Críticas, Games

The Walking Dead: A New Frontier (2017)

Em seu terceiro episódio, a série de games da Telltale ousa onde não deveria e não inova onde podia

The Walking Dead - A New Frontier
Original:
Ano:2017•País:EUA
Desenvolvedora:Telltale Games•Distribuidora: Telltale Games

Quando a primeira temporada do game de The Walking Dead chegou em 2012, fomos surpreendidos. O jogo em point-and-click apostou não na ação, mas num drama interativo com um poderoso e envolvente roteiro, nos oferecendo personagens únicos e um enredo que marcou nossas memórias. Com seu estrondoso sucesso, Season 2 foi lançado apenas um ano depois, mas mesmo com a boa recepção da crítica, o jogo foi recebido de forma relativamente morna pelo público, o que deixou a série num hiato de quatro anos até a aguardada chegada de A New Frontier.

O jogo segue os mesmos modelos estabelecidos pelo primeiro da franquia. Em terceira pessoa, o survival horror é novamente dividido em cinco capítulos, cada um podendo ser completado em cerca de três horas. Com o visual em cel shading, o jogo é uma expansão mais próxima da HQ de Robert Kirkman, sempre mantendo uma distância segura da série de TV.

Uma mudança brusca

É no enredo que vem a maior mudança de A New Frontier. Se no primeiro episódio controlávamos o prisioneiro condenado Lee na tentativa de salvar a criança Clementine e na segunda temporada assumíamos de vez o controle da garota em uma jornada grandiosa de perigos e tristezas, esperávamos ter uma resolução da história de Clementine nesta terceira temporada, mas não foi exatamente nisso que a Telltale resolveu apostar.

Logo no primeiro capítulo somos apresentados à família Garcia. Mais precisamente num momento antes do apocalipse, quando o patriarca da família morre em casa vítima de câncer e Javier, o filho mais novo, não chega a tempo para se despedir do pai, o que gera um conflito enorme com seu irmão mais velho, David, que só acaba quando o pai de ambos levanta da cama, dessa vez como um walker, gerando uma confusão que separou toda a família.

A introdução é um dos momentos mais impressionantes do jogo para logo em seguida se passarem quatro anos e vermos Javier na estrada tentando sobreviver ao lado dos dois sobrinhos e a mulher de David (onde há um clima sexual e emocional bastante tenso), enquanto o irmão se tornou desaparecido ao tentar salvar a mãe.

Sim, Javier é o protagonista de A New Frontier, com seu drama familiar norteando toda a história. E Clementine? Ah, ela aparece e obviamente tem um papel importante na trama, desenvolvendo uma importante relação com Javier. Mas é aí quem vem um dos maiores defeitos de A New Frontier: Clementine não faria diferença nesta história.

Isso não exime o enredo de sua típica grandeza. O primeiro e segundo capítulos são realmente envolventes, principalmente por nos apresentarem o mundo pós-apocalíptico mais próximo do momento atual da HQ, com a criação de refúgios e comunidades. Mas é no terceiro e quarto, com a apresentação da perigosa comunidade New Frontier, que há uma queda de ritmo, com um jogo mais confuso, repleto de clichês e escolhas óbvias, voltando a dar um gás apenas em seu derradeiro final.

Clementine é controlável somente em flashbacks de sua jornada solitária de quase três anos. Ainda assim, ela é mais carismática do que toda a família Garcia, mostrando uma faceta badass como poucas personagens femininas em games mostraram, só nos deixando ainda mais tristes por ela não ser a protagonista.

Mudanças que não vieram

The Walking Dead não é a única franquia de games da Telltale. Por isso, com produtos similares como The Wolf Among Us, Tales from the Borderlands e até mesmo Batman e Guardians of the Galaxy, a produtora parece se recusar a inovar em seu gameplay.

Sim, The Walking Dead foi brilhante e revolucionário em 2012, mas sua fórmula já foi explorada em excesso e um jogo tão aguardado não trazer inovações piora a situação. A New Frontier ainda peca em ter menos áreas a se explorar e parecer muito mais linear que seus antecessores, se tornando um tipo de filme interativo.

Com as comunidades apresentadas, valia a pena a Telltale se espelhar em outros jogos point-and-click de sucesso, como Life is Strange, aumentando a variedade do que fazer mesmo em espaços tão limitados, ao invés de parecer diminuir estas opções e tornar o jogo em algo tão corrido.

The Walking Dead: A New Frontier é sim um bom jogo, nos traz um novo mundo, uma crítica social forte (mesmo que o uso de protagonistas latinos não seja tão bem explorado) e personagens marcantes, algo esperado da Telltale. O que nos deixa com uma sensação de vazio é o quanto ele poderia ser maior e inovador, principalmente no carisma de sua protagonista, nossa querida Clementine, que nesse jogo só nos deixou com um imenso gostinho de quero mais.

O jogo está disponível para PlayStation 4, Xbox One, PC, iOS e Android. A análise foi feita em um PlayStation 4.

Leia também:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *