Observer (2017)

Observer
Original:Observer
Ano:2017•País:Polônia
Desenvolvedora:Bloober Team•Distribuidora: Aspyr

O ano é 2084. A sociedade sucumbe perante uma desigualdade econômica extrema, injustiças sociais, um governo ausente e totalmente dominado por uma megacorporação, enquanto seus habitantes lutam para manter o vício em drogas sintéticas e implantes tecnológicos. No meio de uma cidade degradante, o detetive de elite neural Daniel Lazarski observa a eterna escuridão sentado em seu carro, quando o computador de bordo é hackeado e a voz de Adam, seu filho desaparecido há anos, explode pelos alto-falantes pedindo por um encontro urgente e perigoso.

Essa é a premissa de Observer, jogo de survival horror ambientado num universo cyberpunk produzido pela produtora polonesa Bloober Team.

Com visão em primeira pessoa, assumimos então o controle de Lazarski ao adentrar num condomínio habitacional Classe C de uma sociedade estratificada onde seus marginalizados dificilmente encontram condições de melhorar de vida por maneiras nobres, recorrendo a crimes e todo tipo de abuso para poder manter o mínimo de sobrevivência.

Mas ao chegar no apartamento de Adam, a única coisa que Lazarski encontra é um corpo sem cabeça, além de ativar um estranho sistema de defesa que confina todos dentro do prédio sem nenhuma comunicação externa. A partir de então, temos um edifício inteiro para investigar.

É ainda no apartamento de Adam que aprendemos a usar as duas únicas mecânicas do jogo, a Visão Eletromagnética, que escaneia todos os componentes eletrônicos do ambiente, e a Visão Biológica, que escaneia evidências desse tipo, como sangue, pelos, sinais de luta corporal e tantos outros. E sim, é só isso. Lazarski não é um detetive que carrega armas de fogo, sua aptidão é outra: se conectar eletronicamente a mente de outras pessoas e conseguir arrancar tudo que precisa saber dali, onde absolutamente nada pode ser escondido.

E se andar pelos corredores do perturbador condomínio nos traz todos os aspectos de uma sociedade cyberpunk com seu ápice tecnológico, mas incapaz de melhorar a qualidade de vida de toda sua população, é quando nos conectamos as mentes daqueles que precisamos investigar que vem o verdadeiro terror.

É dentro da mente de suspeitos (e até mortos) que está tudo que precisamos saber para avançar na busca por Adam, mas é também nela que estão os medos, terrores e depressão dessas pessoas, criando um universo a parte que não segue as regras de tempo e espaço, nos perturbando e aterrorizando, já que cada viagem mental causa um desgaste forte a Lazarski, que precisa de drogas para se manter minimamente estável, ainda que toda a pressão do caso comece a destruir seu discernimento do que é real.

Observer é um jogo de terror psicológico cujo principal foco está na narrativa. Todo seu enredo é incrivelmente bem construído, com uma trama complexa, mesmo que um tanto batida em suas revelações finais. Como a base do jogo é a investigação, o condomínio nos proporciona um punhado de interações com os moradores confinados através de suas portas, gerando inclusive missões paralelas, algumas bastante interessantes e que revelam mais daquela cruel sociedade. Além disso, computadores espalhados pelo jogo nos dão acesso a documentos e arquivos importantes para trama, mas também a um mini-game instigante chamado With Fire and Sword: Spiders que pode entretê-lo por alguns minutos.

O áudio também é o forte de Observer. Todo o sistema de som do jogo é impecável e preciso, com destaque para os momentos em que estamos dentro das mentes, geralmente cercados de silêncios pontuais ou explosões de som aterradoras. O protagonista Daniel Lazarski foi dublado por Rutger Hauer, o marcante vilão Roy Batty do filme Blade Runner (definitivamente a maior referência do jogo principalmente na ambientação). Seu trabalho aqui ficou simplesmente sensacional, dando a Lazarski uma camada de personalidade muito forte.

Observer tem todo o mérito de aliar uma distopia cyberpunk ao survival horror. Com excelentes elementos dos gêneros pelos quais caminha, é difícil um fã não se envolver. Mas mesmo com tamanha trama bem produzida, o jogo acaba oferecendo pouco ao jogador em termos de experiência jogável. Não há nada de realmente novo em Observer, ainda que o jogo seja bastante eficiente naquilo que se propõe.

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Samuel Bryan

Samuel Bryan

Jornalista, acreano, tão fã de filmes, games, livros e HQs de terror, que se não fosse ateu, teria sérios problemas com o ocultismo. Contato: games@bocadoinferno.com.br

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