Entrevistas

Jair Correia, ele fez um slasher movie no Brasil!

Saiba mais sobre este talento do cinema brasileiro, derrotado pela dificuldade e pela falta de condições para fazer filmes no país!

Jair Correia

Poderia-se definir o brasileiro Jair Correia como “artista plástico“. Por outro lado, esta definição seria muito modesta para fazer justiça a tudo em que ele já se meteu desde 1969, quando estreou fazendo o cenário para a peça O Planeta dos Palhaços, de Lourenço Teudech, que faturou o prêmio de “Melhor Cenário” no Festival de Teatro de Santo André. Também foi editor de periódicos sobre arte, desenhista de histórias em quadrinhos, divertimentos e jogos (para os suplementos infantis dos jornais “Folha de São Paulo“, “Diário Popular“, “Diário de Notícias” e outros), escritor (lançou Telúrico, com poemas e contos, em 1982, prefaciado pelo falecido Marcos Rey), diretor e editor geral em TV, diretor de comerciais televisivos, de documentários, coordenador de oficinas de teatro, e muito, muito mais.

Sendo um artista multimídia, é claro que Jair não poderia deixar de arriscar-se também no cinema, rodando três longa-metragens. Começou com curtas em 35 milímetros, feitos no final da década de 70. E em 1981 lançou o elogiado Duas Estranhas Mulheres (são duas histórias envolvendo a figura feminina), seguido pelo drama policial Retrato Falado de uma Mulher Sem Pudor (1982), que tinha um elenco estelar – Paulo César Pereio, Jonas Bloch, Nicole Puzzi, Monique Lafond, John Herbert. Com estas obras, ganhou vários prêmios e críticas elogiosas nos jornais da época.

E foi em 1982, quando tinha 27 anos, que ele lançou sua obra mais conhecida para os admiradores de terror e suspense: o filme Shock, que mais tarde ganharia o subtítulo Diversão Diabólica. Embora o diretor garanta nunca ter assistido filmes semelhantes lançados na época, como Halloween, de John Carpenter, ou Sexta-Feira 13, de Sean S. Cunningham, Shock é um autêntico “slasher movie“, ou seja, uma história horripilante sobre jovens sendo perseguidos por um assassino misterioso, cuja identidade é desconhecida. Este os mata brutalmente, um a um, de forma que o espectador fica tomado pelo suspense de não saber quem vai escapar com vida – se é que alguém vai escapar.

Pode-se dizer que Shock é a única experiência nacional neste segmento. Também é um dos poucos filmes de horror do período (embora Jair não goste do rótulo, preferindo classificar a obra como “thriller“), quando o mestre José Mojica Marins, o Zé do Caixão, estava aposentado, fazendo filmes pornográficos, e Ivan Cardoso era um dos únicos expoentes do gênero no país, ao lado dos esforçados, porém não muito talentosos, Fauzi Mansur e Francisco Cavalcanti.

Shock também recebeu diversas críticas elogiosas, graças à sua montagem dinâmica e demais cuidados técnicos (o som, por exemplo, é ótimo, contrariando outras produções daquela época, onde mal se escutava o que os atores diziam). O crítico Graça Perri, da antiga revista Manchete, deslumbrou-se: “Uma fábula ou uma realidade? Um filme que até Hitchcock assinaria!“. José Júlio Spiewak, do Jornal da Manhã, elogiou o diretor: “Jair Correia é um dos melhores novos cineastas da nova geração do cinema nacional, um dos poucos que conseguem empreender carreira sem conceder aos baixos mercantilismos que estão em deplorável voga“. Na Folha da Tarde, o crítico Jairo Arco e Flexa também gostou: “Um filme produzido com dignidade, competência e talento. Que sirva de exemplo“.

Ao contrário de um Sexta-Feira 13 da vida, Shock também faturou vários prêmios, como o Prêmio Governador do Estado de Melhor Montagem, em 1982, e o de Melhor Atriz Coadjuvante (para Mayara Magri) no 1º Festival de Cinema de Caxambú, também em 1982. O filme foi exibido em cinemas de todo o país e saiu em vídeo no final da década pela CIC Vídeo, logo tornando-se raridade (está há muito tempo fora de catálogo, e é difícil de achar nas locadoras).

E foi o último filme de Jair. Ele até tinha outros projetos para o cinema, como o roteiro de um filme chamado O Proprietário. Entretanto, naquela época (como hoje), era dificílimo conseguir financiamento para filmes no Brasil. Decepcionado com as dificuldades para tirar o projeto do papel, Jair abandonou o filme em 1985 para trabalhar como diretor do velho programa Plantão da Madrugada, de Goulart de Andrade, apresentado na TV Bandeirantes.

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Atualmente, Jair Correia mora em Ribeirão Preto (SP), onde continua trabalhando com teatro e artes plásticas. Está com 48 anos. Recentemente, tem feito sucesso na direção da peça Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente, com o grupo Fora do Sério. Foi via e-mail que ele respondeu a estas perguntas sobre Shock, dando preciosas informações sobre os bastidores da produção, sobre a identidade do misterioso assassino do filme, sobre seu ódio pelos filmes de horror americanos, sobre como esfaqueou um rato numa das cenas mais difíceis de Shock e sobre seu sonho de futuramente relançar os três filmes que dirigiu em DVD. Confira e saiba mais sobre este talento do cinema brasileiro, derrotado pela dificuldade e pela falta de condições para fazer filmes no país.

Boca do Inferno: Na época em que Shock foi lançado, o tipo de história (assassino matando adolescentes) era bem popular, devido ao sucesso de filmes americanos como Halloween e Sexta-Feira 13. Foi isso que o levou a fazer o filme, ou não teve influência destes filmes americanos?

Jair Correia: Shock não é um filme de terror. É um thriller. Na época eu não havia assistido a nenhum dos dois filmes citados; porém, quando eu os assisti alguns anos mais tarde, vi algumas coincidências do ponto de vista de alguns enquadramentos, apenas isso. Não gosto do cinema americano. Aliás, acho um dos piores cinemas do mundo. Nada pode ser tão ruim como o cinema americano. O que me levou a fazer Shock foi a falta de sentido na vida que havia nos jovens daquele período, a escassez intelectual e, metaforicamente, o assassino é o próprio sistema (a polícia, a política, o Exército, as forças de aniquilamento social, sejam elas quais forem).

Boca do Inferno: Apesar da história parecer batida, é possível ver um “anti-clichê” durante todo Shock. Por exemplo, a personagem virgenzinha, com medo de transar, que normalmente sobrevive até o fim nos filmes americanos, é uma das primeiras vítimas na produção brasileira. O assassino é mostrado como uma pessoa normal que come, fuma e toca bateria, e não um monstro tipo o Jason. Os personagens todos usam drogas, quando os drogados normalmente morrem nos filmes americanos… Essa prática de contornar os clichês dos filmes de horror ianques foi proposital?

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Jair Correia: Repetindo, não tenho interesse no cinema americano. Morre primeiro a pureza, os inocentes. Na verdade, morrem todos os que ficam na casa, inclusive a personagem vivida por Claudia Alencar, que sai da casa em total estado catatônico. Odeio Jason e essas coisas feitas pelo terror cinematográfico americano, lido com um personagem real, sem nenhum problema mental.

Boca do Inferno: Por que tantos detalhes mostrando apenas os pés dos assassinos e das vítimas?

Jair Correia: Quase 30% do filme, talvez mais, foi rodado do joelho para baixo. Na verdade, eu estava contando a história dos pés, a diferença dos pés, uma consciência nos pés como uma forma metafórica para falar de suas cabeças.

Boca do Inferno: Quando você concebeu o roteiro, pensava em identificar o assassino ou não, como acontece no filme? Se fosse inventar uma teoria sobre quem é o assassino, o que você diria?

Jair Correia: O assassino é o Sistema, que aniquila as possibilidades de uma vida mais abrangente, mais saudável e menos interferencionista.

Boca do Inferno: Posso até estar errado, mas o assassino poupa a personagem de Claudia Alencar, ou não? Ele mata todos os seus amigos e depois simplesmente desiste de procurar por ela, indo embora da casa. Por quê? Teria ela alguma relação com o assassino?

Jair Correia: A personagem de Claudia perde a sua consciência crítica, mas não sua memória, quando ela é sufocada pela imagem do inocente preso. Não se esqueça de que o criminoso não é pego, e não será nunca. Ele vive solto entre nós de forma invisível!

Boca do Inferno: Slasher movies eram e são grande sucesso nos Estados Unidos, mas a fórmula não fez tanto sucesso no Brasil. Me parece que Shock teve uma bilheteria apenas mediana, e hoje é um filme desconhecido da maioria. Por que você acha que o filme não funcionou por aqui?

Jair Correia: Americano gosta de merda, razão pela qual eles fazem tantos filmes ruins. Nunca foi minha intenção fazer filmes de terror, mas algumas pessoas insistem em classificar a obra Shock como filme de terror. Repito: é um thriller! A bilheteria do filme não foi ruim e ele foi exibido em vários Estados. Sua venda em vídeo também foi boa, tanto que algum tempo depois ele se esgotou. O grande problema do cinema brasileiro é a distribuição, pois você compete com produtos principalmente americanos que chegam na sala de cinema sem nenhum custo.

Boca do Inferno: Comparando com os anteriormente citados Sexta-Feira 13 e Halloween, seu Shock é um filme bem contido na violência. Os personagens são todos estrangulados. Entretanto, você mostra todos os crimes em câmera lenta, alongando o sofrimento das vítimas, e provocando até uma aflição nos espectadores com a trilha sonora. O que você acha do excesso de cinema nos filmes de terror? Gosta, não gosta? Preferia, talvez, que Shock fosse mais violento, sangrento, ou gosta como está?

Jair Correia: Filmes de terror não é meu gênero predileto. Meu filme tem uma estética que tem a ver com meu conhecimento cinematográfico, que passa pelos filmes tchecos, húngaros, espanhóis, japoneses, italianos e uma pitada do cinema francês.

Boca do Inferno: Por que a câmera lenta? Grandes diretores usaram com maestria câmera lenta para realçar cenas de forte violência, como Sam Peckinpah em Meu Ódio Será sua Herança e mais recentemente John Woo. Você considera o recurso interessante?

Jair Correia: Em alguns momentos é interessante o uso da câmera lenta. Gosto de Sam Peckinpah, que tem um estilo de câmera muito vigoroso. Quando digo que detesto o cinema americano, desejo excluir alguns cineastas que deixaram um legado cinematográfico da mais alta importância. Entre eles Sam, John Huston, John Ford, Elia Kazan, Woody Allen, e outros jurássicos que, no momento, me fogem a lembrança. O recurso é limitado.

Boca do Inferno: O Brasil não tem uma tradição em filmes de horror. Há poucos exemplares do gênero feitos no país. Você é fã do gênero? Quais seus filmes preferidos? O que acha do trabalho de José Mojica Marins e Ivan Cardoso, os mais conhecidos expoentes do gênero no Brasil?

Jair Correia: Dentro do gênero que fiz, o thriller, tenho predileção nos filmes de Hitchcock (o Papa do gênero) e Brian de Palma (seu sucessor maior, que anda desaparecido). Mojica executa o cinema pobre, desprovido de uma série de recursos, e tem seu próprio estilo e seu mérito. O Ivan já é um cineasta mais aguçado, conhecedor de técnicas mais evoluídas. Acho difícil esse gênero no Brasil, pois não temos a mesma mentalidade “fantasiosa-baboseira” que os americanos têm. Eu não acredito nem em Saci-Pererê no cinema nacional.

Boca do Inferno: Shock tem um elenco muito interessante. Os então iniciantes Claudia Alencar e Taumaturgo Ferreira hoje são “astros” da Globo. Aldine Muller era conhecida pelas pornochanchadas da época. Como foi trabalhar com eles? Você ainda tem contato com esse pessoal?

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Jair Correia: Shock tem excelente elenco: Claudia Alencar (que lancei no cinema), Taumaturgo Ferreira (que também lancei no cinema), Mayara Magri, Kiko Guerra, Aldine Muller, entre outros. Na época, eu assistia algumas atrizes que faziam comédias e eram muito mal dirigidas. Com exceção do Walter Hugo Khouri, elas não tiveram tratamento adequado de direção. Anteriormente eu já havia trabalhado com outra vedete, que é a Patrícia Scalvi, que ganhou o prêmio de melhor atriz pelo APCA por Duas Estranhas Mulheres, minha primeira direção de longa-metragem. Se assistirmos as novelas da Globo, nos depararemos com as peladonas da década de 70; de Vera Fischer, Cristina Mullins, Aldine Muller e outras. De vez em quando eu vejo um ou outro ator com quem trabalhei devido ao fato de hoje trabalhar com teatro.

Boca do Inferno: Não existem informações sobre Shock na Internet, então vou te pedir para falar mais sobre os bastidores. Onde ele foi filmado, quanto tempo duraram as gravações, em que ano foi feito, que banda é aquela que toca no começo do filme, qual foi o orçamento da produção, qual foi a bilheteria, etc. etc. Houve muitas comparações com Sexta-Feira 13 na época do lançamento nos cinemas?

Jair Correia: As informações existentes na Internet estão em www.foradoserio.net/Shock.htm. O filme custou, na época, US$ 400.000,00 e foi filmado em São Paulo durante 40 dias, praticamente dentro de um único ambiente. A banda do início do filme foi formada para aquela cena. O guitarrista é Palhinha Cruz do Vale, que também é o autor da trilha do filme (Melhor Trilha Sonora Original – Prêmio Governador do Estado, em 1982) Uma curiosidade: aquela festa foi real e não havia motivo nenhum para comemorar. Havia ficado viúvo na terça-feira e na sexta-feira houve o primeiro dia de filmagem com a festa. Fizeram, sim, algumas comparações absurdas, mas que não me afetou. O filme obteve uma crítica muito saudável assim como todos os outros trabalhos que realizo.

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Boca do Inferno: Então a banda não existia? Ela fez shows depois? E as músicas, foram compostas especialmente para o filme?

Jair Correia: As músicas apresentadas no filme foram feitas exclusivamente para o filme e nunca foram gravadas com outra banda, que também foi formada exclusivamente para o filme.

Boca do Inferno: Quem interpreta o assassino? Considerando que só aparecem seus pés, imagino que várias pessoas tenham se revezado na interpretação, ou não?

Jair Correia: O assassino é interpretado por Vandi Zaquias, e só ele interpretou “as botas“.

Boca do Inferno: Shock tem uma cena fantástica que eu queria saber como foi feita… Aquela em que o assassino joga uma faca e apunhala um rato no chão!

Jair Correia: O rato, ah o rato! Quer ouvir uma história de doidos? Pedi à produção um rato para a cena e uma forma de proteção para que esse animalzinho não atacasse a Claudia Alencar, que estava debaixo da cama. O assassino, que estava na porta, atirava uma faca e espetava o bichinho no assoalho. O Departamento de Zoonose só emprestou o rato mediante o acompanhamento de um veterinário responsável, pois mesmo depois da cena ele levaria a ratazana de volta ao Departamento. OK. Contratamos então um atirador de facas, que não apareceria, mas atiraria a faca. No dia da gravação, nervosismo geral: a Claudia literalmente tremendo de medo, e fizemos um corredor de vidro entre a cama e a câmera para a passagem do rato, pois ele precisaria estar no foco para a grande cena. Chega-me um atirador de facas totalmente paramentado com chapéu e camisa de babado (Saí de cena, fui para meu camarim e ri por pelo menos meia hora, ri muito, era engraçado). O atirador de facas subiu numa cadeira, a Claudia se pôs sob a cama, solta o rato, o circense atira a faca no bicho e quebra o vidro, um desastre, uma gritaria pra todo lado e o veterinário gritando: “Fecha a porta!!!“. Passado o estado de choque da Claudia, deixamos para o dia seguinte, quando dispensei o atirador de facas, pois ele me disse que só atiraria no alvo se fosse à parede! Loucura! Decidi eu mesmo matar a ratazana: fiz uma lança com uma segunda faca e, na hora que o bicho entrou no foco – sem vidro -, eu, que estava em cima da cama e da Claudia, espetei a faca no animal. E assim foi!

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Boca do Inferno: Bah! Imagine se você fizesse hoje o filme, nestes tempos politicamente incorretos… Ia ter milhares de pessoas enchendo o saco porque você matou o “pobre rato“…

Jair Correia: Mas o rato não morreu! Repeti a filmagem algumas vezes, finquei-lhe a faca algumas vezes, o bicho não morreu e mordia a faca raivosamente. Usávamos luvas especiais e dopávamos o bicho com éter para manuseá-lo, mas o desgraçado não morreu, uma única gota de sangue sequer saiu de seu corpo!

Boca do Inferno: Recentemente, o gênero slasher movie voltou a ser popular. Wes Craven fez Pânico (Scream), no começo dos anos 90, que foi um sucesso entre os jovens dessa nova geração. Isso deu origem a uma nova leva de filmes onde assassinos perseguem adolescentes, tipo Lenda Urbana, Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado e muitos outros. Como você vê este retorno do gênero? Não seria um bom motivo para relançar Shock, talvez em DVD?

Jair Correia: Não assisti Pânico nem pretendo fazê-lo. Não tenho meios econômicos suficientes para lançar o filme em DVD. Se houvesse oportunidade, gostaria de fazer isso com os três filmes: Duas Estranhas Mulheres, Retrato Falado de uma Mulher Sem Pudor e Shock.

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Boca do Inferno: Quanto ao cinema brasileiro, qual sua opinião? Filmes de baixo orçamento ou independentes não têm vez, a Globo Filmes domina o mercado e os multiplex dos shopping-centers hoje só querem saber de blockbusters americanos. Você não acha que a situação está preta, principalmente para os independentes?

Jair Correia: O cinema brasileiro, um dos melhores do mundo, ainda vai apanhar muito para amadurecer. Quem sabe as próximas gerações se beneficiem da cultura brasileira…

Boca do Inferno: Hoje não se fala mais em filmes de terror feitos no Brasil. Os cineastas preferem fazer histórias sobre a violência das favelas ou dramas sentimentalóides no Nordeste. Como você vê isso? Será que realmente não há mercado para filmes de horror brasileiros?

Jair Correia: Não há mercado para o filme brasileiro independente de seu gênero. A Globo compra o que deseja e nem sempre se dá bem, apesar do abuso econômico e midiático.

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Boca do Inferno: Você está afastado do cinema há anos. O que faz hoje? Por que abandonou o cinema (dificuldades para conseguir financiamento, falta de projetos/convites, dificuldades técnicas)?

Jair Correia: Grana, grana, grana! É o que falta para continuar fazendo cinema. Tenho projetos, e muito bons, mas não faço parte da corriola nem da corrupção para se obter dinheiro de empresas públicas. Sou artista plástico, produtor e diretor teatral do grupo Fora do Sério e dou aulas de Interpretação para Cinema no Curso de Artes Cênicas do Centro Universitário Barão de Mauá, em Ribeirão Preto, onde há 20 anos vivo. Outras informações: www.foradoserio.net.

Boca do Inferno: Voltando ao Shock: por que este nome americanizado? Existe um conhecido filme italiano do final dos anos 70, chamado também Shock, dirigido por Mario Bava. Inspirou-se nele, ou foi coincidência?

Jair Correia: Nunca ouvi falar de Bava. O nome Shock tem a ver com impacto, paralisia, abalo, que são os elementos básicos da dramaturgia utilizada no enredo.

Boca do Inferno: Você pensou, em algum momento, numa continuação de Shock? Como seria?

Jair Correia: Nunca pensei na sua sequência, é incabível!

Boca do Inferno: Jair, como você vê o cinema atual, a nível mundial mesmo? Não lhe parece que nos últimos 20 anos não foi feito nenhum filme digno de ser chamado de “clássico“? Não lhe parece que, mais do que nunca, o cinema está voltado para o entretenimento “de consumo“, o chamado “cine-pipoca”? Quais os últimos filmes bons que você viu?

Jair Correia: Concordo plenamente com você! Estou apaixonado pelo cinema oriental, tenho visto coisas maravilhosas feitas no Irã, na China e no Japão.

Apesar de “nunca ter ouvido falar” do mestre italiano Mario Bava, Jair Correia é gente boa: um profissional muito acessível e simpático. Por isso, nosso agradecimento pela colaboração e pelas respostas. E sorte em futuros projetos! Que Shock um dia possa ser relançado no Brasil para ganhar o devido merecimento, em tempos medíocres de “Pânicos” e “Freddy Vs Jason“…

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1 Comentário

  1. Esse cara é uma verdadeira mala!! Me desculpe! mas o cara só falou besteira ele disse que o cinema americano é uma merda mas acho que ele está esquecendo que todo o lixo vem do brasil aqui nunca vai existir ´slasher´ isso é coisa para cineasta de verdade! Ele disse que não copiou os filmes americanos de ´slasher´ mas é mentira pois o filme dele é um verdadeiro plagio dos filmes americanos de ´slasher´ Esse filme não pode ser comparado com Halloween ou Sexta-Feira 13 pois estes são verdadeiros clássicos,ele nunca conseguirá fazer bons filmes por isso essa raiva do cinema americano!

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