Entrevistas, Quadrinhos

Horror Made In Brazil: Um Bate-Papo com o Quadrinista Péricles Júnior

Diretor de arte e ilustrador, Júnior fala sobre seu trabalho com a Dark Horse Comics e sobre sua graphic novel, Carnívora

Quadrinista iniciou campanha de financiamento coletivo para lançar graphic novel

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Diretor de arte e ilustrador, Péricles Júnior atua há oito anos profissionalmente com quadrinhos, sua verdadeira paixão. Afinal, foi através do seu trabalho como quadrinista que o artista carioca conseguiu a oportunidade de trabalhar com uma das maiores editoras dos Estados Unidos, a Dark Horse Comics, onde atualmente desenvolve um projeto secreto. Além disso, Péricles está com um projeto autoral em busca de apoio através do Catarse, a graphic novel de horror, Carnívora em parceria com a AVEC Editora.

Confira na entrevista abaixo, o bate-papo que o Boca do Inferno teve com o autor sobre sua carreira, seus projetos e planos para o futuro.

Boca do Inferno: Como você começou a se envolver nos quadrinhos? Tanto na vida pessoal como na profissional?

Péricles Júnior: Começou cedo por conta das imagens. Sempre chamou minha atenção. Profissionalmente foi quando percebi que não daria pra manter os quadrinhos em segundo plano. No fundo sempre encarei como um trabalho mesmo, um oficio. Só demorou pra assumir isso.

BI: Qual foi a sua primeira HQ?

PJ: Comecei com FOX PATROL, que era uma webcomics (quadrinho virtual na época) que eu publicava na internet e eventualmente lançava uns “curtas” animados também. Isso oficialmente… (risos)

BI: Em que ano foi isso?

PJ: A aventura toda foi entre 2001 a 2006 com longos e longos intervalos. No meio disso foi feita outras coisas, curtas também.

BI: Você produziu uma HQ online chamada Muito Prazer. Lia, que foi muito bem recebida pela crítica e pelos leitores. Você tem planos para a Lia no futuro?

PJ: Ainda é tudo muito incerto, mas gostaria de fazer mais coisas em relação a ela. Vamos ver.

BI: Você foi convidado a fazer parte do grupo de artistas responsáveis pela prequel de Círculo de Fogo, a HQ Pacific Rim Year Zero. Como surgiu a oportunidade de trabalhar para a Dark Horse Comics?

PJ: O editor de Pacific Rim (Bob Schreck) conheceu meu trabalho na última Rio Comicon. Curtiu bastante e falou que queria trabalhar comigo imediatamente. Como a Legendary não tem muitos títulos, tive que esperar um pouco. Uns cinco ou seis meses depois, recebi os primeiros e-mails em relação a Pacific Rim: Tales from Year Zero. A oportunidade surgiu quando o editor da Dark Horse viu Pacific Rim e Lia, inclusive, e me encaixava no que eles estavam procurando.

BI: E como foi essa experiência de trabalhar com uma das maiores editoras de quadrinhos dos EUA?

PJ: Foi ótima! Todo apoio que eles te dão para o trabalho é algo motivador! Fora o seu nome estar ligado a elas.

BI: Isso de alguma forma te ajudou nos projetos independentes?

PJ: Pra executá-los sim! Trabalhar pra grandes empresas te força a ter ritmo e responsabilidade com a entrega e isso pra um projeto independe é fundamental.

Carnívora (2014)

BI: Falando nisso, você está com um projeto novo no Catarse, Carnívora, fala um pouco pra gente sobre esse projeto.

PJ: Carnívora é uma graphic novel de terror. Ela vem com a proposta de misturar a violência urbana que tanto conhecemos com o sobrenatural. A HQ conta a história de um agente da policia que investiga o desaparecimento de sua noiva após seu sequestro. Inevitavelmente ele ira se deparar com estranhas criaturas carnívoras em forma de crianças que espalham terror em uma comunidade. Os boatos se espalham sobre o topo do morro ser assombrando a ponto de todos os moradores abandonarem o local. Nem estado e nem os traficantes tiram a história a limpo. A história traz à tona o preço e o peso de nossas escolhas e a consequências disso.

BI: Carnívora é uma HQ de horror e Pacific Rim, de certa forma também. Você gosta de filmes de horror?

PJ: Adoro! São os meus favoritos!

BI: Quais são os seus preferidos?

PJ: Olha, é difícil dizer. São tantos! Tenho os do “coração”: Poltergeist, Re-animator, Hellraiser, The Ring (os filmes originais japoneses), Medo (o original coreano) e atualmente os filmes de Rob Zombie estão me agradando muito.

BI: Alguma influência direta em Carnívora aí nesta lista, para atiçar a curiosidade dos nossos leitores?

PJ: Hummm… Direta… Posso dizer que sigo a linha do Rob Zombie pra contar a história com o clima de “Medo”.

BI: E para o futuro? Quais são seus próximos projetos? Eu particularmente adoraria ver uma HQ sobre a sua versão dos Jovens Titãs.

PJ: Poxa, um sonho mesmo. (Risos) Mas estou com uma HQ de ficção científica que está sendo construída a bastante tempo. Posso dizer que tanto Lia quanto Carnívora foram frutos dessa HQ. Espero apresentá-la no final de 2016.

BI: Para fechar. O mercado de quadrinhos independentes no Brasil nunca esteve tão movimentado. O que você poderia dizer para essa galera que está começando?

PJ: Trabalhe, trabalhe e trabalhe. Quando cansar, trabalhe mais um pouco! É a única forma de fazer acontecer e nunca aceite uma crítica como ponto final. Respire, reveja e comece de novo!

BI: Muito obrigado pelo seu tempo. E boa sorte com Carnívora. Estamos torcendo! Eu já garanti a minha!

PJ: Eu é que agradeço o espaço e a oportunidade. Carnívora é um projeto de todos!

Saiba mais sobre Carnívora e colabore com o projeto clicando aqui.

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Rodrigo Ramos

Rodrigo Ramos

Designer por formação e apaixonado por HQs e Cinema de Horror desde pequeno. Ao contrário do que parece ele é um sujeito normal... a não ser quando é Lua Cheia. Contato: [email protected]

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