Críticas, Games

Bloodborne (2015)

Ambientado em um verdadeiro universo lovecraftiano, poucos jogos foram capazes de gerar um fascínio tão grande nesta geração

Bloodborne
Original:Bloodborne
Ano:2015•País:Japão
Desenvolvedora:From Software•Distribuidora: Sony Computer Entertainment

Quando comprei meu PlayStation 4 em meados de 2015, o lançamento de um jogo exclusivo para o console estava fazendo um sucesso explosivo. Chamado de Bloodborne, me aventurei a comprar esse como o primeiro game que experimentaria da nova geração, sem praticamente saber nada além de sua incrível boa chegada ao mercado. Estamos hoje em 2017, e o resultado de Bloodborne é um só: ele nunca saiu da minha cabeça.

Bloodborne é um dos icônicos jogos da From Software que se especializou em obras de dificuldade extrema. O estúdio é o mesmo que criou os clássicos Demon’s Souls e Dark Souls. E é da mente de Hidetaka Miyazaki que vem esta obra prima de horror deste subgênero do RPG.

Numa cidade em ruínas chamada Yharnam, a “doença do sangue antigo” se alastrou e contaminou todos os habitantes, modificando suas percepções. Entramos então no controle de um caçador de feras estrangeiro (totalmente customizável). Recém-chegado a cidade, é ele quem precisa limpar as ruas dos monstros em uma noite de caçada, mas usando justamente o sangue que causa todos os problemas presentes.

Diferente da trilogia Dark Souls, estamos lutando contra feras. Logo, saem às armaduras pesadas que diminuem nosso ritmo e entram as vestes fechadas de couro. Com isso, você terá aqui um personagem de movimentos bem mais rápidos e terá que calcular bem como usar a lâmina numa mão e a arma de fogo em outra, principalmente levando em consideração a barra de estamina. Mas não se anime. Você pode ser rápido, mas todos os inimigos e chefões são mais rápidos ainda. Não importa o tamanho. E sim, alguns são simplesmente gigantes.

Outro ponto interessante da jogabilidade de Bloodborne é que se você receber um golpe, poderá recuperar parte da vida perdida acertando outro de imediato no inimigo. E à medida que vai derrotando os monstros, acumulará os chamados Ecos de Sangue, usados para evoluir seu personagem, mas se morrer, todos esses Ecos ficarão no último local que você esteve esperando para serem recoletados, e se você morrer novamente no caminho, aí sim os perderá para sempre.

A trilha sonora e os sons dos animais caçados também fazem uma diferença gritante. Você não perceberá que nas principais lutas está tremendo por causa desse som e que ele terá capacidade de instigar você a atacar como um louco e por um momento perder o controle durante a batalha. É daqui que vem a confirmação: Bloodborne é sim um jogo de terror.

Com um dos visuais mais belos apresentados até agora nos games desta geração, aliado a um estilo gótico e sombrio pouco visto, temos aqui uma verdadeira obra em tons lovecraftianos, que mergulha em nossas mentes e nos arrasta por um mistério envolvente como poucos, principalmente por levantarmos um questionamento ao longo de sua primeira parte: “Mas afinal, quem foi tomado pela loucura aqui e é o vilão? Eles ou eu?”.

Outro ponto forte dentro do jogo é que Bloodborne possui um conteúdo optativo bastante atraente. Mapas gigantes com enredos paralelos ou complementares estão disponíveis para os mais corajosos e perseverantes, aumentando consideravelmente o fator replay.

E se você for juntando os pedaços da narrativa espalhados pelo jogo, perceberá que Bloodborne tem sim uma história incrivelmente rica, assombrosa, complexa e louca digna de uma obra de Lovercraft. E é quando temos o objetivo de chegar a Universidade Byrgenwerth para desvendar parte dos mistérios da trama, que o jogo terá sua mudança mais drástica, impactante para todos os jogadores e transformadora dentro do que havia sido apresentado até então.

Mas Bloodborne é um jogo cuja dificuldade é seu elemento mais aterrorizante. Serão várias mortes. Muitas mortes. Você vai morrer incontáveis vezes nesse jogo antes mesmo de chegar ao primeiro chefão. E quando perceber que os pontos de save são mínimos, vai se desesperar, se frustrar e, por diversas vezes, pensar em largar tudo aquilo. Eu mesmo o larguei duas vezes, por meses a fio, antes de voltar a segurar o controle e colocar na minha cabeça: “Agora vai”. Sim, porque Bloodborne tem esse poder, o de nos enfurecer, ao mesmo tempo em que nos fascinará.

E por que então somos compelidos a jogar Bloodborne? Provavelmente pelo sentimento de satisfação que ele nos proporciona como poucos. Cada vitória após tantas mortes abre um sorriso. Cada troféu de caçada nos enche de orgulho. Tudo isso num verdadeiro pesadelo, do qual estranhamente não desejamos acordar.

Bloodborne é exclusivo para PlayStation 4.

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3 Comentários

  1. DCJ

    O jogo é ótimo, pena que o coop dele consegue ser mais frágil que a franquia souls.

  2. Odhyars

    Bloodborne é épico.

  3. Hierofante1970

    Excelente matéria, parabéns

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