca Maldita (2018)

Boneca Maldita
Original:Sabrina
Ano:2018•País:Indonésia
Direção:Rocky Soraya
Roteiro:Rocky Soraya, Riheam Junianti, Fajar Umbara
Produção:Raam Soraya, Rocky Soraya
Elenco:Luna Maya, Christian Sugiono, Sara Wijayanto, Jeremy Thomas, Rizky Hanggono, Richelle Georgette Skornicki, Asri Handayani, Demian Aditya

Um caldeirão de subgêneros. Parece que o bem intencionado Rocky Soraya, em seu oitavo trabalho como diretor, viu muitos filmes e quis aproveitar tudo o que estava em pauta nas conversas de jovens e fãs de horror para desenvolver um clássico do cinema da Indonésia. No inferno das intenções, infelizmente ele conseguiu apenas exagerar nas referências, calcando um produto hiperbólico e supérfluo. Assim, Boneca Maldita (Sabrina, 2018) mistura Annabelle com a lenda escolar moderna “Charlie Charlie“, possessões demoníacas, uma espécie de casal Warren e vingança sobrenatural, além de um aplicativo para o iPad para caçar fantasmas e um artefato capaz de matar demônios. Tantas informações cegam o espectador diante das possibilidades e decepcionam todas as boas expectativas, restando apenas um produto longo e sem personalidade.

A cena inicial já deixa evidente os exageros de Rocky Soraya: a câmera ágil atravessa portas e sobe por um casarão, acompanhando um casal de especialistas do estudo do sobrenatural até um quarto, onde uma mulher possuída pode ser vista do lado de fora da janela, babando e grunhindo para o espectador. Um ano depois, a pequena Vanya (Richelle Georgette Skornicki) não anda encontrando motivos para sorrir, desde a morte dos pais, levando-a a uma aproximação com um garoto da escola que é experiente em realizar a brincadeira do “Charlie Charlie“, popularizada pelo péssimo filme A Forca. É aconselhada a continuar o jogo em casa e utilizar um aplicativo do iPad que permite que você identifique entidades sobrenaturais (!!!).

Morando com os simpáticos tios, Aiden (Christian Sugiono) e Maira (Luna Maya), a pequena não se empolga nem com um presente que acabara de ganhar, a boneca Sabrina, um brinquedo de olhos gigantes e feições alegres. Como o tio é dono da fábrica que produz a boneca, ele pediu que fosse feito um exemplar maior especialmente para a sobrinha, que anda caminhando pela casa sorrateiramente a procura do espírito da mãe. Assim que consegue o contato almejado, com a visita de uma assombração no aspecto clássico do lençol branco, a garota passa a assustar seus parentes, sendo vista conversando sozinha. Em um viagem à praia, um incidente demonstra que ela pode estar realmente em contato com algo sobrenatural: além de mais uma aparição questionada, sua tia é arrastada para uma cova e enterrada viva.

De volta ao lar, os tios pedem ajuda para conhecidos, especialistas em paranormalidade, Laras (Sara Wijayanto) e Raynard (Jeremy Thomas), o casal do prólogo. Ao fazer mais uma vez o jogo do “Charlie Charlie“, eles se convencem que a assombração é realmente a mãe da garota, Andini (Asri Handayani), até o momento em que a pequena é possuída pela entidade e fere gravemente sua babá. Deste modo, eles percebem que se trata de um demônio, o mesmo que visitara a família um ano antes e que parece estar disposto a se vingar de Laras, a responsável por sua expulsão.

Como se nota na descrição, Boneca Maldita atira para todos os lados, menos para a boneca do título. Não que ela não tenha uma importância capital para o enredo, de Fajar Umbara e Riheam Junianti, mas, por diversas vezes, é deixada de lado na caracterização dos possuídos, com seus olhos brancos e nariz alongado. Aliás, quase todo o elenco tem o seu momento de possessão, culminando em ações violentas com ferimento à faca e até uma mordida no pescoço. Talvez a única solução para enfrentar o Mal seja um artefato escondido pelo demônio, o único capaz de matar uma entidade, desde que esteja em sua aparência verdadeira.

Se a direção é bem realizada – embora exagere no travelling de sua câmera insana – e algumas ideias do enredo são até bem aceitas (a cena do rosto na parte de trás da cabeça de Andini é sensacional), por outro lado alguns efeitos são bem ruins (corpos se dissolvendo, explosão congelada e movimentação do demônio), assim como a inexplicável capacidade do elenco de sobreviver a inúmeros golpes de faca. Uma personagem chega a ser ferida quatro vezes em pontos vitais como o estômago e nas costas, e ainda assim chega a esquecer da dor por diversas vezes, no combate ao demônio.

O elenco não chega a comprometer o resultado, embora a expressão de simpatia constante de Aiden por vezes incomoda. O “casal Warren“, especialmente Sara Wijayanto, que já mostrou seus “poderes” em outros filmes do diretor (The Doll e The Doll 2), até que se sai bem, sobrevivendo às batalhas com bastante união, mas sem o romantismo daquele que fora confeccionado por James Wan. E a pequena Richelle também merece menção pela atuação demoníaca, embora em seu estado normal não evidencie a carga dramática que sua personagem exige.

Com mais erros em sua narrativa exagerada, Boneca Maldita ainda peca pela longa duração. Teria um resultado bem mais favorável se cortasse cenas desnecessárias e não tentasse enxertar tanto conteúdo (o do artefato, por exemplo), ignorando o principal objeto de seu enredo.

(Visited 1.037 times, 67 visits today)
Marcelo Milici

Marcelo Milici

Fundou o Boca do Inferno em 2001. Formado em Letras, fez sua monografia sobre o Horror Gótico na Literatura. É autor do livro "Medo de Palhaço", além de ter participado de várias antologias de horror!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

WP-Backgrounds Lite by InoPlugs Web Design and Juwelier Schönmann 1010 Wien