Entrevistas

Rô Mierling e o medo que nos rodeia

Com seu talento literário, a autora recebeu o convite para fazer parte da equipe de autores da Darkside Books!

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Quando o assunto é horror literário, boa parte das referências são masculinas. Fala-se sobre Edgar Allan Poe, H.P. Lovecraft e até Clive Barker e Stephen King como grandes nomes do gênero. Foram e são realmente importantes para a construção do medo, mas não se pode esquecer de Mary Shelley, Ann Radcliffe e Jane Austen!

A escritora gaúcha Rô Mierling é um dos grandes exemplos do gênero atualmente. Sim, ela é brasileira, e a sua contribuição para o horror é bastante significativa, tendo seu nome associado a antologias fantásticas, contos maravilhosos, pesquisas e artigos acadêmicos e muitas outras publicações. Graças a seu talento literário e a capacidade criativa, ela foi convidada para fazer parte da equipe de autores da editora Darkside Books. Em entrevista ao Boca do Inferno, ela conta como surgiu esse convite e o medo que nos rodeia!

1. Com toda a sua bagagem profissional, com os prêmios conquistados em concursos literários e a publicação de livros no Brasil e em Portugal, como você recebeu o convite para integrar a galeria de autores da DarkSide Books?
Olá, Marcelo, obrigada pelo espaço. Bom, foi um degrau a mais, uma alegria, uma vitória na batalha que é ter nossos escritos publicados e lidos. A DarkSide é como um foco, um alvo para autores que escrevem no gênero que eu escrevo, e ser convidada a estar com eles, é realmente uma realização pessoal.

2. Sua primeira publicação pela editora será “Diário de uma Escrava”. O que você pode nos contar sobre essa série?
Esse livro é um livro real, é chocante e, acredito eu, bem interessante. Não dá para falar muito, pois a DarkSide precisa de sigilo na obra, mas posso dizer que é um livro que escrevi em estado total de tensão e acredito que será lido com mais tensão ainda.

ro-mierling-33. Você escreve romances, contos, poesias que misturam gêneros como o horror, a ficção científica, drama…existe algum gênero literário com o qual você mais se identifica?
O suspense psicológico e o terror. Com certeza são meu caminho.

4. Stephen King, mestre do gênero fantástico que você homenageou com “Eu me Ofereço”, disse certa vez que é “cheio de medos e que superá-los é o que nos torna pessoas melhores.” Como você lida com o Medo?
Eu tenho ele (o medo) embaixo da minha cama, não mexo com ele e ele não mexe comigo. E vivemos assim. Às vezes, na madrugada, o terror (pai do medo) nos visita, a mim e ao medo embaixo da minha cama, aí fica um pouco pior, mas no geral não nego o medo que existe e o terror que me rodeia. Ele está em toda parte, só tento conviver com ele sem me deixar dominar.

5. Há autores que evitam tocar determinados assuntos ou criar determinado tipo de personagem por conta de sua complexidade e polêmica. Você também possui essa auto-censura?
Nenhuma. Diário de uma Escrava é a prova viva disso. Do que eu tiver que escrever, eu escrevo. Quanto mais complexo, mais marcante o personagem.

6. Como você acompanha as críticas de seus leitores? Gosta de manter esse contato mais próximo, discutir sobre personagens e enredos?
Críticas são necessárias para uma aperfeiçoamento de qualquer arte, nós por nós mesmos tendemos a achar perfeito o que fazemos, no geral. Então precisamos debater, sim, nosso trabalho com o nosso leitor. Gosto muito dessa interação, sem dúvida.

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7. No episódio “Tempo Suficiente” (Time Enough at Last) da primeira temporada da clássica série “Além da Imaginação”, o personagem Henry Bemis, interpretado por Burgess Meredith, reclama que não possui oportunidades para ler, seu maior prazer, por conta do trabalho intenso no banco e da pressão de sua esposa. Com todas as suas ocupações com a produção literária, você encontra tempo para se dedicar a leitura? E se o mundo acabasse, como no episódio, há alguma obra/autor que você considera indispensável em sua biblioteca pessoal?
Leio. Ler, para mim, é mais importante que tomar banho e do que comer. Faz parte da minha estrutura, da minha existência. Eu paro de trabalhar lá pelas 22:00, dedico uma hora para afazeres gerais e leio até três ou quatro horas da manhã. Ler, para mim é essencial primeiro porque amo a leitura, segundo porque escrevo. Acredito que escritor que não lê, perde muitas possibilidades, é como uma cozinheira que nunca experimenta novas comidas. QUANDO o mundo for acabar terei uma mochila nas costas com um exemplar de SK, outro do Jonh Grishan, um de Patricia Highsmith e Edgar Allan Poe.

ro-mierling-48. E cinema fantástico? Você pode nos contar quais são seus filmes favoritos de horror e ficção científica?
Gosto muito dos filmes de M. Night Shyamalan, de Hitchcock, e os de SK, óbvio.

9. O Boca do Inferno agradece pela entrevista. Gostaria de deixar algum recado para os Infernautas que prestigiam o site, a DarkSide e a literatura fantástica?
Agradeço muito o espaço e a oportunidade. Infernautas: não se intimidem, continuemos seguindo o escuro, porque o terror e o fantástico não chegam nem perto do absurdo e do mal que habita na realidade. Vivamos na boca do Inferno, porque ali, quem sabe, sobreviveremos. Já aqui, nessa selva de pedra, tenho minhas dúvidas. DarkSide – EU TE AMO PARA C….. Você são a personificação da literatura perfeita (livros tratados como obras de arte em sua composição e histórias imprescindíveis para a nossa literatura). Obrigada, Marcelo e um grande beijo.

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Marcelo Milici

Marcelo Milici

Fundou o Boca do Inferno em 2001. Formado em Letras, fez sua monografia sobre o Horror Gótico na Literatura. Já foi juri de festivais e eventos do gênero! Contato: [email protected]

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